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Até 2025, o mundo produzirá estimadamente 175 zettabytes de dados, os quais precisarão do suporte de uma completa infraestrutura de TI. Com os parâmetros atuais de crescimento, o consumo energético da infraestrutura digital será o responsável por 1/5 do uso global de energia.
A green4T acredita e promove a mudança de paradigmas, atrelando os conceitos de sustentabilidade e eficiência. Por isso, a empresa criará soluções de infraestrutura de baixa impacto energético, com PUE máximo de 1,5, para que, nos próximos 10 anos, a iniciativa possa reduzir 60% da energia consumida por todos os data centers na América Latina. A energia poupada neste processo poderá causar impacto de 67 TWh - energia suficiente para iluminar 3 milhões de residências.
Insights
Transformação Digital
Transformação Digital e o impacto na indústria automobilística
Jan de 2021
O fechamento recente de fábricas de carros tradicionais no Brasil evidencia muito mais do que a drástica queda nas vendas, agravada pela pandemia, ou questões tributárias que envolvem o ambiente de negócios do País. O que está por trás é uma mudança de hábito das pessoas com relação a maneira de se deslocar pelas cidades, motivada pela chegada dos aplicativos de transporte, compartilhamento de veículos e pela facilitação do acesso ao transporte público – aspectos gerados pelo fenômeno da Transformação Digital. É a partir da percepção criada por estas inovações tecnológicas que a mobilidade passou a ser vista como um serviço, não mais como bem de consumo. E isso tem gerado uma revolução não só na vida das pessoas, mas também na dinâmica das cidades e na economia. A chegada ao Brasil dos aplicativos de transporte por geolocalização dos motoristas, em 2014, pode ser considerada um marco essencial neste processo. Foi graças a este tipo de serviço que os brasileiros passaram a contar com uma terceira via de locomoção, sem a necessidade de possuir um veículo. Deu tão certo que, em 2019, cerca de 71% dos brasileiros que têm smartphone já haviam solicitado ao menos uma corrida via aplicativo, segundo pesquisa do site Mobile Time. A empresa que lidera este segmento no País, por exemplo, acumula 22 milhões de usuários cadastrados e já realizou mais de 5,6 bilhões de viagens. Os reflexos desta mudança de paradigma podem ser vistos nos dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Estudo recente revelou que a emissão de novas carteiras de habilitação no Brasil caiu aproximadamente 1/3 no final da década passada: de 2,9 milhões de documentos em 2014 para 2 milhões em 2018. Especialmente entre os jovens até 25 anos, o desejo de poder dirigir o próprio carro perdeu espaço por conta não apenas das novas tecnologias, mas pelo alto custo do processo de obtenção da CNH, bem como de aquisição e manutenção dos veículos. Eles preferem usar o dinheiro para estudar, viajar ou consumir outros bens, como um smartphone novo.
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Cidades Inteligentes
Cidades Inteligentes: Vantagens e Soluções - Episódio 9
Jan de 2021
Olá, seja bem-vindo ao greenTALKS, mais um canal de comunicação e conteúdo da green4T. Esse podcast está disponível no Spotify, em nosso canal no YouTube e também em nossas mídias sociais. Me chamo Fabiano Mazzei e sou jornalista na green4T. Nesta nona edição.. nona edição teremos uma conversa com Aurélie dos Santos, gerente de Smart Cities na green4T, sobre Cidades Inteligentes: Vantagens e Soluções, um panorama sobre este conceito que aplica tecnologia e soluções digitais na gestão e no planejamento das cidades para melhorar a qualidade de vida das pessoas nas áreas urbanas. Fabiano: Olá Aurélie, muito obrigado pela presença! Aurélie dos Santos: Olá, obrigada pelo convite. Fabiano: Muito bem, vamos começar deixando claro para todos que nos ouvem o conceito de Smart City: o que faz uma cidade ser considerada "inteligente"? Aurélie: Então, existem diversas definições, algumas focam mais nas tecnologias que tornariam as cidades mais inteligentes. Outras definições preferem focar no objetivo de melhorar a qualidade de vidas das pessoas e tornar as cidades mais inteligentes através da sustentabilidade, de sua adaptabilidade, além desse uso da tecnologia. Mas em todas as definições que eu já li, tem sempre quatro temas que se repetem em todas as definições: Melhoria da qualidade de vida das pessoas, melhorando os serviços e usando melhor os recursos; Integração entre serviços da cidade; Participação popular; Uso da tecnologia. É interessante a gente destacar uma definição de uma norma, ABNT 37100, que fala que uma cidade inteligente é aquela onde “as decisões são tomadas de forma consistente, com visões de curto e de longo prazo. Além disso, são conhecidas por usar a tecnologia no processo de planejamento, sempre mirando o crescimento econômico e sustentável, sem deixar de considerar os cidadãos”. Na cidade inteligente, os gestores públicos usam tecnologias para tomar decisões operacionais em tempo real e para tomar decisões de planejamento de médio a longo prazo. Esse uso da tecnologia tem por objetivo tornar as decisões públicas e operacionais mais eficientes e mais adequadas à realidade tendo informações na mão. Esse primeiro objetivo permite diretamente e indiretamente melhorar a qualidade de vida das pessoas que moram ou que estão nas cidades. É importante ressaltar que este uso da tecnologia nas cidades se insere num contexto de Transformação Digital que está acontecendo no mundo já há alguns anos. E o que é essa transformação? É um contexto que implica o uso de três camadas de tecnologias: a primeira camada é quando temos dispositivos que capturam dados através de uma rede de conectividade – seja wi-fi, 4G, rádio. Então estes sensores, câmeras capturam e comunicam dados: é o que chamamos de Internet das Coisas ou IoT, em inglês. Um exemplo fácil é o GPS do ônibus, que envia sua localização em tempo real. Isso é um ambiente IoT. Ele permite vários usos dos dados do ônibus para a gestão operacional e o planejamento da mobilidade nas cidades. Os dados sobem para uma segunda camada onde são armazenados, processados e estruturados na infraestrutura de TI como data center ou nuvem. Enfim, na terceira camada, as informações armazenadas viram insights e podem ser utilizados para realmente trazer a inteligência na cidade. Então, não é só a tecnologia que torna a cidade inteligente, mas a uso da tecnologia e o uso dos dados para operar e planejar a cidade. É isso que a torna inteligente. Esses dados podem ser integrados dentro de uma plataforma. Visualmente, essa plataforma é composta por mapas, dashboards, tabelas e relatórios que permitem a tomada de decisão do gestor público. Se essa plataforma está sendo utilizada dentro de um centro de comando e controle, ou centro de gestão onde convergem as informações – e onde todos os atores e gestores envolvidos se juntam e têm uma visão única –, isso traz inteligência para a cidade. Tudo isso faz parte da terceira camada. As áreas mais comuns de aplicação de tecnologia de cidade inteligente são a gestão do tráfego, a mobilidade, a gente ouve bastante falar de projetos de iluminação inteligente também. Então, por exemplo, na gestão de tráfego temos as câmeras, os radares integrados aos centros de gestão de trânsito. Na mobilidade, os usuários têm cada vez mais informações em tempo real, mais modais de transporte compartilhados como bicicleta, por exemplo, que usam estas tecnologias. Um sistema de bicicleta pública e compartilhada é um modal de transporte que usa as tecnologias das três camadas da Transformação Digital que eu comentei mais cedo. A iluminação pública aplica também conceito de cidade inteligente quando os postes, por exemplo, comunicam dados de consumo a um centro de gestão da cidade, quando usam LED para consumir menos energia, quando se tem sensores para medir o nível de iluminação de acordo com a presença de pessoas ou não... Fabiano: Entendi. Aurélie, de que forma prática toda essa aplicação tecnológica pode melhorar a vida das pessoas no dia a dia das grandes cidades? Aurélie: Como comentei antes, o uso das tecnologias vai diretamente ou indiretamente melhorar a qualidade de vida das pessoas. Então, diretamente, se os dados de localização via GPS do ônibus são compartilhados e podem ser utilizados em tempo real em aplicativos e serviços diversos de informação, o usuário vai se organizar melhor tendo essas informações e, se tiver um problema, ele pode tomar uma decisão de mudança de trajeto ou de modal de transporte para facilitar, adaptar e acelerar o trajeto e a vida dele. Se tem um acidente na avenida principal da cidade, com os dispositivos de monitoramento e com um centro de gestão operacional da cidade, o gestor do tráfego, os bombeiros e a polícia vão poder tomar decisões mais rapidamente, de forma eficiente e centralizada. Assim, vidas poderão ser salvas mais rapidamente, o tráfego poderá ser reorganizado mais eficientemente e a avenida poderá ser liberada também mais rapidamente. Mas a tecnologia e os dados não são utilizados somente para aplicações imediatas e em tempo real. Fabiano: Então, aproveitando esse gancho, como estas soluções podem atuar no médio e longo prazos para a transformação das cidades? Aurélie: Os dados em tempo real podem virar histórico de dados e existem também dados que não têm valor em tempo real, mas que são importantes serem analisados para o planejamento da cidade e dos serviços públicos a médio e longo prazos. Onde precisa de mais creches ou serviços ligados à infância, por exemplo, não precisa ter a taxa de natalidade em tempo real. Mas para fazer um planejamento de médio e longo prazo é uma informação que se o gestor tem ela facilmente, mapeado com relatórios adequados, pode ajudar no planejamento que vira mais inteligente. É bom saber onde estão ocorrendo os acidentes na rua para poder ajudar e organizar a atuação operacional o mais rapidamente possível – como comentei antes –, mas é bom ter todos os acidentes dos últimos anos mapeados para poder fazer um planejamento viário adequado e diminuir a taxa de acidente. Então, a gente pode observar que a tecnologia utilizada está presente transformando e acelerando vários aspectos do nosso dia a dia, facilitando a vida das pessoas. Fabiano: Ótimo, Aurélie, vamos olhar para o mundo agora: quais cidades são consideradas as mais inteligentes hoje e quais os projetos que elas desenvolveram que mais chamaram a sua atenção? Aurélie: Então, antes de citarmos os exemplo, acho interessante destacar dois tipos de cidades de modo geral. Primeiro, as cidades planejadas e novas que usam o conceito de inteligência para produzir energia, utilizar o menos possível energia tentando tornar a cidade sustentável ao máximo utilizando as novas tecnologias Temos o exemplo famoso de Songdo, na Coréia do Sul. A infraestrutura de rede da cidade inteira utiliza tecnologias avançadas, os edifícios – sejam comerciais ou residenciais – têm seus subsistemas conectados com a rede de energia, então, o alarme de incêndio manda informações em tempo real e isso reduz o custo de manutenção e traz mais segurança. Os edifícios residenciais têm gerenciamento de consumo de energia de cada apartamento, com ajustes diversos quando o morador está na própria casa ou fora de casa. Ele pode ajustar a luz ou o ar condicionado, por exemplo. E já em 2013, os apartamentos, escolas e edifícios comerciais estavam equipados com sistemas de vídeo para diminuir a necessidade de deslocamento e, assim, reduzir a emissão de carbono da cidade. Fomos meio que forçados a fazer isso devido a pandemia, mas os moradores de Songdo já tinham essa opção há nove anos. O outro tipo de cidade é a antiga, que já existe, que já é densa e não foi pensada para utilizar e integrar todas essas tecnologias. Então, a pergunta é como transformar estas cidades antigas, até históricas, em cidades inteligentes? As cidades europeias e asiáticas já fazem, é possível, mas são transformações diferentes a serem pensadas, comparado às cidades que são pensadas no zero. Em vários rankings de cidades inteligentes, Nova York –que é uma cidade já mais antiga, no sentido que ela não está sendo construída agora –, é considerada como uma das mais inteligentes cidades do mundo. Isso pela sua infraestrutura como, por exemplo, a rede semafórica com sensor de trânsito, que sinaliza qual via tem mais carros e, então, o sinal verde se torna mais demorado que a outra via onde tenha menos carros. Mas isso existe também em várias cidades no mundo, como na Holanda, que são menores que Amsterdã e ainda mais antigas que Nova York. Então, ser cidade inteligente é também ter alguma agência ou estrutura municipal que conecta os diversos atores do ecossistema de inovação que sejam start ups, empresas global tech ou as próprias comunidades. Em Nova York tem o New York Cityx para isso. Nova York oferece aos moradores de habitação de interesse social, com aplicativos para gerenciar todos os serviços ligados à habitação municipal. Isso faz parte de uma cidade inteligente, ter estes serviços públicos digitais. Ela oferece sensores de consumo de água no espaço público, por exemplo. Então, se tem um vazamento, fica mais rápido de consertar. Essa cidade tem também dados abertos muito diversos que permitem essas inovações, como a localização de mobiliário de rua, locais com autorização para se ter cachorro, nível de poluição do ar, enfim, é bem diverso. Fabiano: Muito bem, agora a gente precisa colocar o Brasil neste contexto e neste mapa de transformação das cidades. Quais as iniciativas aqui podemos destacar dentro deste conceito 'smart'? Aurélie: De maneira mais geral eu acho que ultimamente, e talvez ainda mais devido à pandemia, os profissionais brasileiros tanto do lado público quanto do lado privado falam cada vez mais desse conceito de cidade inteligente. Acho que isso é um passo básico, mas importante para tornas as nossas cidades mais inteligentes. A legislação está sendo adaptada para incentivar ou ajudar na aplicação de tecnologias, com diretrizes e financiamentos. Por exemplo, em dezembro de 2020, a Carta Brasileira de Cidades Inteligentes – que propõem diretrizes e uma ideia do que poderia ser a cidade inteligente no País – foi lançada. Existem laboratórios, agências, que estão sendo montados para incentivar inovações e projetos novos. Por exemplo, tem o Mobilab, em São Paulo, que já tem há alguns anos; o HUB em Salvador e em Curitiba. Falando de Salvador, essa cidade lançou um dos primeiros editais para uma consultora realizar o PDTCI: o Plano Diretor de Tecnologias para Cidades Inteligentes, que é um passo importante rumo a transformar Salvador em cidade inteligente. Esses laboratórios são interessantes porque as inovações que estão sendo pensadas e criadas lá podem ser mais adaptadas ao contexto urbano em quais elas estão. Outro ponto interessante é cada vez mais cidades brasileiras estão interessadas em ter centros de operação ou gestão integrados que permitam ter mais eficiência e adequação na atuação das cidades. Estes centros são passos para que as cidades se tornarem mais inteligentes. Fabiano: Muito bem, infelizmente o nosso tempo acabou e precisamos nos despedir. Conversamos aqui com Aurélie dos Santos, gerente de Smart Cities na green4T, sobre Cidades Inteligentes: Vantagens e Soluções. Um tema muito interessante e que, com certeza, ainda renderá ainda muitas outras conversas por aqui. Aurélie, foi um prazer, muito obrigado pela presença e por compartilhar os seus conhecimentos aqui conosco. Aurélie: Muito obrigado você e espero que tenhamos mais podcasts sobre o tema. Fabiano: Com certeza, então é isso, convido você a continuar a acompanhar o nosso podcast e também outros conteúdos relevantes sobre a tecnologia da informação no blog INSIGHTS, no site da green4T. Nós esperamos que tenha gostado desta edição. Muito obrigado e até o próximo programa!
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Transformação Digital
Como as novas tecnologias estão antecipando o futuro?
Jan de 2021
Eletrodomésticos que monitoram sinais vitais e alertam os serviços de saúde em caso de urgência. Empréstimos de dinheiro real contratados virtualmente e independente do sistema financeiro. Previsão do tempo recebida no celular a partir de leitura das lentes do óculos. Computadores que vão ajudar a encontrar a cura de doenças. São tantas e tamanhas as inovações tecnológicas que estão em desenvolvimento no mundo atual que a sensação é de que o futuro literalmente já chegou – e isso está longe de ser um clichê. Estas novas tecnologias transformarão o jeito de viver, de trabalhar e de fazer negócios. Smart things, DeFi, digital twin e computação quântica são algumas delas que já começam a fazer parte do dia a dia das pessoas e, por isso, torna imprescindível a compreensão de seus propósitos. Smart things, por exemplo, aplica inteligência tecnológica aos objetos. Diversos itens domésticos ou de uso pessoal, como uma simples escova de dentes, podem ser integradas a este conceito. A empresa japonesa Sunstar lançou recentemente a G.U.M Play, uma escova de dentes conectada via bluetooth a um aplicativo que coleta dados sobre a escovação do usuário e os envia para o processamento. As informações geradas retornam na forma de dicas sobre como melhorar a saúde bucal com orientações dadas por dentistas reais. O uso de smart things associado a cuidados com a saúde – o que tem sido chamado de IoMT (Internet of Medical Things) – vem crescendo rapidamente. Consiste em instalar sensores em móveis como camas, cadeiras e sofás que coletam dados sobre sinais vitais (batimento cardíaco, pressão arterial, nível de açúcar no sangue, entre outros) e os enviam a uma central médica de monitoramento. Isso facilita a tomada de ações preventivas ou emergenciais, bem como o acompanhamento à distância de tratamentos sem que o paciente precise sair de sua residência.
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Transformação Digital
Os desafios da conectividade digital - Episódio 8
Dez de 2020
Olá, seja bem-vindo ao greenTALKS, mais um canal de comunicação e conteúdo da green4T. Esse podcast está disponível no Spotify, em nosso canal no YouTube e também em nossas mídias sociais. Me chamo Fabiano Mazzei, e sou jornalista na green4T e nesta oitava edição teremos uma conversa com Edelvicio Souza Júnior, especialista em inovação, Internet das Coisas e Transformação Digital, e professor convidado da Fundação Dom Cabral, sobre Os Desafios da Conectividade Digital, uma análise profunda sobre um tema tão relevante nestes tempos de novos modos de trabalho, nova maneira de estudar e novos hábitos de consumo pós-pandemia. Fabiano: Olá Edelvicio, muito obrigado pela presença! Edelvicio Souza Júnior: Olá Fabiano, obrigado a você e a green4T pelo convite e de podermos falar de um tema extremamente atual que é a importância cada vez mais crescente da estrutura de conectividade digital em nossas vidas. Vamos abordar a relevância disso e também as consequências da não conectividade. Portanto, um tema recente e importante para todos nós. Fabiano: Edelvicio, vamos começar esta conversa definindo o que é Conectividade Digital e por quê ela é tão importante nos dias de hoje. Edelvicio: Antes de dar um conceito formal, acho que é importante entendermos o que ela é para nós e o que ela significa. Estamos vivendo um momento que definiremos, no futuro, em aC e dC: antes e depois do coronavírus. Infelizmente, estamos ainda durante o coronavírus. Vivemos uma das maiores transformações que a humanidade já viveu em todos os setores, marcadas por uma evolução exponencial que algumas tecnologias estão possibilitando. Nunca houve, na história, tamanha evolução com tantas tecnologias diferentes - com avanços seja na redução de custos, seja na melhora da performance - e que estão presentes no nosso dia a dia, trazendo mudanças profundas em nossa sociedade. Um dos elementos chave para que aconteça essa digitalização é levar o dado/informação para a ponta, ou seja, até o consumidor final, cidadão, gestor público. E, para isso, é fundamental você ter uma estrutura de comunicação e conectividade, que permita que este acesso seja feito. Essa infraestrutura não é só aquela que a gente tem em uma rede de telefonia celular, por exemplo. É muito mais do que isso: é toda forma que você tem de coletar, armazenar e transferir os dados, passando por armazenamento na nuvem, por aplicações que exploram o Big Data, sejam elas por satélite, fibra ótica ou até mesmo pelos provedores de banda larga. As mudanças que estamos sofrendo, além de impactar de sobremaneira o nosso dia a dia, estão provocando um hiato profundo entre a economia dos países. Entre aqueles que contam com essa infraestrutura de conectividade - e podem usufruir dos seus benefícios - e aqueles que são carentes dessa condição. A pandemia evidenciou a nossa dependência de acesso à internet. O que aconteceu de março para cá é que algumas de nossas atividades ficaram dependentes disso, seja no trabalho remoto ou na educação. O que se pontua é que na hierarquia das necessidades básicas da base da pirâmide de Maslow - acesso a moradia, educação, saneamento básico - já se coloca o acesso à internet como uma das necessidades do cidadão. Ou seja, já é uma questão de cidadania. E este acesso é uma questão de infraestrutura de conectividade que ofereça esta oportunidade a todos. De uma forma bem simples, é aquilo que se consegue oferecer de acesso – ou não – à população. E não basta só o acesso, precisa ter qualidade. Todos nós, alguns mais, outros menos, nos deparamos com situações onde a conexão caiu ou travou. Então, mais do que acesso, é preciso ter qualidade e, além, que a população na ponta tenha os meios para acessar esses serviços, como um computador ou tablet disponível, para que o acesso não seja unicamente via celular. A gente vive, hoje, a era do 4.0 na saúde, na educação, no agro, na indústria, nos projetos de cidades inteligentes. E o que elas têm em comum? Todas são dependentes de uma infraestrutura de conectividade digital. Você não implementa nenhum destes projetos que estão mudando completamente a nossa vida, sem a disponibilidade dessa infraestrutura. Então, dentro do contexto dessa nova economia digital, os países, ou regiões dentro deles que não tenham essa infraestrutura de conectividade digital, serão impedidos de usufruir os benefícios dessa nova era. Para se ter uma ideia da importância disso, tem um estudo muito interessante realizado pela União Internacional das Telecomunicações (UIT) que faz uma avaliação do impacto da conectividade na economia de um país. Este fator, chamado de Índice de Conectividade Global, ranqueia os 79 países participantes com notas de 0 a 100, onde o Brasil tem nota 47 e ocupa o 44° lugar no ranking. O estudo demonstra que, quando você sobe um ponto neste índice, você chega a aumentar 2.1% na competitividade daquela nação, 2,2% na inovação e 2,3% na produtividade de sua economia. Outro dado interessante é com relação ao impacto do PIB de uma região. Tem um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que aponta que a cada 10 linhas de banda larga que você acrescenta para 100 pessoas faz o PIB local crescer em 1,38%, no caso de países em desenvolvimento, chegando a 1,21% em países já desenvolvidos. Ou seja, tem impacto direto no PIB per capita de uma região. Então, isso é para entender o conceito e a importância da conectividade digital. Fabiano: Perfeito, eu gostaria de voltar em um ponto crucial para este entendimento que é a questão da pandemia. Como ela revelou para o mundo e para nós, aqui no Brasil, a questão da real capacidade das nações neste tema da conectividade? Edelvicio: A pandemia, na verdade, promoveu uma grande aceleração nos projetos de digitalização – seja de empresas, de países – e todos fomos forçados a nos digitalizar ou usufruir de infraestruturas digitais. Isso evidenciou algo que, para alguns, era oculto quanto a desigualdade das nações neste aspecto. Estamos vivendo no mundo uma grande exclusão digital. Existem aqueles que têm o acesso e os que não têm, ou possuem, mas com péssima qualidade. Essa desigualdade é enfatizada na área rural no mundo todo, não só no Brasil, onde boa parte não está provida de acesso. Regiões distantes dos grandes centros urbanos também são desprovidas de acesso – cidades menores, onde se concentram as classes C/D/E. Uma pesquisa deste ano do Gallup mostra que 24% das pessoas em situação vulnerável no mundo não tem qualquer acesso à internet. E há, ainda, os que conseguem ter acesso, mas ele é precário. Especificamente na nossa região, foi publicado um estudo chamado Conectividade Rural na América Latina e Caribe, elaborado pelo BID e IICA (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura), que aponta que 77 milhões de pessoas que moram em zonas rurais nos 24 países da região, não têm acesso de qualidade à internet. Ou seja, embora a agricultura seja importante para a economia destas nações, as pessoas que moram nestas áreas estão impedidas de ter acesso ao desenvolvimento, bem como permitir melhorar a sua própria produtividade. No mesmo estudo, 29% da população urbana latino-americana também não tem acesso à internet. No que tange as escolas, que é algo com que me preocupo muito, 33% das escolas da América Latina não tem acesso nenhum à internet. No Brasil, conforme Pesquisa TIC Domicílios 2019, o acesso às redes 4G, que você coloca na sua residência, só atinge 88% da população. E 26% dos brasileiros – 47 milhões de pessoas – não têm nenhum acesso à internet, a maioria das classes C/D/E. Ao todo, 554 municípios brasileiros que também não tem qualquer acesso à rede. Dos domicílios rurais no Brasil, 48% não tem acesso. No total, 20 milhões de lares brasileiros estão desconectados. Enquanto 96% das famílias da classe A têm um computador ou tablet em casa, apenas 14% dos lares das classes C/D/E têm um computador. Ou seja, o precário acesso que eles fazem é via celular, que sabidamente não é a melhor maneira de se conectar e conceber aprendizado. Com relação a educação, essa exclusão digital vai aumentar a desigualdade social. Veja, 40% das escolas públicas no Brasil não têm computador ou tablet, segundo dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic). Na sua grande maioria, essas crianças não tiveram acesso às aulas durante a pandemia. Estão privadas de crescer. Este é um dado preocupante que a pandemia escancarou – e, por isso, a sua pergunta foi muito oportuna – que é a desigualdade e a exclusão digital que vivemos no mundo e no Brasil, de forma muito mais enfática. Fabiano: De fato, há muito a se evoluir na questão do acesso de qualidade à internet. E isso nos leva a buscar entender como às novas tecnologias podem mitigar o impacto dessa exclusão. O que podemos esperar disso? Edelvicio: A gente está vivendo agora a discussão em todo o mundo da implantação do 5G, um novo parâmetro tecnológico que vai permitir novas aplicações. No mundo como um todo, até pelas características de baixa latência, maior velocidade, menor investimento em termos de torres, o 5G vai provocar uma revolução. Mas, ao mesmo tempo, há um grande desafio: ele pode aumentar a nossa desigualdade. Porque se todas estas áreas que citamos não têm 3G ou 4G, elas também não terão acesso ao 5G. Mas do ponto de vista positivo, o 5G vai aumentar de sobremaneira o uso de tecnologia para a melhoria da qualidade de vida da população. Junto com ele, existe um potencial enorme de aplicações de Internet das Coisas (IoT) – sejam elas em cidades inteligentes, na indústria 4.0 – de se beneficiarem cada vez mais, trazendo em torno disso a computação de borda ou edge computing. Nestas áreas sem acesso e onde a conectividade seja um problema sério, você pode trazer para perto da aplicação o processamento daquele dado, sem depender eternamente de um link de internet para acessar a nuvem, por exemplo. Vamos conviver com um mundo híbrido, com parte do processamento local – aquele que for mais crítico, como na telemedicina ou em fábricas em áreas remotas –, onde o edge computing vai fazer proliferar o número de data centers, menores e talvez com capacidade de processamento reduzida, mas perto da ponta, de tal forma que você vai aumentar de sobremaneira o potencial e vai distribuição do processamento, com grandes investimentos em infraestrutura. O que se espera com isso é melhorar o potencial dessas aplicações, seja em cidade inteligentes, na indústria, nas minas, no agronegócio. Levar para a ponta esse processamento nas áreas hoje que não são atendidas plenamente. O 5G junto a investimentos nestas tecnologias vai propiciar benefícios enormes a estes setores. Fabiano: Professor, falando dessas iniciativas e do que pode ser feito, que medidas práticas têm sido buscadas para contornar essa fragilidade da conectividade digital brasileira? Edelvicio: Uma das coisas que a gente tem muito no Brasil e depende da Anatel e do Ministério das Comunicações, do governo como um todo. Eles são agentes com o papel de diminuir essa desigualdade. Em novembro, tivemos três fatos interessantes que vão trazer um impacto enorme e no curto prazo para diminuir essa desigualdade que temos assim que forem colocados em prática. Uma delas foi a aprovação do Projeto de Lei 172 pelo Senado, que prevê usar parte da verba do FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), com bilhões de reais disponíveis, para investir em infraestrutura de banda larga para essas áreas sem acesso – que são as que têm baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) – ou as zonas rurais. Este é um fato positivo que o Brasil tende a se beneficiar urgentemente. Outro ponto é que tínhamos no País, até a aprovação pelo Senado do Projeto de Lei 6.549, taxas para implantação de dispositivos de IoT muitas vezes superior ao custo do próprio sensor. Isso faz com que os investimentos em IoT – notadamente para as cidades inteligentes e outras aplicações – ficavam impedidos porque o custo para você implantar o sensor era maior do que o próprio sensor. Agora, essas taxas foram zeradas, o que vai incentivar um aumento nas aplicações em IoT, e impactar a população como um todo. E, por último, a Anatel submeteu ao Conselho Gestor da Internet (CGI.BR) nas últimas semanas um plano geral de metas que propõe às operadoras trocar a cobertura ainda a realizar de 4G por colocar fibra ótica em municípios que ainda não tem este recurso. Isso vai possibilitar que 1.511 municípios possam ter acesso a uma infraestrutura de conectividade de alta qualidade por fibra ótica, por exemplo. Só estas três iniciativas já são um exemplo de uma mudança enorme que está por vir rapidamente no Brasil. Fabiano: Professor, a conversa está ótima mas, infelizmente, estamos terminando este podcast. Última pergunta: em uma visão mais global, quais as iniciativas mais contundentes têm sido realizadas a fim de levar a conectividade digital para os quatro cantos do mundo? Edelvicio: Um dos modelos que as empresas estão investindo é o acesso via satélite. Ele possibilita que você fuja dos investimentos em infraestrutura física, como as torres de transmissão, e tenha uma capilaridade maior até pela cobertura que um satélite tem. Um exemplo é o Starlink, do Elon Musk, que tem um projeto aprovado pelas autoridades americanas de implantar 12 mil satélites em baixa órbita transmitindo internet de alta velocidade. Só para se ter uma ideia, este projeto – que já está em implantação piloto nos Estados Unidos e tem foco em áreas rurais e aquelas não cobertas pelos provedores tradicionais – pretende cobrar taxas compatíveis ao 4G, por exemplo. E com velocidade de 1 GB/s, que é algo que o 5G pretende entregar. Então, uma das maneiras da gente contornar essa deficiência e essa desigualdade que nós temos é usando essa infraestrutura de satélites. E não é só o Musk que tem este projeto: você tem a Blue Orange, a Amazon e, há duas semanas, os chineses anunciaram um projeto de lançar 10 mil satélites - um número grande, se pensarmos que temos cerca de apenas 2.400 satélites orbitando atualmente o planeta. Elon Musk, inclusive, já pleiteou aumentar para 40 mil equipamentos. De uma forma bem objetiva, uma das maneiras de contornar a desigualdade digital no mundo, não apenas no Brasil, é oferecer outras formas de acesso que não a dos provedores locais, como os serviços de conectividade via satélite, de alta qualidade e baixo custo. Fabiano: Muito bem, de fato, este é um tema que não se esgota aqui e é muito rico. De certo que teremos outros podcasts para conversar a respeito. Nós conversamos com Edelvicio Souza Jr., especialista e consultor em inovação, Internet das Coisas e Transformação Digital, além de professor convidado da Fundação Dom Cabral, sobre Os Desafios da Conectividade Digital, um tema absolutamente relevante para este momento que a gente vive. Edelvício, foi um prazer, muito obrigado por compartilhar os seus conhecimentos conosco. Edelvicio: Eu que agradeço, Fabiano, a green4T pelo convite, e a minha esperança é que este tema sensibilize a todos aqueles que, talvez, não tivessem acesso a estes dados e conhecimento, e que cada um de nós faça a sua parte no sentido de mudar este cenário crítico de desigualdade no Brasil, que é essa exclusão digital que parte dos brasileiros está passando. Espero que logo tenhamos ações concretas e que elas deem frutos para que possamos permitir que todos os brasileiros usufruam dos benefícios da nova economia. Fabiano: Então é isso, convido você a continuar a acompanhar o nosso podcast e também outros conteúdos relevantes sobre a tecnologia da informação no blog INSIGHTS, no site da green4T. Nós esperamos que tenha gostado desta edição. Muito obrigado e até o próximo programa!
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Construção de data centers
Alta disponibilidade e Conectividade
Dez de 2020
Dados de setembro da Anatel revelam que o uso da internet no Brasil cresceu entre 40% e 50% durante a quarentena da Covid-19, no primeiro semestre do ano. No mesmo período, o volume de vendas online cresceu 118% em relação a 2019, conforme estudo da empresa de inteligência de mercado Neotrust. A Transformação Digital das empresas também se acelerou em razão da pandemia. Um fenômeno confirmado pelos próprios dirigentes das companhias. No relatório CEO Outlook 2020 da KPMG, 67% dos executivos brasileiros confirmaram que o processo de digitalização dos negócios avançou meses, até anos além do planejado para este momento. Todo este contexto de hiperconectividade gerou um aumento exponencial no tráfego de dados, estimulado por novas formas de trabalho como o home office, novas rotinas familiares e novos hábitos de consumo.
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Transformação Digital
Novas tecnologias - Episódio 7
Nov de 2020
Olá, seja bem-vindo ao greenTALKS, mais um canal de comunicação e conteúdo da green4T. Esse podcast está disponível no Spotify, em nosso canal no YouTube e também em nossas mídias sociais. Me chamo Renata Fonseca, e sou Gerente Executiva de Marketing na green4T. Nesta sétima edição teremos uma conversa com Carlos Eduardo Chicaroni, Gerente de Soluções de Tecnologia da green4T, sobre Novas tecnologias. Renata: Olá Cadu, muito obrigado pela presença! Carlos Eduardo: Olá Renata! Olá pessoal da green4T! Eu que agradeço o espaço e a oportunidade de conversar com vocês sobre este assunto, que é simplesmente sensacional: Tecnologia. E tem muita coisa para gente falar. Renata: Sim. Estamos empolgados com este tema! Bom, Cadu e o que você tem para nos contar sobre as novas tecnologias que estão porvir e devem impactar na nossa economia? Carlos Eduardo: Renata, esse assunto é super apaixonante! A gente vai falar um pouquinho de coisas que parecem saídas de histórias de ficção científica. Mas o fato é que já estão presentes no nosso mundo e já começam a fazer parte do nosso dia a dia. Soluções de tecnologia que se juntaram com outras disciplinas que a gente nem fazia ideia que poderiam se complementar e criaram novas soluções. Um exemplo é a Economia com Blockchain, que criou o Token Economy, economia baseada em tokens. Juntando economia com psicologia, temos a inteligência artificial e Big Data criando Behavior Economics. E quem usa muito isso? Banco. Para traçar perfil socioeconômico do seu correntista, tratar fundos, prever novas soluções, produtos e serviços. Permite ao banco se antecipar e oferecer novos tipo de serviços para o cliente. Economics + Blockchain = Token Economy Economics + Psychology = Behavior Economics Unindo a psicologia ao marketing, criamos o branding, usado para construir marcas mais valorizadas, fidelizando ainda mais o cliente na ponta. Existem uma série de estudos utilizando Inteligência Artificial somado a Big Data que trazem estes novos insights através da busca, extração, coleta de informações e análise de dados. Tudo isso para trazer um maior nível de fidelização e, obviamente, gerar mais recursos para as marcas. Já somando o Marketing com Inteligência Artificial temos o Growth Hacking, que, muito resumidamente, podemos dizer que prevê o crescimento da marca, do produto e do serviço. Marketing + Psychology = Branding Marketing + AI = Growth Hacking E por fim, um que eu adoro, que é a Biotecnologia, a junção da Biologia com a computação. Biology + Computer Science = Genetic Engineering Hoje nós estamos vivendo um momento de singularidade. Todas essas tecnologias que eu citei aqui para vocês, por alto, nos permitem criar outras. E isso faz com que a curva de ascensão de novas tecnologias seja diminuída. Ou seja, cada nova tecnologia que se cria, serve de base para implementar uma nova que se pensava impossível até 05 ou 10 anos atrás. Então, essa curva é diminuída drasticamente. Ao invés de levarmos 10 anos para desenvolver uma tecnologia, a gente leva 2 e assim sucessivamente. Quer ver uma coisa bem legal? Eu vou utilizar agora um exemplo que já é realidade nos Estados Unidos e foi copiado pela Fiture Chinesa: o espelho personal trainner da Mirror. Um espelho conectado à internet. Por trás dele, há uma tecnologia de projeção que permite que o professor se conecte ao seu espelho, e se você quiser os seus amigos também, e vocês podem partilhar uma aula em real time, inclusive competir juntos, embora você esteja na sua casa. Você não precisa mais ir a academia. Essa startup americana foi comprada por uma empresa de roupas de ginástica, a Lululemon. E por que essa empresa de roupas de ginástica fez isso? Porque durante a pandemia ninguém mais saía de casa e ela viu que as roupas de academia, corebusiness da empresa, não iam mais ser vendidas. Então ela comprou um espelho personal trainer, trouxe para dentro da companhia, e hoje ela vende o espelho e as roupas. Ou seja, ela juntou os dois mundos, criou um mundo perfeito para ela, obviamente, e as pessoas continuaram a ir para a academia, só que agora de dentro do seu quarto, e continuam a consumir as roupas da Lululemon. Agora, tem essa essa aqui que eu simplesmente amo de paixão, acredito que essa tecnologia vai mudar o mundo. Você sabia que a gente já tem um biochip produzido com neurônios de ratos? Esse chip é construído, com neurônios de ratos e a diferença para um chip normal é que ele tem a capacidade de processar e armazenar e, por ser um chip biológico, ele sente cheiros. Sabe o que isso significa para a humanidade? Este chip está sendo implementado nos aeroportos, mais especificamente no aeroporto de Los Angeles e tem a capacidade de sentir o cheiro dos componentes usados para construir bombas. Isso reduz drasticamente o tempo de espera nas revistas e uso de cães farejadores, uma vez que o chip faz a leitura do cheiro. Este chip também é utilizado em plantações para detectar automaticamente o tipo de praga em uma plantação. Mas o melhor de tudo, o melhor uso para este chip: ele releva se você tem câncer ou prevê com assertividade se você terá ou não a doença em até 10 anos. Agora imagine o seguinte: chips como esse estão sendo desenvolvidos e poderão ser implementados para trazer de volta, por exemplo, a visão e movimentos a quem perdeu. Eu acho que essa é uma das grandes sacadas da tecnologia que nós temos vivido hoje, o benefício para o ser humano. Poder trazer uma sobrevida, uma supervida, uma nova vida às pessoas. Renata: Agora falando do que já vemos acontecer no dia a dia, que tecnologias você poderia destacar como as mais relevantes? Carlos Eduardo: Eu gosto de dizer que estas tecnologias têm que ser tratadas como tecnologias core ou tecnologias presentes. Não tem mais como viver sem elas, uma vez que já estão remoldando o mundo. Eu cito de cara: Big Data, Inteligência Artificial, Machine Learning, Blockchain, com um perfil voltado ao segmento financeiro, 5G e IoT, como parte de automação e comunicação e Realidade Aumentada. Esta última uma tendência que nos próximos 2 ou 3 anos vai mudar muito a forma como as pessoas encaram a atividade física e o ato de comprar. Por exemplo, quando você entrar na sua casa, você vai utilizar um óculos de realidade aumentada que estará fazendo a leitura da sua casa e ao mesmo tempo te colocando em um ambiente digital. Vai identificar itens que precisam ser repostos em sua dispensa, fazendo conexões com promoções disponíveis para compra de acordo com o seu perfil. Todos estarão conectados e se comunicando e, para isso, segurança é fundamental. CyberSec é mandatório. Dentre todas essas tecnologias que citei: Big Data Inteligência Artificial e Machine Learning estão pavimentando nossa estrada para o futuro. Renata: No futuro, as transações comerciais serão todas 'sem dinheiro'? Ou isso já é uma realidade? Carlos Eduardo: Olha do que eu tenho visto, já é uma realidade. E uma realidade transformadora. A China se tornou a primeira nação cashless, ou seja, ela não tem dinheiro em espécie, a cédula. Ela transaciona tudo de maneira digital. Vou dar alguns exemplos. Você certamente conhece o Alibaba, Tencent, Wechat – app equivalente ao whatsapp na China. O Alibaba, que é uma das maiores empresas do mundo, um conglomerado gigantesco, tem uma rede de supermercados chamada Rema. Sabe como é que você faz compra no Rema? Apenas via app. Não adianta você levar a sua carteira com dinheiro ou cartão de crédito. Para os clientes que não possuem o celular no momento da compra eles oferecem uma solução de pagamento através de reconhecimento facial. Nas vending machines você só efetua a compra por meio de um QRCode, efetuando o pagamento por meio de aplicativos como wechat. E é assim que você efetua as compras de modo geral na China, a primeira sociedade cashless. Essa nova dinâmica começou a transacionar um volume financeiro elevado. Em 2015, os bancos chineses perderam 22 bilhões de dólares para a Alibaba e Tencent. Você tem aqui uma mudança radical dentro do modelo financeiro. Entre 2010 e 2016 o mercado subiu de 155 bilhões de dólares transacionados de maneira digital para 11.4 trilhões de dólares, e o percentual que está na mão destes apps, Alibaba e Tencent, é de 56%. Eu chamo a atenção para um novo caso, ainda relacionado a uma sociedade cashless. Se o dinheiro sumiu de circulação, como é que as pessoas em situação de rua vão pedir ajuda? Na China, as pessoas em situação de rua tem o seu próprio QRCode. Quando elas vão pedir ajuda, elas apontam o QRCode para que, por meio de um app instalado no seu celular, a doação possa ser realizada. Renata: O bom da tecnologia é que ela sempre gera uma solução a partir destas transformações que vão moldando a sociedade. Carlos Eduardo: Exatamente, todo círculo vicioso tem um virtuoso. Então a tecnologia à medida que ela vem mudando o mundo ela também traz novas oportunidades. O que a gente precisa é entender essas oportunidades, se posicionar e mudar a nossa mentalidade para abraçar a mudança. Renata: Como estas novas tecnologias estariam também alterando o modo de produção de alguns produtos e serviços? Carlos Eduardo: Eu tenho certeza que este novo cenário será ultra revolucionário. Vou usar um exemplo muito próximo ao que eu trouxe relacionado ao uso do biochip. Imagine, e isso já existe, que você vá ao KFC e peça nuggets. Você ficaria espantada se eu dissesse que este nugget foi produzido através de uma única célula, de uma única galinha dentro de um bio-reator? E não de uma galinha que estava em uma granja, comendo uma ração x, y, z, que não conhecemos profundamente os componentes, e foi abatida para virar comida? Algumas empresas na Califórnia, como a Memphis meats, produzem proteína da carne de frango, gado, porco, foie gras e salmão. Estas proteínas são utilizadas por grandes redes de alimentos como o KFC. E como elas fazem isso? A partir das células selecionadas de um único animal a proteína cresce em um bio-reator e o resultado disso é uma proteína exatamente igual, com o mesmo gosto e aparência da carne. Agora imagine o impacto dessa tecnologia no meio ambiente. Ao invés de se ter rebanhos de gado, granjas imensas de galinhas, fazendas de salmão você tem na verdade um único pack de células que vai ser armazenado e reproduzido infinitamente. Hoje, aproximadamente, 270 empresas estão envolvidas no processo de levar a carne até a sua mesa, desde a criação, abatedouro, logística e outros. O que nos traz uma boa perspectiva quanto tamanho do impacto que estas novas tecnologias vão trazer para nós. Renata: Qual o papel da inteligência artificial neste processo de digitalização total da economia? Carlos Eduardo: A inteligência artificial nesse processo todo representa um dos grandes catalisadores da transformação. Ela vai ser fundamental para sustentar todo esse processo, trazendo insights que olhos humanos não conseguem trazer. IA aliada a outras tecnologias, como Big Data e Machine Learning, vai conseguir nos levar a um outro patamar de eficiência para prover não só melhores produtos e serviços, mas para uma vida melhor. Sendo utilizada da maneira correta, preparada para responder as perguntas corretas, essa tecnologia vai trazer uma série de benefícios para humanidade. É a IA que permeia e está integrada a absolutamente tudo para tornar nossa vida mais fácil, melhor, mais produtiva, menos complicada. Imagine em uma cidade inteligente a complexidade para gerir as milhares de tecnologias que estarão disponíveis. Se não tivermos uma tecnologia complexa como a IA nos ajudando, será impossível. O que temos que decidir mais a frente é se ela toma ou não uma decisão sozinha. E isso é um assunto que envolve outros temas como ética e vale um podcast para tratar somente desse tema: ética vs inteligência aritificial, o que você faria? Eu ainda não sei (risos). Hoje eu não consigo imaginar a minha vida sem a inteligência artificial. Até a Alexia, que é a nossa assistente lá em casa, tem inteligência artificial, que é a junção de duas tecnologias: voz e inteligência artificial. Você faz uma pergunta para ela e ela faz uma varredura na rede e cruza com as informações do seu perfil para te trazer uma informação. Ela está tão presente em nosso dia a dia que já nem percebemos mais. Então não adianta temermos essa tecnologia, ela já está aqui, trabalhando para nós e por nós. Renata: Você comentou sobre como a IA ajuda a coletar esses dados, mas tem uma questão de processamento também. Como a gente coleta, processa, armazena e usa estes dados de forma inteligente? O que você pode falar para nós sobre esta infraestrutura que suporta toda essa inteligência? Carlos Eduardo: A gente sabe que o volume de dados vai exponencializar e isso vai exigir uma infraestrutura digital muito bem azeitada para suportar toda essa operação. Sabemos que não vai haver uma solução única para a inteligência artificial e para que estes grandes volumes de dados possam ser processados, insights gerados, e as informações estejam disponíveis para tomadas de decisão, operação de novos produtos, salvar vidas, quiçá. É preciso uma infraestrutura extremamente robusta, híbrida, envolvendo soluções de borda, core e nuvem que sejam capazes de processar este alto volume de informações e entregar isso em tempo real, quando necessário, para uma tomada de decisão na ponta. Estamos falando de soluções Edge e tráfego de dados de altíssima velocidade, o 5G já é uma pré realidade no Brasil. Você pode levar isso para um Data Center, para um IoC, por exemplo, para ser processado, quando você não tem uma necessidade de uma informação real time. Ou você pode jogar isso para nuvem, quando você vai estudar dados históricos ou aqueles dados que podem aguardar um pouco mais para serem processados. Então, novamente, quem trabalha com este tipo de solução que vai consumir muitos dados precisa, sim, prover uma infraestrutura digital muito bem azeitada, compatível e planejada para que não haja a ruptura ou o não fornecimento do serviço. Renata: Para concluir, como as empresas deverão se adaptar a este momento? Carlos Eduardo: Nunca é simples se adaptar a uma solução para a qual nós não estávamos preparados. A palavra-chave é justamente adaptabilidade. Hoje temos tecnologias do século XII, mindset do século XX e instituições do século XIX. Ou seja, precisamos de uma mudança cultural. Ao invés de visar unicamente o lucro, é preciso criar valor; ao invés de eliminar o risco, abraçar o risco; adaptabilidade em detrimento a estabilidade, hoje quem se dá melhor é quem se adapta melhor. E quando falamos em prover soluções e serviços, precisamos esquecer a estandardização, as empresas precisam fornecer serviços personalizados, as pessoas têm a necessidade de se identificar com as empresas. E nunca esperar, repensar sempre o seu modelo de negócios, sempre. Não se pode ficar parado. É preciso estar de olho no que está acontecendo no mercado, em ideias que talvez pareçam esdrúxulas. Quantas ideias não pareciam impensáveis há 30 anos atrás e hoje são uma realidade? Não teremos mais esse hiato de 30 anos, ele nunca mais vai existir, hoje falamos de um tempo máximo de 2 a 3 anos para que uma nova tecnologia seja criada, aceita, esteja em voga para depois em 5-10 anos ser descontinuada. Faço um parêntesis aqui com o Covid-19, que fez com que a curva de adoção de tecnologias fosse completamente afetada e achatada. Muita gente não utilizava o IFood, por exemplo, mas a partir do momento que você está trancado dentro da sua casa e você precisa comer, fazer um supermercado, você recorre a este tipo de serviço. Nesse meio tempo outras empresas foram se adaptando, por exemplo, o cartão Alelo, antes você só podia fazer compra de alimentação. Um dia cheguei no supermercado e descobri que podia pagar com meu Alelo, pois diante do cenário da pandemia as empresas começaram a se adaptar, agregar novos serviços, isso foi crucial para sobrevivência delas. Assim tem que ser para nós também. Aproveitar as oportunidades que estão acontecendo. O mundo não vai acabar, ele está apenas mudando. A pandemia tem representado um catalizador de mudanças. Empresas que atuam no modelo tradicional, fecharam. Quem não estava preparado ou vinha trilhando o caminho da transformação digital fechou as portas ou está sofrendo fortemente para se manter no negócio. O formato tradicional de comercialização mudou. Nada mais será igual ao que tínhamos no começo do ano. E essa transformação só foi possível por meio da tecnologia, ela já estava disponível. E o que vai acontecer agora: momento da curva de aceitação e adoção destas novas tecnologias. Isso vai fazer com que novas tecnologias sejam criadas, as empresas precisam estar preparadas e de olho nestas tecnologias porque não é um mandatório só de modelo de negócio ou software, aqui estamos falando da infraestrutura. Ela que sustenta todo esse modelo. Sem uma infraestrutura digital bem definida a gente não tem sustentação. Sem sustentação, não há bom modelo de negócio que resista. Então meu recado é: manter olhos bem abertos, mudança de mindset, nunca esperar, sempre repensar seu modelo de negócios, sempre estar atento as mudanças, por mais malucas que elas possam parecer. Quem diria que eu teria um espelho dentro de casa que permitira me fazer exercícios, junto com meus amigos, em qualquer lugar do mundo? Só preciso estar conectado à internet. Até o ano passado isso não existia. Renata: Muito bem, nós conversamos aqui com Carlos Eduardo Chicaroni, Gerente de Soluções em Tecnologia da green4T sobre as Novas Tecnologias. Cadu, muito obrigado por compartilhar os seus conhecimentos conosco. Carlos Eduardo: Mais uma vez quem agradece sou eu. Obrigado a todo o time da green4T. Espero voltar em breve! Renata: Então é isso, convido você a continuar a acompanhar o nosso podcast e também outros conteúdos relevantes sobre a tecnologia da informação no blog INSIGHTS, no site da green4T. Nós esperamos que tenha gostado desta edição. Muito obrigado e até o próximo programa!
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