Último insight
Tecnologias digitais no combate às mudanças climáticas
Na abertura da 76ª Assembleia Geral da ONU, dia 21 de setembro, em Nova York, o Secretário-Geral da entidade, António Guterres, destacou a tecnologia como um dos vetores essenciais de transformação do futuro do planeta pós-Covid. Segundo ele, é absolutamente necessário, por exemplo, que o acesso à internet seja amplificado, chegando a todos os povos até 2030 – a fim de permitir o desenvolvimento sustentável das nações mais vulneráveis. Ao chamar a atenção para a questão da expansão da conectividade, Guterres trouxe também aos holofotes a discussão sobre o papel das tecnologias digitais no enfrentamento dos desafios do mundo depois da pandemia. Dentre as grandes e mais emergenciais tarefas para os próximos anos está a mitigação dos efeitos adversos das mudanças climáticas, diante das quais a tecnologia tem imensa contribuição a dar. Guterres pediu aos 193 chefes de Estado reunidos no encontro que fossem mais audaciosos em suas medidas e estratégias de contenção das emissões de gases do efeito estufa. Ele sugeriu ainda criação de mais empregos "verdes" ligados à sustentabilidade e economia circular, o fim dos subsídios para os combustíveis fósseis e a tributação de empresas poluentes. "Nós devemos levar isso a sério e devemos agir rápido", declarou ele na plenária. Ouça o podcast greenTALKS "Os desafios da conectividade digital", com o Prof. Edelvício Souza Júnior. O sentido de urgência de Guterres encontra eco ainda no relatório "Climate Change 2021: The Physical Science Basis", do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), publicado em agosto. Pelo estudo, a temperatura média da Terra já se elevou em 1,1ºC desde o período pré-industrial, no século 19, em razão da atividade humana e precisa ter o seu ritmo desacelerado. Confiante, ele disse ainda ser possível que as nações reduzam em 50% todas as emissões de carbono até 2030, bem como a sua completa eliminação até a metade deste século. E mencionou estarmos próximos de efetivar um fundo anual de US$ 100 bilhões para ajudar os países mais vulneráveis a mitigar os impactos do aquecimento global.
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Como o IoT está transformando o setor de saúde
set de 2021
A pandemia da Covid acelerou a transformação de empresas, negócios e o modo de viver, trabalhar e de se relacionar das pessoas. Algumas destas mudanças, contudo, parecem ter ganhado um caráter permanente, dentre elas, a forma como as pessoas passaram a cuidar da saúde. Reflexo do distanciamento social necessário para se estancar a disseminação do coronavírus, muitos buscaram se consultar com os seus médicos via teleconferência. Para se ter uma ideia, apenas nos seis primeiros meses da pandemia em 2020, o número de brasileiros que aderiram a esta modalidade de atendimento saltou de 150 mil para 3,5 milhões de pessoas (Fonte: Conexa). Mas há outras tecnologias que também registraram crescimento em sua utilização com objetivo de melhorar o atendimento a pacientes e o gerenciamento de hospitais e clínicas. Uma delas, em especial, merece destaque: o IoT (internet of things). A internet das coisas, que conecta máquinas, sistemas, negócios e pessoas por meio de um ecossistema de sensores integrados à rede de internet ganhou relevância exatamente por possibilitar que pacientes, médicos e serviços de saúde possam se conectar estejam onde estiverem. É a partir dessa interação, com dispositivos gerando volumes imensos de dados em tempo real, que todo o segmento iniciou a sua metamorfose. De uma maneira geral, a medicina sempre se apoiou na coleta de informações para determinar diagnósticos e tratamentos. No entanto, nada é comparado ao fenômeno data centric que o setor de saúde tem vivido nestes últimos anos. De tão relevante, o IoT aplicado à saúde ganhou até um nome próprio: IoMT, a "internet das coisas médicas", que permite extrair informações em tempo real de pacientes, equipamentos e ambientes hospitalares, elevando a assertividade nas tomadas de decisão. Uma vantagem que pode significar a diferença entre a vida e a morte neste segmento tão delicado. Por sua imensa aplicabilidade e benefícios concretos, o mercado de IoMT só faz crescer. Segundo estudo da Deloitte – "Medtech and the Internet of Medical Things" – o setor deve movimentar a cifra de US$ 158 bilhões até 2022.
Tecnologia IoT: eficiência e transformação
jul de 2021
A aceleração na transformação digital das companhias imposta pela nova economia data centric tem feito com que os gestores empresariais se concentrem cada vez mais em investir em tecnologia. É na inovação tecnológica que reside toda e qualquer estratégia que busque aprimorar processos, otimizar investimentos, reduzir custos, elevar a produtividade e potencializar a experiência do cliente – as metas básicas e essenciais neste momento de busca frenética por mais competitividade e relevância diante de um mercado tão volátil quanto exigente. Assim, termos como machine learning, inteligência artificial, edge computing e IoT (internet of things) saíram do glossário técnico comumente ouvido nos departamentos de TI e passaram a fazer parte do dia a dia das companhias. Em especial, a 'internet das coisas' se popularizou em quase todos os setores socioeconômicos – da indústria 4.0 ao agronegócio de precisão, das cidades inteligentes ao hábito de consumo das pessoas – e tem gerado grande interesse por parte de CEOs, CIOs e gestores públicos ao redor do mundo. Segundo pesquisa global da consultoria McKinsey, 25% das empresas já utilizavam o IoT em seus negócios em 2019. O mesmo estudo indicou que, até 2023, existirão 43 bilhões destes dispositivos conectados. Dada a sua importância para o futuro dos negócios, o tema ganhou centralidade no evento Global Technology Governance Summit 2021, realizado virtualmente no Japão em abril passado, organizado pelo Fórum Econômico Mundial. Esta elevação no interesse pelo IoT também é explicitada em números. Segundo levantamento do IDC (International Data Corporation), estima-se que apenas na Europa os investimentos em hardware (módulos e sensores) e softwares que suportam essa tecnologia chegarão a US$ 202 bilhões ainda neste ano, com previsão de crescimento na casa dos dois dígitos até o final da década. No mundo, os investimentos relacionados ao IoT, segundo a mesma consultoria, teriam movimentado cerca de US$ 690,4 bilhões em 2020.
O futuro chegou: a virtualização do trabalho
abr de 2021
Em fevereiro, uma pesquisa publicada pela MIT Technology Review afirmava que 80% das empresas brasileiras desejariam manter parte de suas equipes em home office mesmo após o fim da pandemia. Este percentual – construído com dados levantados junto a 1.400 executivos de companhias do País – revela uma das maiores e mais relevantes mudanças na vida do planeta pós-Covid: o trabalho remoto. É fato: o hábito de usar máscara e higienizar as mãos com álcool gel nunca mais deixará a rotina das pessoas, assim como o home office não desaparecerá do dia a dia das empresas. Outro dado do mesmo estudo indicou que 93,5% dos profissionais desejam ter uma jornada híbrida de trabalho – parte em casa, parte no escritório – a partir de agora. Essa conjunção entre o novo modo de trabalhar adotado pelas companhias e a percepção positiva por parte das pessoas sobre a prática gerou um "novo normal" que deve ser mantido a partir deste ano. Entretanto, há um desafio embutido no processo: como realizar essa transição de forma segura, ágil, controlada e a um custo financeiro possível?
Como o edge computing se tornou essencial para a Indústria 4.0?
jul de 2021
A integração de tecnologias como IoT, inteligência artificial e machine learning nas linhas de produção da indústria 4.0 ganhou um novo componente na busca das empresas por uma performance elevada que garanta a relevância em um mercado altamente competitivo: a agilidade no processamento de dados. Neste ambiente onde máquinas conversam entre si e grandes volumes de informações são geradas pelas mais diferentes fontes, coletar, processar e comunicar estes dados com a menor latência possível pode gerar insights valiosos para o sucesso do negócio. É por conta desta nova demanda que o edge computing tem conquistado o seu protagonismo.
O avanço do Edge Computing
fev de 2021
Em uma sociedade e economia cada vez mais centradas em dados – onde o Big Data exerce poder gravitacional sobre aplicações, serviços, softwares, modelos de negócio e consumidores –, uma solução se tornará essencial a partir desta década: o edge computing. A estratégia que leva o processamento de dados para perto da fonte geradora atende a uma exigência inegociável de velocidade em tempos de novas tecnologias como o 5G e o IoT (internet das coisas). Estas inovações tendem a levar aplicações e serviços a ficarem mais próximos da origem do dado por necessidade de baixa latência e de alta taxa de transferência de dados. Mas por quê a velocidade no tempo de resposta virou fator crucial neste momento da indústria de TI? Desde os primeiros mainframes da década de 1970, verificou-se uma mudança na escala de relevância daquilo que torna o processamento de dados mais eficiente. No começo, a aposta era no potencial dos equipamentos. Depois, a capacidade de transmissão se tornou vital. Agora, é a conectividade quem define o sucesso da solução. Assim, tanto a internet das coisas quanto a nova banda de telefonia – e todo o universo de aplicações e soluções decorrentes de ambos – só serão efetivos em sua plenitude se puderem contar com networkings conectadas de forma eficiente, dispondo de elevadas taxas de transferência de dados e de respostas no menor tempo. Neste diálogo entre máquinas, as estratégias de processamento centralizados em cloud, por exemplo, não conseguem garantir a menor latência, seja por conta de eventuais fragilidades da infraestrutura de conectividade ou mesmo de oscilações na rede de transmissão. O edge computing surge, então, como um facilitador da alta velocidade requerida atualmente, ao levar o processamento para a borda, o que encurta a distância dado-processamento-resposta e evita os percalços da falta de conectividade. SAIBA MAIS: Ouça em nosso podcast greenTALKS o episódio sobre "Os Desafios da Conectividade Digital". Clique aqui.
Edge computing: solução ideal para o 5G?
jul de 2020
O anúncio da criação da tecnologia 5G pelos sul-coreanos em 2013 gerou uma enorme expectativa no mundo sobre os benefícios que esta nova banda larga - mais ampla e muito mais veloz - poderia oferecer para a vida das pessoas e das empresas. Afinal, trata-se de uma transmissão de dados com velocidade, de upload e download, entre 10 e 20 vezes superior ao 4G atual, o que diminui drasticamente a latência das respostas. Além disso, a rede 5G promete uma conexão de sinal mais estável e cobertura mais ampla, por utilizar melhor o espectro de rádio, permitindo que mais dispositivos estejam conectados ao mesmo tempo.
Edge computing
Na era da IoT, a velocidade é indispensável. O tempo é valioso. O processamento dos dados deve estar próximo da borda. Conheça melhor esse conceito.
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Cidades inteligentes
Câmeras, sensores, semáforos, celulares: dispositivos espalhados pelas cidades geram um enorme volume de dados. Como transformá-los em insights para uma gestão integrada, eficiente e inteligente?
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O planejamento urbano em transformação
mai de 2021
Em 1488, quando Leonardo Da Vinci iniciou a sua série de esboços que resultaria na obra Cidade Ideal, ele não imaginava o legado que deixaria a arquitetos e urbanistas cinco séculos depois, a respeito da relevância de se buscar um planejamento urbano adequado para resolver problemas estruturais e mitigar os impactos sofridos por quem vive nas grandes cidades. Os desenhos de Da Vinci carregavam conceitos absolutamente modernos: uso das melhores técnicas de construção disponíveis, sustentabilidade aplicada na prática e a percepção popular na elaboração das soluções. Cidade Ideal propunha uma Milão menos caótica, livre dos efeitos negativos de sua superpopulação (100 mil pessoas, na época), com falta de saneamento básico e imersa em epidemias. A visão do artista, que viveu ali por 17 anos, foi o ponto de partida da obra que, associada a sua genialidade como cientista e inventor, criou soluções passíveis de uso nos dias de hoje: arcadas nas fachadas do prédios para aumentar a iluminação natural e a circulação do ar; rede de canais de água em declive para ajudar na limpeza urbana. Quase meio milênio depois e estes requisitos – tecnologia, sustentabilidade e participação da sociedade – formam o tripé essencial para suportar a transformação positiva e necessária das áreas urbanas do planeta no século 21.
Smart Cities e a Indústria de TI - Episódio 15
abr de 2021
Como a tecnologia bem aplicada pode ajudar na administração do fluxo de pessoas nas áreas urbanas, na inteligência para a gestão pública e na melhoria da qualidade de vida das chamadas cidades inteligentes. Este é o tema do episódio 15 do podcast greenTALKS, com Carlos Morard, Diretor Internacional de Desenvolvimento de Negócios da green4T. Acompanhe. Fabiano Mazzei: Olá, seja muito bem vindo, seja muito bem vinda a mais um episódio do podcast greenTALKS. Este conteúdo está disponível nos nossos canais no Spotify, no YouTube, mídias sociais e também em nosso blog Insights. O tema deste podcast é “Smart Cities e a Indústria de TI”, onde vamos falar sobre a relação entre esses dois setores, sobre os drivers e as questões fundamentais que estão influenciando ambas as indústrias, sobretudo neste momento pós-pandemia, e o que as cidades precisam priorizar para estarem inseridas neste novo contexto. Para esta conversa, convidamos Carlos Morard que é Diretor Internacional de Desenvolvimento de Negócios da green4T. Ele está em Madrid, fala direto da Espanha, e de lá cuida de toda a nossa atuação na Europa, Norte da África e Ásia. Carlos, muito obrigado por aceitar o convite e por estar aqui conosco para conversar sobre este tema tão interessante. Carlos Morard: Obrigado você pelo convite. E vamos lá. Fabiano: Muito bem, vamos complementar então o nosso início de conversa. Falar um pouco sobre smart city e a noção que muita gente tem de que isso é um evento tecnológico, quando na verdade vai muito além disso. Eu gostaria de ouvir o seu comentário a esse respeito. Carlos: Sim. Obviamente associar a palavra “smart” remete a tecnologia e claramente à capacidade que a tecnologia tem para acelerar o processo de coleta de dados, análise de dados, de interconexão de dispositivos e pessoas. Tudo isso é super relevante e talvez seja a parte mais charmosa de tudo. Mas, por trás disso, temos um fenômeno humano que é fundamental e como já coloquei no início, é um fenômeno de urbanização, como nunca vimos na história da humanidade, em grandes dimensões. Por isso que Smart City tem três vetores fundamentais que compõem a abordagem a essa ilustre disciplina. O primeiro é atender a administração desse fluxo urbano para a cidades, onde os países emergentes têm 80% desse crescimento acelerando muito. A segunda questão desse processo de urbanização é a inteligência, que é como a tecnologia bem aplicada pode facilitar a vida dessas pessoas nas cidades – depois vamos abrir um parênteses para detalhar melhor isso. E a terceira questão é o impacto real, como alcançar o accountability (medição) deste impacto para entender se esse fenômeno é controlável e virtuoso, se tem riscos ou simplesmente é um processo que vai trazer no futuro mais prejuízos que benefícios ou mais benefícios que riscos. Então, crescimento urbano, inteligência para a gestão e a medição real do impacto são os três pontos chaves que compõem o big picture das smart cities. Fabiano: Entendi. Bem, ouvindo você mencionar estes três pontos, a gente pode entender que, nesse contexto de Covid, eles foram impactados também? Quais foram os drivers que precisaram passar por ajustes mais profundos com relação a esse contexto de pandemia? Carlos: Olha, a pandemia acho que, no contexto da evolução da indústria – e vamos deixar de lado o grande impacto humano – foi um grande alerta antecipado para voltar alguns passos para trás e entender que smart city tem que primeiro criar conceitos e infraestruturas básicas para não gerar uma concentração humana em áreas onde você não pode fazer o Crisis Management (gestão de crise) ocasionada por uma pandemia, uma queda de energia, uma queda generalizada de conectividade, entre tantas outras coisas. Fabiano: Um evento climático, né? Carlos: Pode ser um evento climático, mas quando você sai de uma densidade rural de cinco pessoas por quilômetro quadrado para uma densidade de 2 mil pessoas por quilômetro quadrado – e que, além disso, estão em movimento –, claramente você tem que incluir o conceito, uma palavrinha nova, que foi talvez o ponto chave do último congresso sobre a Smart Cities aqui na Europa em outubro do ano passado, que é o conceito de resiliência. É fundamental, como uma condição básica para que a cidade possa ser resiliente, que seja feito um mapa de riscos e um plano de gestão desses riscos. Tudo isso não estava nas prioridades dos congressos e da indústria – obviamente porque todo mundo quer falar de coisas agradáveis, não quer falar de tudo o que pode não dar certo pelos riscos. A indústria gosta de vender soluções para melhorar o que se chama de a "qualidade de vida" das pessoas. Então, na pandemia, por exemplo, uma questão concreta que mudou é o conceito de desenho das cidades, que estava muito orientado para um conceito de cidade monocêntrica, ou seja, uma grande cidade com toda a infraestrutura necessária concentrada. Isso mudou, como definição da indústria, para cidades policêntricas – ou seja, você não tem mais um cluster monocêntrico. Um bom exemplo, abordado no congresso de Paris, é a cidade de 15 minutos: você tem um monte de cidades de 15 minutos que fazem parte de um centro urbano, mudança impulsionada pela pandemia. Por quê? Porque senão você não pode gerenciar confinamentos cirúrgicos. Por exemplo, você não consegue confinar toda São Paulo, mas você pode medir e indicar que em determinado bairro você tem que fazer um confinamento cirúrgico, entendeu? Então, acho que a Covid foi um alerta adiantado para parar e voltar a pensar o que a gente faz como gestão de crise para não concentrar muito risco para as pessoas. Fabiano: Esse é um ponto muito interessante: você entender a cidade como um agrupamento de pequenos centros, para efeito de gestão – embora torne a coisa mais complexa também – mas ela torna a gestão muito mais eficiente nas cidades, não? Carlos: Muito mais eficiente. Mas é interessante trazer algumas medições porque, como eu falei no terceiro ponto, que é essa medição do impacto, nós temos aqui um estudo na Europa, que foi feito em 2018 com os primeiros valores que mostram a tendência atual. Por exemplo, nós temos aqui sete pontos de medição para entender as melhorias e a evolução da implantação de conceito de Smart City em áreas chaves, que depois a gente pode repassar. Mas os números mostram que, por exemplo, o tempo que um cidadão tem para fazer uma solicitação ao governo caiu entre 45% e 65%. O tempo de comutação entre tarefas de cidadãos caiu de 15% a 20%. Ou seja, a gente tem mais tempo para viver porque perdemos menos tempo fazendo coisas com o governo e menos tempo precisando interagir com outras pessoas. Na questão da segurança, com o foco nas fatalidades por problemas diversos na cidade, o tempo caiu entre 8% e 10%. O tempo de resposta a acidentes e problemas de segurança caiu entre 20% a 35%. Ou seja, ficou mais rápida a resposta ao cidadão. A questão da detecção e prevenção do crime tem melhoras, dependendo da cidade e da tipologia do crime, de 30% a 40%. E esse número, quando você estuda o que tem por trás dele, são aqueles crimes mais frequentes na cidade e não aquele crime sofisticado, mas tudo o que acontece nas ruas no dia a dia. Por outro lado, o custo de viver na cidade para o cidadão – por conta essas melhorias – caiu 3%. O emprego formal, graças a interação da tecnologia e a transformação digital, cresceu 3%. A conectividade social entre pessoas, ou seja, a participação cívica entre cidadãos dentro da sua comunidade melhorou ou aumentou 15% – e, dentro das áreas geográficas diversas, melhorou em 25% essa conectividade. E o impacto ambiental, em relação as emissões de gases de esfeito estufa, já está caindo na faixa de 10% (9,7%). O consumo de água foi melhorado em 35% e o tratamento de resíduos que podem ser reciclados melhorou 27%. E finalmente, a questão de saúde, a quantidade de pessoas que foram salvas por novas políticas que em outro contexto estariam mortas, deixando fora o efeito do Covid, melhorou entre 8% e 15%, dependendo da cidade que estamos olhando. Então, quando você vê esses números, você tem o ponto chave que é a smart city. A partir destes pontos de medição, conseguimos verificar como a gente pode administrar melhor o nosso tempo e gerenciar o impacto desse aumento da urbanização. Fabiano: Perfeito. Mas quando você menciona a medição e, portanto, o impacto desses fatores todos, a gente está falando de captação de dados, de tecnologia também, não é? Como é que você vê essa situação na Europa – dos investimentos em inteligência tecnológica aplicada às cidades – em relação aos mercados latinoamericanos ou propriamente o Brasil? Carlos: Bom, claramente, sem tecnologia você não pode começar a falar de smart city. Agora, como nós gostamos de falar sempre em nossa empresa há muito tempo, a tecnologia ela não é nem boa, nem ruim. Ela é fantástica quando faz parte de um bom plano, uma boa política, de estratégia – ou pode ser muito ruim. Mas por que a tecnologia pode ser muito ruim? Porque existe uma confusão quando você fala de "transformação digital". Todo mundo fala de transformação digital da empresa, do governo, das pessoas, mas a transformação digital não é usar um computador ligado à internet para automatizar um processo que antes você fazia manualmente. Por quê? Porque aquele processo que foi criado na função de negócio, gestão de governo ou qualquer outro, foi pensado para um contexto de interação de pessoa a pessoa, olho no olho, ou correio postal com correio postal. Então, quando você faz uma automatização com computador super veloz com 4G ou 5G, você na realidade está fazendo uma aceleração de um processo obsoleto, que traz mais prejuízos com tecnologia do que quando se faz manualmente, como foi desenhado originalmente. A transformação digital é criar novos processos a partir da tecnologia que temos hoje disponível, com uma arquitetura onde você pensa que as pessoas vão ter uma identidade digital, onde você vai ter que garantir níveis de segurança e de proteção de dados conforme necessário, e que você vai ter grandes bases de dados onde – com a aplicação de inteligência artificial – você vai conseguir trazer respostas que você não conseguiria imaginar na época em que era manual. Porém, transformação digital – e com isso concluo a resposta – é fundamental como uma política pública, onde o governo tem que balizar esse caminho para que as pessoas e as empresas privadas, por fora dos ciclos políticos, possam fazer investimentos para fazer essa transformação em toda a sua função de negócios e na sua vida pessoal. Fundamentalmente nas áreas das quais nós falamos de como equipar sua casa, de como pensar o transporte, como pensar que carro vai comprar, como olhar o futuro. Ou seja, políticas públicas tornam a tecnologia algo com que podem e estão interligadas e sincronizadas. Fabiano: Ok, perfeito. Você fala direto de Madrid e gostaria que você comentasse qual é o nosso interesse, a nossa participação ativa na região da Europa? Carlos: Bom, nós temos aqui duas missões muito claras. A primeira missão é que, clientes da Europa que estão de olho em fazer negócios na América Latina, podem ter de minha parte o primeiro nível de apoio para colaborar com a estratégia de como entrar no mercado da América Latina, apoiando-se na green4T para todas as suas necessidades. E a segunda missão, que é fundamental, é que nós aqui não estamos no dia a dia operacional da LATAM. Então, nós estamos focados em participar dos fóruns, em pesquisas, em detecção e medição de performances de novas soluções muito focadas em nossas áreas de competência no Brasil e na LATAM. Então, podemos falar que a minha participação aqui é estar olhando o futuro para que nossa empresa possa participar como um player world class da discussão da indústria do Smart City e, depois, classificar soluções, categorizar e priorizar para levar o melhor do mundo aos nossos clientes em nossa área de atuação. Fabiano: Perfeito, Carlos, para finalizar, já que falamos de futuro e estamos falando de cidades inteligentes, como é que você vê esse futuro de cidades inteligentes aqui no Brasil com seu olhar aí da Europa? Carlos: Olha, o Brasil, assim como a LATAM, diferente da Europa, tem uma diversidade cultural, geográfica e de negócios que é difícil falar como uma só coisa. Mas eu penso que o gestor público no Brasil, ele tem uma vocação de pensar e planejar o futuro muito bem orientado para a transformação. Porém, o fenômeno da urbanização não é uma opção, é uma questão para administrar. Eu acho que o gestor público no Brasil está olhando de perto isso, acho que as lições da pandemia estão trazendo também outros desafios. Eu vejo que depois da pandemia, com uma situação normal, vai iniciar um ciclo muito virtuoso de inovação, de criar soluções escaláveis e modulares nas áreas de transporte público e saúde, na detecção antecipada de riscos, gestão de crises e de medir tudo o que está acontecendo na cidade para depois ter um acervo de dados suficientes para imaginar soluções para melhorar o tempo das pessoas na cidade, a inteligência do transporte, a complementação pública ou privada. E finalmente, eu gostaria de colocar que não se tem smart city se o conceito de gestão da cidade não é do funcionário público para o cidadão, mas sim do gestor público com a participação do cidadão. E não tem smart city se não tem "cidadão inteligente" também, porém, esta é uma questão cultural que também tem de ser tocada. Fabiano: É uma questão da inclusão do cidadão exatamente na criação das políticas públicas. Isso é muito Smart City, né? Carlos: Exatamente. Fabiano: Muito bem. Eu preciso encerrar este podcast, infelizmente, então, gostaria de agradecer ao Carlos Morard que é o Diretor Internacional de Desenvolvimento de Negócios da green4T sobre toda essa conversa que tivemos agora e abrir para seus comentários finais. Carlos: Sou eu que agradeço. Um abraço para toda a comunidade das nossas mídias sociais, clientes e pessoas interessadas sobre esse grande desafio que temos que viver juntos. Fabiano: Muito bem, então é isso. Muito obrigado, Carlos. Eu espero que você também tenha gostado desse podcast, portanto, curta bastante. Compartilhe esse conteúdo e outros conteúdos relevantes sobre tecnologia publicados em nosso blog Insights, YouTube, em nossas mídias sociais e aqui no Spotify. Muito obrigado a todos e até o próximo episódio.
Mobilidade urbana em tempos de pandemia - Episódio 14
mar de 2021
Fabiano Mazzei: Olá, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda a mais um episódio do podcast greenTALKS. Este episódio, aliás, é muito relevante pelo momento que vivemos, porque se trata de um tema extremamente importante para a vida de todos nós: "Mobilidade urbana em tempos de pandemia". Para falar sobre isso, temos uma convidada muito especial: Eleonora Pazos, Head do escritório da UITP na América Latina – UITP que é a União Internacional dos Transportes Públicos – e a gente conversa com ela a partir de agora. Eleonora, muito obrigado por ter aceitado o convite e seja muito bem-vinda ao podcast. Eleonora Pazos: Obrigada, Fabiano! Quero realmente agradecer a green4T por este convite. De fato, é extremamente interessante poder estar aqui e compartilhar com vocês algumas coisas que a UITP vem fazendo. Fabiano: Muito bem, obrigado. Bem, voltando à pergunta inicial, quais são os impactos que a gente já pode detectar de tudo aquilo que aconteceu na mobilidade urbana no Brasil e no mundo? Eu sei que a UITP realizou dois estudos importantes sobre este tema em 2020, então, gostaria que você falasse um pouco do trabalho e destes estudos. Eleonora: Bem, deixa eu contar um pouco para quem não conhece o que é o trabalho da UITP. Como você disse no começo, é a União Internacional dos Transportes Públicos, presente em mais de 100 países, com mais de 1.300 organizações – tanto governamentais, autoridades públicas em todas as esferas, operadores de transporte (públicos e privados) de todos os sistemas urbanos e também uma participação da indústria do setor de provimento de serviços do mundo inteiro. Quando você fala dos estudos, a UITP utiliza muito essa ampla rede para realmente balizar o que a organização vem desenvolvendo. Voltando para a pergunta tão desafiadora, de fato, o impacto da pandemia nos sistemas de mobilidade foi muito severo. Ninguém considerava imaginar o que acabou acontecendo com estes sistemas de mobilidade. Primeiro, uma queda de circulação de pessoas nas cidades, algo universal e que aconteceu em todas as regiões do mundo. Obviamente, se a gente for falar de determinadas cidades no Brasil e de outros países em desenvolvimento, o impacto sempre é maior, até por questões econômicas e pela própria dinâmica dos lugares. Tivemos essa queda abrupta e que permanece até hoje. Acabei de receber um relatório de mais de 50 cidades do mundo todo referente a demanda de passageiros. Apesar de ter passado um ano da pandemia no mundo ocidental, de fato, a grande maioria dos sistemas ainda não recuperou a sua demanda, ficando abaixo dos 60% de ocupação. Obviamente, de semana a semana vemos uma variação conforme temos a segunda e a terceira onda, mas isso tem se mantido – a perda de passageiros – e no Brasil muito mais. Atrelado a isso, uma perda de receita muito forte com a suspensão de serviços em muitos países. Ao mesmo tempo, as cidades foram transformadas pelas "teles" – o teletrabalho, a tele-educação, a telemedicina, entre outros – e pelo comércio eletrônico. Voltando aos estudos, a UITP realizou dois após o início da pandemia para avaliar o que foi feito pelas cidades, o que ainda precisa ser realizado e quais as medidas mais bem-sucedidas que foram usadas para a recuperação das cidades. Falamos em tendências globais e, aqui no Brasil, sobre o desequilíbrio socioeconômico e a não circulação de pessoas gerando um impacto nos sistemas de transportes. A tipologia das cidades sendo alteradas pelos teles e algumas mudanças relacionadas a questão do novo estilo de vida que as pessoas provavelmente vão ter a partir de agora. Parâmetros de viagem que serão alterados com um repropósito: as pessoas costumam viajar para a escola, trabalho, universidade e isso tende a ser alterado. O re-timing, graças a flexibilidade de horário das pessoas, que não viajarão mais sempre às 7h da manhã e retornarão às 18h. E o repace: provavelmente viagens mais curtas, no entorno do passageiro, muito mais do que longas viagens diárias como as de trabalho. Claro que temos de fazer uma avaliação mais de longo prazo quando nos referimos ao Brasil. Evidentemente que as grandes cidades brasileiras vão demorar mais para se recuperar do que as pequenas, já que estas dependiam menos do transporte público e tinham uma quantidade de deslocamentos à pé e de bicicleta muito maior. Uma grande tendência também é o processo de digitalização do transporte. Da noite para o dia, passou a ser necessário a venda de créditos, de tickets por meio de mobiles, de vários devices, da transmissão de informações aos passageiros, enfim, uma digitalização do setor que já existia, mas que ficou muito mais acentuada por necessidade inclusive sanitária. Associado a isso, as tecnologias aplicadas à eficiência operacional dos transportes e ao gerenciamento de demanda, que vemos surgir como necessidade de controle da pandemia e também sanitárias. Então, toda essa inteligência do transporte público que sempre se falou e dos seus investimentos, deixam de ser apenas necessários para se tornarem obrigatórios por uma questão de sobrevivência do setor. Falando de padrão de mobilidade, vimos em alguns países uma tendência ao transporte individual, com aquele sentimento de receio em usar o transporte público – que ficou com uma imagem bastante abalada, muitas vezes sem motivo. Se disseminou muito a ideia de que o transporte público contamina e vimos que este efeito foi mais sentido na América do Norte e América Latina. Já na Europa foi ao contrário: cresceu o sentimento de que o transporte coletivo é saudável para as cidades e vai ajudar a recuperar o ambiente urbano a se tornar mais resistente à novas contaminações ou desequilíbrio por uma pandemia. Ao mesmo tempo, a questão de um aumento de modais alternativos, com os compartilhados ainda em cenário um pouco incerto, já que as pessoas estão com receio de compartilhar a carona – embora haja um sentimento em retomar esse tipo de transporte. Também um aumento no uso de bicicletas e uma tendência ao transporte ativo. Resumindo, o cenário é outro, a cidade é outra e o transporte vai precisar se preparar para uma nova realidade, sem dúvida nenhuma. Fabiano: Muito bem, uma boa análise inicial do tema. Nesta visão do transporte público, temos vistos cenas de lotação, com picos de uso aqui no Brasil. O que seria, então, o gerenciamento do pico de acesso do transporte público e que tipos de ações os governos e a iniciativa privada podem tomar para colaborar nesta questão? Eleonora: Vou resgatar o estudo que a UITP fez ano passado e que envolvia 32 organizações de todo o mundo. Fizemos uma análise do porquê o gerenciamento do transporte é uma política pública importante. Em pleno processo de pandemia, dividimos as cidades em três grupos: aquelas que nada fizeram porque acharam que tudo retomaria ao que era a qualquer momento; aquelas que reconheceram a mudança, mas não identificaram que tipo de política pública deveriam fazer (+60% das cidades); e quem já entendeu que tudo mudou e já partiu para a frente na elaboração das políticas, com investimentos em digitalização e na infraestrutura, em ações de governança para modelos de negócio que entendam que os sistemas estão muito vulneráveis e dependentes das receitas geradas pela demanda, em tecnologias verdes, muito menos impactantes como a eletrificação e no gerenciamento de demanda. Se buscarmos em documentos dos anos 1950, já se falava disso. Uma sugestão para que cada categoria profissional entrasse em um horário diferente no trabalho. Escritórios, fábricas, escolas, cada um no seu horário. Tudo isso na tentativa de amenizar o pico, buscando uma distribuição da demanda durante o dia, o que vai custar muito menos investimento em infraestrutura ou frota, além de benefícios nos custos operacionais. Mas era muito difícil obter esse escalonamento de horário amplo, seja como política pública, seja na imposição, sobretudo porque a grande maioria das viagens era em cadeia: a mãe que levava o filho na escola, que seguia para o trabalho e retornava para pegar o filho de volta antes de ir para casa. O que a gente vê hoje com essa nova dinâmica da vida das pessoas, com os teles sendo realidade, essa visão regulatória e de gerenciamento se torna muito mais real. Ou seja, amenizar aquela grande concentração de pessoas – o que requer políticas públicas –, é possível como é o caso de Milão. A cidade italiana implementou isso ao final de dezembro e tem funcionado. Claro, ainda com restrições, a cidade tem diversas restrições de funcionamento, mas o que a gente vê realmente é a unificação deste gerenciamento de demanda – tanto do ponto de vista operacional, como associado a outros investimentos em informações ao passageiro e sistemas de metrô com pré-booking: você reserva o horário que pretende ir e verifica a ocupação dos veículos para poder escolher qual está mais vazio. Essa flexibilidade na rotina das pessoas aliada a uma tecnologia que permita fazer, de fato, esse gerenciamento – estimulando as pessoas a se beneficiar disso – é o que a gente tem visto como uma das grandes tendências do transporte. Uma aliança entre a política pública, com as cidades intervindo e impondo regras; o investimento do operador, que vai ter de informar qual o melhor horário para você viajar; e a adaptação ao novo estilo de vida do cliente, que vai querer um transporte mais vazio e adequado a sua nova realidade. O gerenciamento de demanda veio para ficar, mas temos de falar um modelo de gerenciamento unificado de mobilidade. É algo fundamental para que a cidade funcione, com os operadores falando a mesma linguagem, com a mesma regulação. Essa unificação dos sistemas, que sempre foi determinante para o bom funcionamento do transporte público, começa a se tornar obrigatório se o setor quiser realmente sobreviver a longo prazo, principalmente em países em desenvolvimento como o Brasil. Fabiano: Muito interessante isso e nós vemos o quanto a gestão disso se tornará complexa. Poder público e iniciativa privada juntos, cada um com o seu papel. Eleonora: Sem dúvida, teremos que ter uma gestão pública muito clara do que quer para a cidade. Sem regras, cada um vai correr para um lado. O operador tem que seguir essas regras, mas naquele modelo unificado, que vai além da infraestrutura em si e passa pela questão de dados, por exemplo. Compartilhamento de dados: como vamos fazer essa gestão? Quem será o proprietário destes dados para compartilhar e conseguir obter esse gerenciamento único e essa oferta única de transporte? Temos de incluir a unificação dos pagamentos também. E isso nos aproxima das plataformas de Mobility as a Service, a mobilidade como serviço. Algo que parecia ficção científica há pouco tempo, que diziam que faltaria governança unificada do operador público e do privado, principalmente no Brasil, onde temos várias esferas de poder. Então, tem esse desafio. A partir do momento que conseguirmos unificar esses dados e criar regras para esse compartilhamento, para regulação, gerenciamento e controle disso, poderemos ter êxito. Mas este é um cenário que tem de ser trabalhado imediatamente, visto que está dependendo a sobrevida de nossos sistemas de transporte – deixando de lado a questão dos financiamentos. É esse o ponto que você tocou: a questão do público e do privado, todo mundo junto, e alguém regulando tudo isso. Fabiano: Então eu quero aproveitar o gancho que você deixou, a mobilidade como serviço – e eu gostaria que você comentasse este conceito – e como ele vai ajudar a melhorar a qualidade do transporte público nas cidades. Eleonora: A mobilidade como serviço é a unificação de um ecossistema totalmente aberto hoje, com operadores públicos e privados, de transporte de massa e individual – carros, bicicletas e táxis, por exemplo. A partir deste momento, com todo mundo em uma única plataforma, isso vai permitir que o cliente –eventualmente em um processo de dificuldade econômica e sem alternativa de transporte –, possa escolher qual a melhor combinação de modais. No entanto, já vimos antes no Brasil que em qualquer melhora da economia, temos uma queda muito grande no volume de passageiros. Mesmo no transporte público individual, como os táxis, vemos uma perda de passageiros que, muitas vezes, vai preferir se juntar em grupos para ter um serviço porta a porta. E temos de ver o que o nosso cliente quer: um serviço porta a porta, da maneira mais econômica e alguém que oferte isso numa única plataforma. Que consiga integrar informações em tempo real, meios de pagamento e todo o sistema de oferta de mobilidade da cidade: desde a bicicleta, o carro compartilhado, a vaga, se você vai fazer a sua principal distância no metrô ou de ônibus... Então, estamos falando de informação em tempo real e de todos os sistemas urbanos e meios de pagamento em uma única plataforma – com vários provedores públicos, privados, contratados, juntos e competindo em preço e qualidade de serviço em um lugar só. Esse vai ser o pulo do gato. Além de ter uma eficiência dos sistemas – e, talvez, os operadores tenham de reduzir os números agora para ganhar todos juntos ali na frente –, as cidades vão entender que deverão ter um marco regulatório bastante claro. É importante ter as regras do jogo para essa unificação funcionar. Fabiano: Dando continuidade, tudo isso vai demandar muita tecnologia já que estamos falando de geração de dados o tempo inteiro. Este será o papel da tecnologia no setor dos transportes de passageiros a partir de agora? Eleonora: Sem dúvida! Não é possível imaginar a sociedade sem tecnologia. Já falamos de 5G, blockchain, uma série de novas tecnologias que estão engatinhando no transporte público, mas a partir do momento que elas entrarem mais fortemente, não terá como reverter esse processo. Já o início da pandemia representou um salto para o setor de transporte na questão de investimentos em novas tecnologias. Da noite para o dia, as grandes cidades se viram literalmente obrigadas a fazer estes investimentos para poder manter a demanda mínima de passageiros, informando o status do serviço e meios de pagamento online, algo que não existia em muitos lugares. Se formos falar no ciclo inteiro: planejamento de transporte e grade operacional, isso é um mundo de tecnologia que, se não investirmos nessa eficiência no planejamento do transporte, seguramente vamos ter enormes desperdícios – o que não será mais aceito por ser uma questão de sobrevida do setor. Somado a novas soluções de mobilidade, que passa necessariamente pelo on demand, um meio de transporte quase porta a porta, onde se escolhe o local de embarque – com ensaios bem sucedidos no Brasil –, e que traga uma eficiência operacional muito grande. Depois disso, o famoso pricing, que seria a tarifação flutuante, algo que a gente ainda não explora, mas a tecnologia hoje já nos permite. Explorar a lei da oferta e demanda e regular os preços de acordo. O processo de digitalização muito forte, é outra etapa. E, para encerrar este ciclo, a informação ao passageiro, que é fundamental e que, agora, traz novos elementos que são as questões sanitárias e de lotação. Tínhamos exemplos disso em uso, inclusive na cidade de São Paulo, um sistema que indicava a lotação do metrô. Mas agora, a ideia é gerenciar a vontade do passageiro em estar ou não naquele meio de transporte. A informação se torna algo determinante neste momento por outras questões que não estavam sendo atendidas anteriormente. Fabiano: Toda essa conversa remete a um futuro que já começou a ser construído. Eu vou convidar você a viajar até 2050 e imaginar um mundo com 70% das pessoas morando nas cidades, conforme previsão da ONU. O que vai ser a mobilidade urbana em um mundo tão cheio de gente? Eleonora: Bem, se eu vou viajar mesmo e você vai me dar o direito de sonhar, primeiro eu sou muito otimista. E essas tendências aceleradas pela pandemia têm feito as pessoas repensarem a vida nas cidades. Então, espero que tenhamos mais espaços nas cidades. Claro, este sonho precisa de regulação e de estímulo econômico sobretudo para acontecer – ou a gente corre o risco de ser apenas uma visão futurista e chegaremos em 2050 e estarmos discutindo a mesma coisa. É preciso sair do plano da discussão e se tornar realidade. Tem a questão do verde. Termos cidades e os seus sistemas de transporte muito menos poluentes, menos agressivos ao meio ambiente. De fato, é uma questão predominante que a sociedade tem demandado. Eu costumo brincar dizendo que há 20 anos ninguém falava em mobilidade e o transporte era uma coisa que pouco entrava na agenda política: todo mundo falava de educação e saúde. Hoje, as autoridades, governos e candidatos já incluíram o tema na pauta. Então, como isso está na agenda da sociedade agora e estará nos próximos anos, eu desejo um transporte muito mais inclusivo ambientalmente. E da tecnologia ninguém escapa. Eu me lembro que 10 anos atrás, em uma conferência de bilhetagem, falavam sobre meios de pagamento por celular e alguém levantou a mão e disse que, como a maioria das sociedades é pobre – realmente, a penetração dos smartphones nas classes CDE era de 15% naquela época –, ninguém teria aquele tipo de aparelho porque era muito caro. E isso não se confirmou. O que vimos foi uma explosão dessas tecnologias. Muitas delas vieram para ficar e a democratização delas vai permitir a gente viva a experiência, de fato, de um transporte público mais eficiente. E, com isso, teremos uma sociedade mais diferente. A vida nas cidades com um padrão de mobilidade bem diferente do atual. Eu imagino que isso que estamos vivendo pelo segundo ano, de poder escolher os horários de viagem e não ter essa determinação rígida feita pelo sistema, vai permanecer. Então, em 2050, eu me imagino em um veículo elétrico, absolutamente silencioso, com baixas emissões de gases, em uma cidade muito mais limpa, escolhendo o horário em que eu vou viajar, uma viagem completa e unificada, que me permita escolher várias alternativas de transporte. Temos de começar a trabalhar hoje para alcançar isso, mas, de fato, eu gostaria de encontrar estes quatro blocos: a flexibilidade da viagem, veículos tecnológicos, meios de transporte mais limpos e uma total adequação à esta realidade que parece estar se perpetuando para os próximos anos. Fabiano: Muito bem! Então, o futuro da mobilidade tem de ser mais verde, mais eficiente e híbrido, com várias soluções integradas em uma plataforma só. E com muita alta tecnologia por trás, certo? Eleonora: Sim e teremos uma tecnologia espalhada pela sociedade, de uma forma muito mais inclusiva do que é hoje. E seguramente veremos isso mais rapidamente. Fabiano: Bem, Eleonora, muito obrigado. Infelizmente temos que terminar este podcast. Hoje falamos com Eleonora Pazos, Head do escritório da UITP na América Latina, sobre Mobilidade urbana em tempos de pandemia. Eleonora, muito obrigado pela entrevista e por nos ajudar a entender um pouco melhor sobre o impacto de tudo isso que está acontecendo em especial na mobilidade urbana. Eleonora: Muito obrigado, foi realmente muito divertido. Fabiano: Então é isso, espero que você também tenha gostado deste podcast, curta bastante e compartilhe este e outros conteúdos relevantes sobre soluções de tecnologia e infraestrutura digital que postamos no blog INSIGHTS, no site da green4T, e também em nossas mídias sociais. Muito obrigado e até o próximo episódio!
Tecnologias digitais no combate às mudanças climáticas
set de 2021
Na abertura da 76ª Assembleia Geral da ONU, dia 21 de setembro, em Nova York, o Secretário-Geral da entidade, António Guterres, destacou a tecnologia como um dos vetores essenciais de transformação do futuro do planeta pós-Covid. Segundo ele, é absolutamente necessário, por exemplo, que o acesso à internet seja amplificado, chegando a todos os povos até 2030 – a fim de permitir o desenvolvimento sustentável das nações mais vulneráveis. Ao chamar a atenção para a questão da expansão da conectividade, Guterres trouxe também aos holofotes a discussão sobre o papel das tecnologias digitais no enfrentamento dos desafios do mundo depois da pandemia. Dentre as grandes e mais emergenciais tarefas para os próximos anos está a mitigação dos efeitos adversos das mudanças climáticas, diante das quais a tecnologia tem imensa contribuição a dar. Guterres pediu aos 193 chefes de Estado reunidos no encontro que fossem mais audaciosos em suas medidas e estratégias de contenção das emissões de gases do efeito estufa. Ele sugeriu ainda criação de mais empregos "verdes" ligados à sustentabilidade e economia circular, o fim dos subsídios para os combustíveis fósseis e a tributação de empresas poluentes. "Nós devemos levar isso a sério e devemos agir rápido", declarou ele na plenária. Ouça o podcast greenTALKS "Os desafios da conectividade digital", com o Prof. Edelvício Souza Júnior. O sentido de urgência de Guterres encontra eco ainda no relatório "Climate Change 2021: The Physical Science Basis", do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), publicado em agosto. Pelo estudo, a temperatura média da Terra já se elevou em 1,1ºC desde o período pré-industrial, no século 19, em razão da atividade humana e precisa ter o seu ritmo desacelerado. Confiante, ele disse ainda ser possível que as nações reduzam em 50% todas as emissões de carbono até 2030, bem como a sua completa eliminação até a metade deste século. E mencionou estarmos próximos de efetivar um fundo anual de US$ 100 bilhões para ajudar os países mais vulneráveis a mitigar os impactos do aquecimento global.
Por que é tão importante investir na eficiência energética dos data centers?
ago de 2021
Em junho passado, autoridades irlandesas emitiram um alerta quanto ao risco de apagões de energia no país caso o aumento expressivo do consumo de eletricidade por parte dos data centers locais não fosse controlado. Com 70 parques de processamento de dados instalados, o setor na Irlanda já abocanha 11% de todo o grid gerado, um percentual que deve chegar a 29% até 2028, segundo pesquisa da EirGrid, a operadora do sistema elétrico local. O episódio é simbólico. Evidencia o crescimento do setor de data centers na Europa e em todo mundo para suportar negócios, empresas e pessoas nesta nova era digital. Ele traz à tona também a questão do consumo de eletricidade dos centros de processamento de dados, que podem ser melhor gerenciados do ponto de vista dos gastos energéticos, sem prejuízo à performance e com a devida diminuição de seu impacto no meio ambiente. Mais do que o desafio, há uma excelente oportunidade a ser aproveitada por toda a indústria de TI e demais setores relacionados no sentido do alinhamento às práticas ESG (Enviroment, Social and Governance). Atuar com transparência, de maneira firme na busca pela redução da pegada de carbono das infraestruturas e da mitigação dos reflexos socioambientais das atividades. Para tanto, é preciso empreender uma jornada de eficiência energética, com a implementação de um conjunto de medidas operacionais que possam garantir faturamento em ascensão com respeito absoluto ao enviroment natural. Iniciar este processo implicará na revogação de antigas crenças por parte dos líderes de infraestrutura e operações (I&O) das empresas em favor de novas soluções que atuem de forma mais assertiva sobre o tema. Este é um direcionamento que, aliás, deve ser tomado com rapidez: o mundo econômico passará a tolerar cada vez menos as companhias que não mantenham sob controle as emissões de carbono em toda a sua cadeia de produção, em razão do impacto disso no aquecimento global. O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas - IPCC 2021, da ONU, apresentado em agosto, reforça este posicionamento. O estudo revelou que os níveis de gás carbônico (CO2) na atmosfera em 2019 foram os maiores em 2 milhões de anos. Já a concentração de gás metano (CH4) foi recorde em relação aos últimos 800 mil anos. Em ambos os casos, a atividade humana foi apontada pelos pesquisadores como a responsável direta por tais resultados, que assombraram as salas de CEOs e presidentes de companhias mundo afora. Portanto, é hora de agir. No que tange ao setor de TI, o foco principal é potencializar a eficiência energética dos data centers e de toda a infraestrutura a eles associada. Segundo estimativa da agência de energia da Dinamarca, o crescimento previsto dos gastos com eletricidade nos centros de dados e ativos de telecomunicação pode chegar a 15% do consumo global de energia elétrica em apenas uma década, o que torna mandatória a busca por melhorias na gestão deste recurso, bem como estimular fontes renováveis e limpas, para que possam ser utilizadas já no curto prazo.
Como a tecnologia pode ajudar o planeta?
mai de 2021
A recente Cúpula do Clima convocada pelos Estados Unidos no final de abril, cobrou das grandes potências econômicas mundiais ações mais efetivas nas próximas três décadas visando a redução real das emissões de gases do efeito estufa (GEE), com o objetivo de controlar o aquecimento global em 1,5ºC até 2050. Em meio a discursos, promessas e anúncios importantes, o evento deixou um alerta bastante claro: é preciso acelerar a transformação sustentável dos processos produtivos, da matriz energética dos países e do próprio modo de vida da sociedade, para que se viabilize o equilíbrio entre a existência humana e a preservação do planeta. O assunto é a agenda prioritária mundial deste século no pós-pandemia e envolve todos os setores da economia: de fabricantes de carros a produtores agrícolas; da indústria têxtil aos gigantes da internet. Mexe, sobretudo, com o setor energético, cuja reinvenção é crucial para o sucesso de uma missão que coloca todas empresas sob a mesma bandeira: a da longevidade econômica. Leia mais em: A transformação digital da indústria de óleo e gás Em linhas gerais, a combinação de produtividade com baixo impacto ambiental, o controle mais rigoroso sobre o consumo de recursos naturais e a inauguração de um novo jeito de viver das pessoas deve contribuir na diminuição dos efeitos das mudanças climáticas que estão porvir. Trata-se, portanto, de uma corrida contra o relógio ambiental cujos ponteiros não podem ser simplesmente parados. É possível, no entanto, que se desacelere o ritmo e se diminua o impacto dos acontecimentos. Para isso, é fundamental se criar uma consciência situacional antecipada, que permita a tomada de decisão de forma mais assertiva para a implantação de estratégias inteligentes e ágeis de mitigação. Neste contexto, um dos agentes mais habilitados a colaborar com governantes, empresas e sociedade é a tecnologia.
Sustentabilidade & Eficiência energética
No modelo atual, a infraestrutura de TI será, até 2025, responsável por 1/5 do uso global de energia. Precisamos ter uma mudança de paradigma com relação ao consumo energético de data centers.
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Infraestrutura Digital
Com a transformação digital, armazenar e processar dados para extrair informações é vital para as organizações. Data centers são a infraestrutura onde esse processo acontece.
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Como a internet das coisas pode ajudar no crescimento das empresas? – Episódio 23
set de 2021
Um dos carros-chefe da transformação digital das empresas e cidades, o IoT tem mudado processos produtivos, modelos de negócio e a maneira como as pessoas vivem, trabalham e se relacionam com o ambiente. São bilhões de dispositivos conectados à internet aplicados à indústria 4.0, ao agronegócio e ao setor de serviços, entregando ganhos na produtividade, redução dos custos operacionais e melhorias na gestão. "Mais do que uma plataforma tecnológica, o IoT já é visto por executivos sêniors como uma das cinco tecnologias 'game changing', daquelas capazes de mudar o mundo por criar novas fontes de dados", avalia Alan Baldo, Gerente Executivo de Tecnologia da green4T. Entenda melhor a seguir no 23º episódio do podcast greenTALKS, "Como a internet das coisas pode ajudar no crescimento das empresas?". Fabiano Mazzei: Olá, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda a mais um episódio do podcast do greenTalks. Esta que já é a 23ª edição do nosso podcast e eu lembro a você que este conteúdo está disponível também no canal de green4T no YouTube, no nosso blog INSIGHTS e também no Spotify. Vamos falar hoje sobre "Como a internet das coisas pode ajudar no crescimento das empresas?". O "IoT" é uma tecnologia relativamente nova que vem remodelando processos produtivos, modelos de negócios, a gestão de empresas e cidades, e o modo como as pessoas interagem com ambos. Para falar sobre esse assunto, nós convidamos o Alan Baldo, Gerente Executivo de Tecnologia da green4T. Muito obrigado por aceitar o convite e seja bem-vindo ao podcast. Alan Baldo: Eu que agradeço, é muito bom falar de temas pelos quais somos apaixonados. Fabiano: Vamos lá então, Alan, explique como funciona um ecossistema de IoT para as pessoas que estão ouvindo a gente. Alan: O IoT – ou Internet of Things, a 'Internet das Coisas' – define as tecnologias que compreendem sensores e dispositivos conectados a internet onde são captados, processados e analisados os dados em tempo real. As soluções de IoT resolvem problemas organizacionais e ajudam a criar valor por meio da aplicação de tecnologias integradas. Elas compreendem a integração adequada especialmente de sensores com muitas outras tecnologias, dentre as quais podemos incluir as baterias, que são muito importantes para o funcionamento das soluções de IoT, computadores, redes de comunicação, plataformas de armazenamento e análise de dados, permitindo a criação de aplicações de negócio. O resultado final esperado é sempre uma aplicação de negócios para resolver algum desafio organizacional, de cidades e das pessoas. São mais do que apenas um conjunto de componentes tecnológicos, pois elas endereçam diferentes tarefas do ecossistema com eficiência, disponibilidade e sustentabilidade. Em linhas gerais, nós enxergamos as soluções de IoT separadas e distribuídas dentro da realidade. Então, se você pega um ambiente empresarial onde temos plantas espalhadas na geografia, parte dos componentes das soluções estão mais próximos ou na borda – o que a gente chama de edge computing – que vão suportar decisões locais. Partes desses componentes estão na nuvem (cloud computing), que vão suportar as decisões sistêmicas. No final dessa cadeia, temos as aplicações de negócio que vão se associar e facilitar as decisões corporativas e estratégicas. Fabiano: Perfeito. Deu pra entender de forma bastante clara como funciona toda essa arquitetura. Transportando isso, então, para a realidade das empresas, de que forma a 'Internet das Coisas' pode ajudar no crescimento das empresas? Alan: Isso é muito importante destacar: quais são os benefícios principais que as empresas têm a extrair do valor e retorno dos investimentos feitos nessas nesses projetos nas construções das plataformas. O uso do IoT nas empresas proporciona ganhos de produtividade reduções de custos operacionais como, por exemplo, o crescimento dos resultados que são proporcionados por meio de estratégias de negócio mais assertivas, baseadas em dados fornecidos por um ecossistema de sensores em tempo real. São dados mais relevantes, mais recentes, mais atuais. Há o ganho da eficiência energética em todas as áreas da companhia, também pelo uso de sensores inteligentes, que podem ser aplicados na melhoria da gestão desses recursos: energia elétrica, água, combustíveis e dos sistemas que consomem e que necessitam desses recursos para funcionar bem. Então, sistemas de aquecimento, de refrigeração, de ventilação, os sistemas mecânicos, máquinas e equipamentos em geral – através do uso dos sensores inteligentes – consegue-se obter um ganho de eficiência energética que é tão importante atualmente. Nós temos também um ponto importante que é a redução do risco de interrupção da produção ou a perda de produção ou a interrupção do negócio, obtido através de um trabalho preventivo e preditivo do uso dos sensores e dos dados transformados em inteligência aplicados ao monitoramento 24x7x365 de todos os equipamentos, artefatos e insumos utilizados na produção. Então, através da coleta desses dados, é possível criar-se modelos preditivos, de forecast, com o uso de inteligência artificial, que vai ajudar a responder à seguinte pergunta de negócio: quanto tempo eu tenho até a próxima falha de um determinado equipamento? Isso tem um ganho muito importante tanto na redução de custo da manutenção, quanto da perda de produção e permite você planejar com antecedência toda sua cadeia para executar a manutenção. O aumento de produtividade a partir do aprimoramento e da automação dos processos produtivos, quando se tem as informações mais prontas e analisadas. Eventualmente, a criação de novas fontes de receitas por conta de inovações nos modelos de negócios e serviços. Vamos pegar um exemplo aqui: imagine um negócio onde você a principal operação seja de carga e descarga em um porto ou em um terminal. Através da coleta de dados de utilização de filas de ocupação, você começa a poder permitir que os navios, as carretas e/ou os trens contem com outros serviços de manutenção, de acompanhamento de medição enquanto esses assets, esses equipamentos estão parados, esperando numa fila. Esse tipo de informação permite reduzir o tempo de inatividade de cada um desses equipamentos, combinando novos serviços no seu próprio modelo de negócio. Hoje você tem um business principal associado com carga e descarga, e você passa a oferecer novos serviços, criando novas fontes de receitas. Já a otimização em tempo real dos processos, ao aplicar os modelos e os algoritmos habilitados para essas novas fontes de dados em grande volume, trazem mais inteligência para as tomadas de decisão da gestão e da execução da estratégia. Fabiano: Ficou bem claro nestas verticais que você acabou de mencionar porque essa revolução toda tem acontecido a partir do IoT. Agora falando do mercado, como é que isso tem se desenvolvido no mundo e quais setores você acha que se beneficiam mais da nova tecnologia de IoT? Alan: Legal, muito bom, é interessante a gente entender a aplicação mais específica do IoT. Então, deixa eu trazer um pouco de contexto: segundo os analistas, os executivos seniores já consideram o IoT como uma das cinco tecnologias para mudar o jogo, "game changing", por conta da sua capacidade de criar as novas fontes de dados. Tem sido repetitivo dizer que o dado é 'o novo petróleo', porque ele realmente fornece muitas oportunidades. Com as atualizações de desempenho em tempo real, permite-se a criação de novas propostas de valor por conta da relevância e a idade dessas informações: é tudo muito atual. As organizações que implementam o IoT estão cada vez mais se concentrando nos resultados de negócio que essa tecnologia traz, não mais apenas orientados ao único propósito da melhoria operacional interno e a redução de custos. Então, sim, o IoT já é uma ferramenta empresarial para mudar o posicionamento das empresas. Voltando para a sua pergunta original, os setores econômicos que mais têm se beneficiado estão em torno da indústria, dos serviços e do agronegócio. Para citar um tipo de aplicação mais madura que se beneficia desse tipo de tecnologia, podemos falar de todas aquelas associadas aos carros conectados. Isso teve início há um bom tempo e trouxe maturidade para esse tipo de aplicação. A questão de logística, de redução de acidentes e do aumento de eficiência para permitir você ter uma receita mais previsível, inclusive por conta da sua cadeia logística estar mais conectada e você ter acesso a todas essas informações. Dos veículos de passeio até os caminhões de comboio autônomos, passando pela robotização nos processos de controle de entrada e saída de despachos nos centros de distribuição e até máquinas agrícolas, temos uma grande variedade de exemplos de aplicações de carros conectados. Se a gente combinar esse tipo de tecnologia com Blockchain, por exemplo, especialmente no formato de contratos inteligentes ou smart contracts, você começa a ver investigação e aplicação especialmente associada à rastreabilidade de ponta a ponta da produção. Um exemplo simples e interessante: imagine que haja uma carga que precisa ser transportada a - 10ºC graus, de grande valor e com seguro. Por meio de um smart contract, ele permite a execução de uma cláusula dessa apólice caso um sensor detecte que, durante o transporte, a temperatura ultrapassou essa temperatura máxima aceitável. De forma automática e automatizada, consegue-se todo esse controle estabelecido e a execução desses processos de negócio de forma autônoma. Tem muita relação o uso de Blockchain para esse tipo de aplicação. Além dos desafios de conectividade de áreas de sombra, também existem alguns outros desafios regulatórios e de conformidade a serem vencidos, então, é um momento emocionante para quem pode influenciar e participar dessas decisões. No caso da indústria, temos a "indústria 4.0" como um grande movimento que depende, sim, do uso de IoT para poder executar e realizar a evolução e os planejamentos da estratégia de conectar todas as etapas da cadeia produtiva. No caso do setor de serviços, você consegue uma tomada de decisão mais assertiva por meio do uso dos dados gerados no IoT. No agronegócio, presenciamos uma verdadeira revolução, onde se tem agregado novas fontes de dados, seja do mercado de commodities, da previsão meteorológica, da medição da condição do solo, da umidade, para decidir o melhor dia de semear, colher e assim por diante. Resumindo: indústria, serviços e o agronegócio são os setores que têm mais se beneficiado através desse tipo de solução. E só para fechar, tem um outro tema que está muito na vanguarda que tem a ver com o uso de tags, das etiquetas sensorizadas de IoT usadas em larga escala. E, para isso, a gente precisa de tecnologia de bateria que seja muito eficiente, que seja diferenciada. Então, existe uma linha de pesquisa associada com a colheita energética, numa tradução mais literal, onde você tem o uso das telas de baixíssimo custo para atingir uma escala muito grande sem a necessidade de baterias. O que eu estou querendo dizer? Imagine uma etiqueta colada em algum produto que é de consumo rápido, uma caixa de leite, por exemplo, onde essa etiqueta ela vai conseguir colher energia que está no ar e, por meio das redes de Wi-Fi e Bluetooth, emitir um sinal de um evento importante: uma expiração de prazo de validade do produto ou sobre a temperatura que ultrapassou o limite aceitável ou até mesmo notificar quando o cliente abriu aquela caixa de leite pela primeira vez. Então, já dá para imaginar o tipo de aplicação que a gente está vislumbrando para o futuro. Fabiano: Perfeito, Alan. Olhando para as cidades agora, que aplicações de IoT você vê com mais recorrentes? Alan: Muito interessante, Fabiano, porque existe sim alguma recorrência, mas é muito importante lembrar que cada cidade tem o seu próprio desafio. Então, é muito raro você ter a mesma solução sendo replicada de uma cidade para outra. O que a gente enxerga é o modelo de governança de forma a conduzir esse tipo de iniciativa para mitigar impactos e alcançar o sucesso, algo que eu vou falar já na sequência. Mas os principais temas estão relacionados especialmente com a segurança pública, é um tema que a gente vê com mais recorrência. Quanto a parte de iluminação inteligente, começou quando houve o início da popularização da tecnologia de iluminação LED. Na mobilidade urbana está extremamente em voga, muito importante e cada vez mais relevante. E no próprio gerenciamento de recursos: saber como conduzir a utilização dos recursos de energia elétrica, de consumo de água, de gás e assim por diante. Os temas mais recorrentes estão em torno desses destes aspectos, relembrando que cada cidade tem seu próprio desafio. Na parte de segurança pública, temos visto a utilização de câmeras associadas a outros sensores, combinadas com tecnologias como reconhecimento facial, que permitem que você consiga criar um tempo de resposta totalmente diferenciado do que nós estamos acostumados como cidadãos para eventos específicos. E, ao combinar esse tipo de aplicação com a análise de sentimentos postados em redes sociais, por exemplo, a gente consegue antecipar eventos que poderiam se transformar em um uma situação de crime, evitando que aconteça. Não é como no filme Minority Report (2002), mas tem um exemplo na Europa onde foi feito um estudo piloto muito interessante. Em uma cidade da Holanda, com uma rua de vida noturna muito agitada, sempre ocorriam eventos como arruaças, brigas, por conta do próprio ambiente. Então, ao combinar as imagens de câmeras de segurança das ruas com análise de sentimento em redes sociais e a análise de ruídos, foi possível conectar os intervenientes da cidade e a força policial, bem como os próprios comerciantes daquela rua, criando um impacto no comportamento das pessoas. Não apenas obteve-se um tempo de resposta mais rápido, mas também começou-se a evitar esse tipo de situação, porque os usuários daquele ambiente já sabiam que estavam sendo monitorados. Um outro exemplo interessante da iluminação inteligente tem a ver com aquele fator de sucesso que eu comentei. É muito importante ter múltiplos parceiros de negócio para criar oportunidades onde o poder público e a iniciativa privada consigam explorar, trazer redução de custo e gerar novas fontes de receitas. Então, imagine uma cidade que quer trocar a iluminação tradicional por LED. Quando essa tecnologia começou, era muito caro para a cidade custear sozinha e esperar o tempo de retorno desse investimento. Então, foi criado um ambiente onde um fornecedor trouxe as lâmpadas, outro os equipamentos, e lhes deram o direito de instalar sensores em cada um desses postes para poder explorar os dados naquele ambiente. Uma das aplicações que foi criada foi a partir disso foi um app sobre a disponibilidade de vagas de estacionamento nas ruas, automatizando os parquímetros e evitando deixar o motorista dando voltas no bairro a procura de um espaço para estacionar. Acho que ficou um pouco claro como a gente tem de considerar todos os intervenientes para garantir o sucesso dessas iniciativas quando a gente fala de IoT nas cidades. Fabiano: Perfeito, acho que são exemplos fantásticos que você trouxe aqui para gente e eu vou aproveitar e explorar um pouco mais este tema, trazendo um contexto bem atual que tem sido esses casos de ataques ao sistema bancário em cidades do interior de São Paulo. O IoT pode ser muito importante nessa criação de muralhas digitais, que é um tema também muito presente nos dias de hoje, Alan, o que você acha disso? Alan: Sim, sem dúvida, você adicionar novas fontes de dados e equipar as suas instituições com inteligência necessária para fazer uso dessas informações é um caminho para a prevenção e supressão, como aquele exemplo da cidade europeia. Quando esse criminoso que tem por fonte de receita explodir um caixa eletrônico descobre que os sites estão sendo monitorados e fornecendo dados em tempo real, levando a um tempo de resposta diferenciado, isso acaba suprimindo esse tipo de ação. Então, de forma prática, a gente combinar a análise de vídeo com outros tipos de sensores, de movimento, consegue-se detectar anomalias no padrão de consumo e de trânsito. Esse tipo de coisa pode gerar, então, as condições para você ter um alerta e um monitoramento mais assertivo. Fabiano: Muito bom. Bem, vamos encerrar, mas antes da última pergunta. Eu queria que você fizesse uma análise das próximas tendências do IoT para 2022 e para os próximos anos. No que a gente deve prestar mais atenção na sua opinião? Alan: Muito bom. Eu queria trazer uns números para a gente ter uma ideia do que representa a adoção e o investimento em IoT para a humanidade. Então, nós temos estimativas de que até 2025 nós teremos mais de 55 bilhões de coisas conectadas à internet no nosso planeta (Fonte: IDC). Então, as "coisas" são sensores, não só os smartphones, mas equipamentos conectados mesmo. Desses 55 bilhões, 75% já estarão ligados a uma plataforma IoT, ou seja, nós já teremos a possibilidade de fazer análise desses dados produzidos, transformando isso em informação e permitindo finalmente ter inteligência, produzindo insights para a tomada de decisões de forma mais assertiva. Tudo isso deve gerar um volume de 175 zettabytes de dados. Para se ter uma ideia, 1 terabyte, que é algo já um pouco mais usual, representa 10 elevado a 12. Um zettabyte é 10 elevado a 21! Então, é muita informação trafegando, tem muita oportunidade, tem bastante complexidade para você conseguir gerenciar tudo isso. Estima-se que os investimentos de IoT chegarão a 202 bilhões de euros neste ano só na Europa, e vão continuar experimentando um crescimento de dois dígitos até 2025. Quer dizer, é uma enorme oportunidade para transformar o modo de como vivemos e fazemos negócios. O impacto econômico de IoT na economia mundial deve ser da ordem entre US$ 4 trilhões e US$ 11 trilhões. Agora, poxa, é muita coisa acontecendo, não é? Onde a gente deve ficar mais atento? Veja, temos as aplicações de prédios inteligentes que estão cada vez mais relevantes porque os condomínios são grandes consumidores dos recursos naturais: energia elétrica, água e assim por diante. Então, é como uma miniatura de uma cidade. Podemos enxergar dessa forma as aplicações em saúde, que ganharam muita relevância não só por conta da pandemia, mas pelo desdobramento do desenvolvimento de novos sensores. Então, você tem como ter sinais vitais e outros tipos de informação de uma forma muito mais ágil e conectar isso a uma plataforma de IoT que permitirá estudos e respostas muito mais rápidas. A parte de manufatura ou Indústria 4.0 continua como um tema muito relevante, especialmente com o amadurecimento da abordagem digital twins, que são os 'gêmeos digitais': um modelo 3D virtual da sua produção que permite simular impactos de uma possível mudança tanto para melhorar uma velocidade em uma taxa produtiva – e ver o impacto disso na sua qualidade –, quanto você fazer um ajuste de layout e perceber se houve ou não redução de custo, sem ter que mexer em nenhuma máquina na sua planta. Então, o digital twins são muito relevantes, estão maduros e a gente já vê a necessidade de se pensar em governança desses modelos. O setor de Óleo e Gás também, cada vez mais se beneficiando e trazendo inovações baseadas em IoT. Não só pelo caso óbvio, de ter sensor para detectar vazamentos, evitando que você tenha um gasto e um desastre ecológico. É preciso fazer uma ronda em todo um oleoduto para perceber as tendências de que pode haver uma ruptura por conta de variações de ruído, de pressão, etc. E por fim, superimportante, é a parte do Agronegócio – não só pela vocação do Brasil para esse tema, mas porque tem se feito muitos investimentos, especialmente em educação, com o produtor cada vez mais preparado para aplicar a tecnologia no seu próprio negócio, de forma que ele consiga maximizar a produção e garantir a qualidade da sua própria terra, com reflexos positivos na produção e no valor dos seus produtos. Para resumir, vemos números superlativos tanto no crescimento de itens conectados, quanto na quantidade de dinheiro movimentado por esse tipo de tecnologia e esse tipo de mercado. E a gente tem visto aplicações já bem maduras nos prédios inteligentes, nos serviços de saúde e nas ciências da vida, na indústria, no setor de óleo e gás, e na agricultura. Fabiano: Perfeito, maravilha, ficou incrível. Essa conversa renderia muito mais tempo, mas a gente infelizmente tem que encerrar esse episódio, mas já fica o convite para você voltar aqui mais vezes. Hoje a gente conversou com o Alan Baldo que é Gerente Executivo de Tecnologia da green4T para falar sobre "Como a internet das coisas pode ajudar no crescimento das empresas?". Mais uma vez obrigado, foi um prazer e espero você novamente aqui no greenTALKS. Alan: Eu que agradeço, conte comigo. Adoro falar de tecnologia. Eu sou apaixonado por transformar ideias incríveis em realidade e usar a tecnologia e a inovação como ferramenta para isso, ajudar os negócios a se manterem de maneira cada vez mais relevante. É isso que nos motiva. Fabiano: Perfeito, então é isso, se você gostou deste episódio, curta, compartilhe e também siga o nosso canal no YouTube e as nossas redes sociais – sempre com muito conteúdo relevante sobre tecnologia. Muito obrigado pela audiência e até a próxima.
Por que é a hora de investir na alta disponibilidade dos ambientes de TI ?
ago de 2021
Em 2020, a economia digital representou cerca de 44% do PIB mundial: um total de US$ 32,6 trilhões, alta de 3% em relação ao ano anterior. Este resultado, anunciado durante a Conferência de Economia Digital Global, realizada na China no início de agosto, não deixa dúvida sobre o tamanho – e a importância – dos negócios impulsionados pelas novas tecnologias na economia dos países neste início do século 21. O que está em marcha é uma irreversível transformação digital das empresas e organizações que passaram a incorporar a internet, dispositivos conectados e inovação tecnológica em seus processos produtivos, na comercialização e na prestação de serviços, criando no mercado e na sociedade novas formas de consumir, viver e trabalhar. As pessoas estão mais online: trabalham de casa, compram pelos smartphones, deslocam-se por aplicativos e cuidam da saúde via teleatendimento. As companhias estão mais conectadas, realizam negócios digitalmente e usam dados para melhorar o próprio gerenciamento. As cidades estão mais inteligentes, com serviços públicos orientados por informações coletadas por sensores e satélites. E tudo isso faz a economia girar, atraindo a atenção das nações neste momento de renascimento econômico. De fato, as grandes economias do mundo têm depositado as suas fichas neste movimento rumo aos negócios ancorados em tecnologia. Estados Unidos, China, Alemanha, Reino Unido e Japão são os países que mais investem e aceleram nesta jornada. Na mesma dimensão, agiganta-se a pressão sobre toda a cadeia da indústria e serviços de TI, backbone da transformação digital da economia 4.0. A dependência do processamento de dados para desenvolver produtos, melhorar o atendimento aos clientes e/ou dar mais eficiência à gestão empresarial pressiona as companhias do setor para que ofereçam garantias quanto ao funcionamento adequado de toda essa retaguarda tecnológica. Um contexto de imensa responsabilidade que coloca no centro do debate a importância de se contar com infraestruturas de TI altamente disponíveis, a fim de suportar a imensa demanda de trabalho gerada pela era data centric.
Como dar mais eficiência e qualidade na gestão da infraestrutura de TI das empresas - Episódio 22
ago de 2021
A aceleração digital tornou a área de TI das empresas um setor absolutamente estratégico, cada vez mais focada no desenvolvimento do negócio – e com menos tempo para dar conta de tantas novas tecnologias que têm sido incorporadas ao processo produtivo e de gestão. Por isso, é essencial que os líderes de operações e CIOs busquem dar mais performance e a máxima disponibilidade às suas infraestruturas de TI – uma tarefa gerencial que pode trazer resultados ainda mais positivos se estiver nas mãos certas. Este é o tema do 22º episódio do podcast greenTALKS, com Fabio Moro, Gerente Executivo de Soluções da green4T. Acompanhe a entrevista a seguir, conduzida pelo jornalista Fabiano Mazzei. Fabiano: Olá, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda a mais um episódio do podcast do greenTalks. Lembrando a você que este conteúdo está disponível também no canal de green4T no YouTube, no nosso blog Insights e também aqui é claro no Spotify. Vamos falar hoje sobre "Como dar mais eficiência e qualidade na gestão da infra estrutura de TI das empresas". Mais um tema muito importante exatamente por conta desse momento histórico que vivemos, de aceleração da transformação digital. Para falar sobre esse assunto, nós convidamos o Fabio Moro, que é Gerente Executivo de Soluções da green4T. Fabio, muito obrigado por aceitar o convite de vir aqui conversar com a gente no podcast. Fabio Moro: Eu que agradeço o convite. É um prazer enorme de fazer parte aqui de mais um podcast da green4T. Fabiano: Maravilha, vamos começar então a nossa conversa, Fabio, explica para gente o que é e como funciona um serviço gerenciado de TI? Fabio: Vamos lá. A competitividade nos negócios tem levado as empresas a investir cada vez mais em tecnologia. Posso citar aqui a automatização de sistemas, utilização de nuvem e busca crescente com o foco em mobilidade. Essa é uma forma que as empresas encontram para alcançar a liderança no segmento em que elas atuam. Só que para cada valor investido, ele precisa trazer um retorno para a empresa. Então, é muito necessário que se garanta a disponibilidade dos sistemas envolvidos, que pode ser garantida por meio de um serviço gerenciado. A oferta de serviço gerenciado não busca apenas a entrega de pessoas ali, dos recursos técnicos das pessoas escaladas para operar o ambiente. É uma oferta maior, que contempla muito além dos especialistas. Procura-se também pelo gerenciamento da capacidade do ambiente, disponibilidade do ambiente envolvido, todo o gerenciamento das falhas e recuperações desse ambiente e, principalmente, o desempenho dos sistemas, para que assim possa se garantir os acordos de nível operacional – que são os famosos SLAs acordados com o cliente. Nesse escopo de atuação de um serviço gerenciado, deve se prover métricas de performance do serviço envolvido, que são os famosos KPI’s. E nesses indicadores é realizado toda uma análise para verificar como está a performance do serviço prestado. O mais importante aqui é uma apresentação de plano de melhoria contínua. Esse tipo de serviço gerenciado tem uma missão que é monitorar os ativos de TI das empresas para ajudá-las a serem mais eficientes e ágeis na entrega das aplicações do negócio. A oferta sempre contempla o gerenciamento do hardware, o monitoramento, o gerenciamento de sistemas operacionais físicos atualizados, banco de dados, por exemplo. A segurança é muito importante também na execução de backups. Enfim, todos os ativos de tecnologia que se envolvam ali dentro do ambiente do cliente. E algo importante a citarmos aqui é que, independente do local que o cliente tenha o seu data center – pode ser próprio, on premise, terceirizado ou até mesmo em uma nuvem pública – esse serviço gerenciado pode ser prestado em qualquer uma dessas localidades. Fabiano: Perfeito, vamos explicar para quem nos ouve então, qual seria o passo a passo para a implantação de um serviço como este? Fabio: Perfeito. Bom, todo o cliente que busca esse tipo de serviço gerenciado, ele com certeza busca algum benefício também. Eu posso citar alguns benefícios aqui como, por exemplo, a redução dos custos, é importantíssimo isso, ou o aumento de produtividade, a automatização dos processos, a modernização do parques tecnológicos ou até mesmo elevar o grau de maturidade da sua TI. Normalmente, o passo a passo se divide em quatro steps: 1º – Existe uma primeira fase que é toda a Consultoria e Assessment do cliente. Eu diria que é uma das fases mais importantes porque é nesse momento que é entendido como o cliente opera e quais são todas as necessidades que ele precisa endereçar. É neste ponto também que é entendida as dores, os objetivos que o cliente busca em atingir com a contratação desse serviço. É também, claro, quando a gente entende todos os ativos de TI que estão envolvidos nessa contratação. 2º – Feito esse processo de consultoria, a gente passa por uma fase de Design da Solução e é aqui onde a gente fala que vamos para a prancheta trabalhar. Começamos a criar solução e ela pode envolver ou não uma transformação dentro do cliente. O que seria essa transformação? Seria uma migração para um novo ambiente, para um novo datacenter, a virtualização, a migração para a nuvem ou qualquer outra necessidade que o cliente traga na etapa de assessment. Também nessa etapa de design, é muito importante especificar toda a tecnologia que vai operar no ambiente, seja ela para monitoração, ferramentas de medições, de ITSM, de processos. E também importante trabalhar nessa etapa de design todas as SLAs que vão ser envolvidas e também todas as prioridades de nível de serviço. 3º – Feito esse design, entra-se num processo de Negociação Contratual, onde o cliente aprova a solução técnica e faz a contratação do serviço. 4º – Então, a gente inicia uma Fase de Implementação: colocar em prática tudo aquilo que foi desenhado. Nessa fase, é a etapa que a gente chama de transição de serviços é onde se coloca em prática tudo o que foi feito no design como eu já disse. E aí estabelece-se todos os processos, medições, as ferramentas e também é feito aqui o onboarding de todos os profissionais que vão trabalhar na operação do dia a dia do cliente. 5º – Feita a implementação, o ambiente começa a ser operado e a gente inicia a fase dos Serviços Continuados. É aqui que se começa a operar o ambiente do cliente. Essa etapa é o dia a dia da operação e o principal objetivo é manter tudo funcionando e atender aquilo que foi planejado no design, na consultoria e manter todos os níveis de excelência. Essa operação também tem uma função muito importante que é entregar os planos de melhoria. Não basta operar aquilo que foi desenhado, é preciso trazer melhorias para o cliente. E, com isso, se obtém um aumento na qualidade de entrega e a excelência. É preciso pensar muito também na modernização do ambiente, à medida que a tecnologia evolui. Fabiano: Acho que você foi bem didático, explicando bem os passos básicos para a implantação deste serviço. Agora, quero te perguntar o seguinte: qual o perfil de empresa ou negócio pode se beneficiar mais desta solução de serviços gerenciados? Quem deve procurar este tipo de serviço? Fabio: Ótimo, boa pergunta. Com o surgimento e adoção de novas tecnologias das empresas, a área de TI ela acabou se saturando, ficou sobrecarregada e a consequência disso é que a gestão tornou-se um desafio enorme para as empresas e para todo mundo que trabalha no setor. A evolução do gerenciamento de toda a infraestrutura de TI é algo natural. Hoje, os serviços gerenciados são um tipo de solução para qualquer empresa. E o que essa empresa busca? Normalmente é manter o setor organizado. Com o serviço gerenciado, a companhia realiza toda a terceirização da atividade de gestão da infraestrutura para um determinado parceiro, regido por meio de um acordo que eu expliquei na pergunta anterior. O serviço gerenciado é uma nova forma que os fornecedores de TI encontraram para entregar às pequenas e médias empresas a possibilidade de contar com uma equipe de profissionais qualificados e capacitados para prestar os melhores serviços. E, com isso, a gente consegue elevar o grau de maturidade tecnológica da empresa. Em resumo, não tem tipo de empresa específica: vale para toda aquela que busca manter a companhia organizada e elevar o seu grau de maturidade. Fabiano: Por que, afinal, é tão importante para as empresas buscarem mais eficiência e qualidade na gestão de suas infraestruturas de TI? Fabio: O mercado tem se tornado cada vez mais dinâmico e as mudanças inesperadas surgem a qualquer momento. Mas isso também cria oportunidades de negócio. A mesma coisa pode acontecer com as demandas de TI. Hoje, pode ser necessário uma determinada infraestrutura, mas já em um futuro próximo, no mês que vem, por exemplo, os serviços podem aumentar e mudar de foco. Mão de obra também pode ser variável, sendo preciso disponibilizar vários profissionais por um determinado período. Um outro exemplo é a implantação de um novo projeto. Ele pode ter uma duração curta e, na sequência, existe toda aquela parte de despesas e tributos de demissão daqueles profissionais que foram envolvidos neste projeto. Essa escalabilidade muitas vezes não é encontrada no modelo tradicional de gestão utilizado normalmente por prestadores de serviços e times internos das empresas. Por isso, é muito importante evoluir para os serviços gerenciados, que são facilmente escaláveis. Esse tipo de solução tem se apresentado como uma alternativa para libertar os líderes de TI dessas preocupações com as questões operacionais do dia a dia. Ao entregar o gerenciamento dos ativos de TI para um parceiro, esse gestor ganha mais tempo para se dedicar aos seus negócios e aos processos de inovação. Fabiano: Este é um ponto que me parece importante. Quanto mais você entrega esse tipo de serviço para um contrato externo como esse, você deixa de sobrecarregar a área de TI dentro da empresa, gerando espaço para que essa turma foque na realização e desenvolvimento de novos negócios. É isso? Fabio: Exatamente. Fabiano: Eu gostaria de entender qual seria a vantagem econômica que uma empresa pode extrair após a adoção de um serviço gerenciado como este? Fabio: Eu não tenho dúvida que, com certeza, a questão econômica é um dos benefícios mais buscados pelas empresas, por aquelas que têm o objetivo de minimizar os gastos e melhorar os resultados. Estamos num tempo de instabilidade econômica, Covid, é preciso buscar alternativas para diminuir os custos sempre. É um objetivo quase que diário das empresas. Estas se encontram cada vez mais dependentes da TI, então, manter um investimento na área pode ter um alto custo, principalmente para os pequenos e médios negócios que às vezes não contam uma verba disponível dedicada para a área de tecnologia. E aí o serviço gerenciado de TI mantém uma estrutura organizada, com os menores custos e permite que todos os gastos sejam planejados e somente realizado em caso de necessidade evitando desperdício. Esses desperdícios também podem ser reduzidos por meio da aplicação do monitoramento constante. Os investimentos são feitos apenas de acordo com a demanda do cliente. No longo prazo, os valores economizados podem ser utilizados para investimento em inovação e melhoria dos processos. Por exemplo, para adquirir novas tecnologias. Um bom argumento desta solução é o pagamento fixo mensal: o cliente pode se planejar e evitar problema que ele possa vir a ter em um período de dificuldade financeira. A previsibilidade de gasto é algo crucial para as empresas – e a qualidade e a melhoria do serviço de TI também, evitando imprevistos como vazamento de dados ocasionados por ataques maliciosos ou falhas humanas e de sistema. Neste ponto, podemos citar um backup que seja bem executado como exemplo de serviço gerenciado, com poder solucionar problemas ocasionado por vazamentos ou ataques cibernéticos. Fabiano: Em resumo, essa solução diminui custo, cria previsibilidade de gastos, aumenta a segurança e a performance da infraestrutura de TI, libera as equipes das áreas de TI internas das empresas a focarem no desenvolvimento de novos negócios, tudo isso garantido por contrato. Certo? Fabio: Isso, em resumo, é isso mesmo. Fabiano: Muito bem, infelizmente vamos encerrar mais essa conversa. Hoje, estivemos com Fabio Moro, Gerente Executivo de Soluções da green4T, para falar sobre a "Como dar mais eficiência e qualidade na gestão da infraestrutura de TI das empresas?" Fabio, mais uma vez obrigado, foi um prazer receber você aqui no greenTALKS. Fabio: Eu que agradeço, muito obrigado pelo convite para participar deste podcast. Um abraço! Fabiano: Perfeito, agradecemos mais uma vez a sua presença. Então é isso, se você gostou deste episódio, curta compartilhe e também siga o nosso canal no YouTube e as nossas redes sociais – sempre com muito conteúdo relevante sobre tecnologia. Muito obrigado pela audiência e até a próxima.
Sala-cofre certificada: as normas que regulamentam sua instalação e manutenção, e os testes aos quais é submetida
nov de 2019
Fogo, fumaça, temperatura, gases corrosivos, impactos simulando a queda de escombros, e água provenientes do combate a incêndio, além dos demais riscos inerentes ao local tais como: acesso indevido, roubo, sabotagem, explosão, arma de fogo, água proveniente de vazamentos de tubulações ou de andares superiores, poeira e eletromagnetismo são riscos físicos derivados de um incêndio e que podem afetar os data centers caso eles não contem com a solução chamada sala-cofre. Tais condições são determinadas na norma NBR 11.515 e ISO 17000, que classificam e orientam sobre quais riscos devem ser considerados e também sobre os limites de emergência que garantam a proteção dos equipamentos de TI e suas informações.
Manutenção especializada de sala cofre: conheça as ameaças físicas e os riscos operacionais
nov de 2019
Nessas aplicações, para proteger os dados e os equipamentos de tecnologia da informação contra as ameaças físicas (tais como água, poeira, umidade, fogo, gases corrosivos, fumaça, roubo, impacto, explosão, magnetismo e sabotagem), recomenda-se e é usual aderir à sala-cofre certificada, que oferece um ambiente totalmente estanque e seguro. No Brasil a sala-cofre é certificada pela ABNT, conforme a norma NBR 15.247, acreditada pelo Inmetro e que garante um ambiente de alta confiabilidade e disponibilidade. É importante salientar que a NBR 11.515 define os limites de emergência dos equipamentos de tecnologia da informação – instalados no ambiente do data center – relacionados a temperatura e umidade, o que significa os limites máximos toleráveis sem que haja riscos à integridade dos equipamentos. Portanto, as empresas optam pela sala-cofre certificada a fim de garantir o nível mais elevado de proteção contra ameaças físicas. Além de, por meio disso, atender aos pré-requisitos da NBR 11.515 e garantir benefícios da modularidade, ampliação sob demanda de racks sem necessidade de interrupção da operação, reaproveitamento da solução e facilidades na transferência ou mudança de local. Para garantir o alto nível de resiliência da sala-cofre certificada, e de seus subsistemas, além de preservar o investimento inicial, é necessário que a manutenção seja executada por uma empresa especializada, credenciada e capacitada pelo fabricante, conforme previsto no procedimento de ensaio PE 047.7 – item 7.5, referente à NBR 15.247 e definidos pela ABNT. Por se tratar de uma solução totalmente integrada, a manutenção da sala-cofre certificada e de seus subsistemas (elétrica, ar condicionado e conectividade), deve ser realizada por uma única empresa especializada, minimizando riscos para a operação contínua e ininterrupta, inclusive que garanta o fornecimento das peças de reposições genuínas dos fabricantes.
Dúvidas frequentes sobre a continuidade da certificação da sala cofre da sua empresa (parte 2)
nov de 2019
Minha empresa realmente precisa da certificação da sala-cofre? Os testes exigidos para a certificação garantem o pleno atendimento a todas as especificações, comprovando o mais elevado nível de proteção, estanqueidade e assim, justificando o investimento de uma sala-cofre. Podemos exemplificar a importância da certificação com uma simples pergunta: Você pularia de um avião com um paraquedas não certificado? Se sua resposta for não, obviamente entendeu a importância da solução certificada. Afinal, quais as diferenças básicas entre sala-cofre certificada e sala segura? Considerando que a infraestrutura e seus subsistemas empregados na construção de uma sala-cofre podem ser os mesmos de uma sala segura, e assumindo que ambas soluções possuem a mesma área, quantidade de racks, potência elétrica instalada (geradores, UPSs, painéis, cabos), sistema de ar condicionado, cabeamento estruturado e automação (CFTV, controle de acesso, sistema de detecção precoce/combate ao incêndio), basicamente as diferenças se concentram nas características construtivas de cada solução. Diferente da sala segura, a célula sala-cofre certificada segue todos os pré-requisitos impostos pelas normas e procedimentos de ensaio, inclusive com testes simulando uma situação real de incêndio. Contudo, a célula sala segura pode ser construída utilizando painéis corta-fogo, paredes de alvenaria, dry wall corta-fogo, steel frame, divisória, vidro, entre outros, já que não há normas e certificações específicas para este tipo de solução para data center. Existem normas da ABNT para proteção corta-fogo, tais como a NBR 10.636 (ensaios em paredes e divisórias) que, muitas vezes, são exigidas para instalações de salas seguras. Porém, tais normas não simulam os testes em uma situação real de incêndio no data center, o que não garante os limites de temperatura e umidade internos, as proteções contra vazamentos e jato de água, fumaça, gases corrosivos ou queda de escombros, por exemplo. Portanto, a opção por uma solução certificada, sempre garante a contratação do provedor que melhor cumpre e garante todas as exigências técnicas, inclusive permitindo a equalização justa entre os proponentes e facilitando a contratação da melhor solução pelo menor investimento.
Sala Cofre
Um data center precisa de um nível extremo de proteção e segurança. A Sala Cofre é essa cápsula. Saiba mais.
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