Último insight
Como a tecnologia pode ajudar o planeta?
A recente Cúpula do Clima convocada pelos Estados Unidos no final de abril, cobrou das grandes potências econômicas mundiais ações mais efetivas nas próximas três décadas visando a redução real das emissões de gases do efeito estufa (GEE), com o objetivo de controlar o aquecimento global em 1,5ºC até 2050. Em meio a discursos, promessas e anúncios importantes, o evento deixou um alerta bastante claro: é preciso acelerar a transformação sustentável dos processos produtivos, da matriz energética dos países e do próprio modo de vida da sociedade, para que se viabilize o equilíbrio entre a existência humana e a preservação do planeta. O assunto é a agenda prioritária mundial deste século no pós-pandemia e envolve todos os setores da economia: de fabricantes de carros a produtores agrícolas; da indústria têxtil aos gigantes da internet. Mexe, sobretudo, com o setor energético, cuja reinvenção é crucial para o sucesso de uma missão que coloca todas empresas sob a mesma bandeira: a da longevidade econômica. Leia mais em: A transformação digital da indústria de óleo e gás Em linhas gerais, a combinação de produtividade com baixo impacto ambiental, o controle mais rigoroso sobre o consumo de recursos naturais e a inauguração de um novo jeito de viver das pessoas deve contribuir na diminuição dos efeitos das mudanças climáticas que estão porvir. Trata-se, portanto, de uma corrida contra o relógio ambiental cujos ponteiros não podem ser simplesmente parados. É possível, no entanto, que se desacelere o ritmo e se diminua o impacto dos acontecimentos. Para isso, é fundamental se criar uma consciência situacional antecipada, que permita a tomada de decisão de forma mais assertiva para a implantação de estratégias inteligentes e ágeis de mitigação. Neste contexto, um dos agentes mais habilitados a colaborar com governantes, empresas e sociedade é a tecnologia.
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Conheça mais sobre tecnologias como AI, IoT e big data estão redefinindo mercados e organizações, através de novos processos, nova mentalidade e até novos modelos de negócio.
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O futuro chegou: a virtualização do trabalho
Abr de 2021
Em fevereiro, uma pesquisa publicada pela MIT Technology Review afirmava que 80% das empresas brasileiras desejariam manter parte de suas equipes em home office mesmo após o fim da pandemia. Este percentual – construído com dados levantados junto a 1.400 executivos de companhias do País – revela uma das maiores e mais relevantes mudanças na vida do planeta pós-Covid: o trabalho remoto. É fato: o hábito de usar máscara e higienizar as mãos com álcool gel nunca mais deixará a rotina das pessoas, assim como o home office não desaparecerá do dia a dia das empresas. Outro dado do mesmo estudo indicou que 93,5% dos profissionais desejam ter uma jornada híbrida de trabalho – parte em casa, parte no escritório – a partir de agora. Essa conjunção entre o novo modo de trabalhar adotado pelas companhias e a percepção positiva por parte das pessoas sobre a prática gerou um "novo normal" que deve ser mantido a partir deste ano. Entretanto, há um desafio embutido no processo: como realizar essa transição de forma segura, ágil, controlada e a um custo financeiro possível?
A transformação digital da indústria de óleo e gás
Mar de 2021
Com a consolidação da pauta sustentável na agenda econômica mundial, um dos setores produtivos mais rentáveis e tradicionais – o de óleo e gás – está buscando a sua reinvenção a fim de garantir um espaço no futuro que tende a pertencer às fontes renováveis de energia. Uma reformulação que passa necessariamente pela implementação maciça de tecnologia. Inteligência artificial, internet das coisas, computação de borda, aprendizado de máquina, cloud computing e outras tantas abordagens tecnológicas vêm ganhando espaço no dia a dia das grandes companhias do setor, graças à importância que têm na busca pela máxima eficiência, produtividade e na proteção ao meio ambiente. É a Transformação Digital modificando os processos produtivos e de gestão de uma categoria industrial trilionária.
Hiperconvergência: simplificando a operação de TI
Fev de 2021
Por Carlos Eduardo Chicaroni (*) Um dos reflexos da aceleração digital nas empresas e organizações é o aumento da complexidade das operações de TI. Realizar uma gestão de alta performance de infraestruturas cada vez mais híbridas, compostas por data centers, multicloud, recursos de storage e monitoramento da rede de transmissão tem exigido elevado conhecimento técnico e crescentes investimentos em equipes multidisciplinares. É dentro deste contexto de multiplicidade de ferramentas que se tornou essencial a busca por uma solução que promova a integração virtualizada de todas estas tecnologias de uma infraestrutura de TI. É aqui que a hiperconvergência – ou, em inglês, HCI (Hyperconverged Infrastructure) – ganha o seu protagonismo. A hiperconvergência se resume na implementação de uma solução orientada por software que utiliza um hipervisor único para realizar a orquestração do processamento de dados, dos recursos de armazenamento e do networking virtualizado dentro de um mesmo sistema. Sua adoção gera duas grandes vantagens: simplifica a infraestrutura de TI e agiliza a escalabilidade da infraestrutura quando necessário. À reboque, entrega mais eficiência à operação de TI da empresa e reduz os custos com equipes setorizadas de trabalho.
O avanço do Edge Computing
Fev de 2021
Em uma sociedade e economia cada vez mais centradas em dados – onde o Big Data exerce poder gravitacional sobre aplicações, serviços, softwares, modelos de negócio e consumidores –, uma solução se tornará essencial a partir desta década: o edge computing. A estratégia que leva o processamento de dados para perto da fonte geradora atende a uma exigência inegociável de velocidade em tempos de novas tecnologias como o 5G e o IoT (internet das coisas). Estas inovações tendem a levar aplicações e serviços a ficarem mais próximos da origem do dado por necessidade de baixa latência e de alta taxa de transferência de dados. Mas por quê a velocidade no tempo de resposta virou fator crucial neste momento da indústria de TI? Desde os primeiros mainframes da década de 1970, verificou-se uma mudança na escala de relevância daquilo que torna o processamento de dados mais eficiente. No começo, a aposta era no potencial dos equipamentos. Depois, a capacidade de transmissão se tornou vital. Agora, é a conectividade quem define o sucesso da solução. Assim, tanto a internet das coisas quanto a nova banda de telefonia – e todo o universo de aplicações e soluções decorrentes de ambos – só serão efetivos em sua plenitude se puderem contar com networkings conectadas de forma eficiente, dispondo de elevadas taxas de transferência de dados e de respostas no menor tempo. Neste diálogo entre máquinas, as estratégias de processamento centralizados em cloud, por exemplo, não conseguem garantir a menor latência, seja por conta de eventuais fragilidades da infraestrutura de conectividade ou mesmo de oscilações na rede de transmissão. O edge computing surge, então, como um facilitador da alta velocidade requerida atualmente, ao levar o processamento para a borda, o que encurta a distância dado-processamento-resposta e evita os percalços da falta de conectividade. SAIBA MAIS: Ouça em nosso podcast greenTALKS o episódio sobre "Os Desafios da Conectividade Digital". Clique aqui.
Edge computing: solução ideal para o 5G?
Jul de 2020
O anúncio da criação da tecnologia 5G pelos sul-coreanos em 2013 gerou uma enorme expectativa no mundo sobre os benefícios que esta nova banda larga - mais ampla e muito mais veloz - poderia oferecer para a vida das pessoas e das empresas. Afinal, trata-se de uma transmissão de dados com velocidade, de upload e download, entre 10 e 20 vezes superior ao 4G atual, o que diminui drasticamente a latência das respostas. Além disso, a rede 5G promete uma conexão de sinal mais estável e cobertura mais ampla, por utilizar melhor o espectro de rádio, permitindo que mais dispositivos estejam conectados ao mesmo tempo.
Na borda da transformação
Mai de 2020
O consumo de internet se intensificou de muitas maneiras por conta do enfrentamento da pandemia do coronavírus e do isolamento social a que muitos estão submetidos. Estamos nos comunicando, trabalhando, nos divertindo, comprando, aprendendo pela internet. Nós já vivemos na era da internet das coisas (IoT) há alguns anos, mas com o desafio atual nossa demanda por conectividade disparou.
Edge computing
Na era da IoT, a velocidade é indispensável. O tempo é valioso. O processamento dos dados deve estar próximo da borda. Conheça melhor esse conceito.
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Cidades inteligentes
Câmeras, sensores, semáforos, celulares: dispositivos espalhados pelas cidades geram um enorme volume de dados. Como transformá-los em insights para uma gestão integrada, eficiente e inteligente?
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Smart Cities e a Indústria de TI - Episódio 15
Abr de 2021
Como a tecnologia bem aplicada pode ajudar na administração do fluxo de pessoas nas áreas urbanas, na inteligência para a gestão pública e na melhoria da qualidade de vida das chamadas cidades inteligentes. Este é o tema do episódio 15 do podcast greenTALKS, com Carlos Morard, Diretor Internacional de Desenvolvimento de Negócios da green4T. Acompanhe. Fabiano Mazzei: Olá, seja muito bem vindo, seja muito bem vinda a mais um episódio do podcast greenTALKS. Este conteúdo está disponível nos nossos canais no Spotify, no YouTube, mídias sociais e também em nosso blog Insights. O tema deste podcast é “Smart Cities e a Indústria de TI”, onde vamos falar sobre a relação entre esses dois setores, sobre os drivers e as questões fundamentais que estão influenciando ambas as indústrias, sobretudo neste momento pós-pandemia, e o que as cidades precisam priorizar para estarem inseridas neste novo contexto. Para esta conversa, convidamos Carlos Morard que é Diretor Internacional de Desenvolvimento de Negócios da green4T. Ele está em Madrid, fala direto da Espanha, e de lá cuida de toda a nossa atuação na Europa, Norte da África e Ásia. Carlos, muito obrigado por aceitar o convite e por estar aqui conosco para conversar sobre este tema tão interessante. Carlos Morard: Obrigado você pelo convite. E vamos lá. Fabiano: Muito bem, vamos complementar então o nosso início de conversa. Falar um pouco sobre smart city e a noção que muita gente tem de que isso é um evento tecnológico, quando na verdade vai muito além disso. Eu gostaria de ouvir o seu comentário a esse respeito. Carlos: Sim. Obviamente associar a palavra “smart” remete a tecnologia e claramente à capacidade que a tecnologia tem para acelerar o processo de coleta de dados, análise de dados, de interconexão de dispositivos e pessoas. Tudo isso é super relevante e talvez seja a parte mais charmosa de tudo. Mas, por trás disso, temos um fenômeno humano que é fundamental e como já coloquei no início, é um fenômeno de urbanização, como nunca vimos na história da humanidade, em grandes dimensões. Por isso que Smart City tem três vetores fundamentais que compõem a abordagem a essa ilustre disciplina. O primeiro é atender a administração desse fluxo urbano para a cidades, onde os países emergentes têm 80% desse crescimento acelerando muito. A segunda questão desse processo de urbanização é a inteligência, que é como a tecnologia bem aplicada pode facilitar a vida dessas pessoas nas cidades – depois vamos abrir um parênteses para detalhar melhor isso. E a terceira questão é o impacto real, como alcançar o accountability (medição) deste impacto para entender se esse fenômeno é controlável e virtuoso, se tem riscos ou simplesmente é um processo que vai trazer no futuro mais prejuízos que benefícios ou mais benefícios que riscos. Então, crescimento urbano, inteligência para a gestão e a medição real do impacto são os três pontos chaves que compõem o big picture das smart cities. Fabiano: Entendi. Bem, ouvindo você mencionar estes três pontos, a gente pode entender que, nesse contexto de Covid, eles foram impactados também? Quais foram os drivers que precisaram passar por ajustes mais profundos com relação a esse contexto de pandemia? Carlos: Olha, a pandemia acho que, no contexto da evolução da indústria – e vamos deixar de lado o grande impacto humano – foi um grande alerta antecipado para voltar alguns passos para trás e entender que smart city tem que primeiro criar conceitos e infraestruturas básicas para não gerar uma concentração humana em áreas onde você não pode fazer o Crisis Management (gestão de crise) ocasionada por uma pandemia, uma queda de energia, uma queda generalizada de conectividade, entre tantas outras coisas. Fabiano: Um evento climático, né? Carlos: Pode ser um evento climático, mas quando você sai de uma densidade rural de cinco pessoas por quilômetro quadrado para uma densidade de 2 mil pessoas por quilômetro quadrado – e que, além disso, estão em movimento –, claramente você tem que incluir o conceito, uma palavrinha nova, que foi talvez o ponto chave do último congresso sobre a Smart Cities aqui na Europa em outubro do ano passado, que é o conceito de resiliência. É fundamental, como uma condição básica para que a cidade possa ser resiliente, que seja feito um mapa de riscos e um plano de gestão desses riscos. Tudo isso não estava nas prioridades dos congressos e da indústria – obviamente porque todo mundo quer falar de coisas agradáveis, não quer falar de tudo o que pode não dar certo pelos riscos. A indústria gosta de vender soluções para melhorar o que se chama de a "qualidade de vida" das pessoas. Então, na pandemia, por exemplo, uma questão concreta que mudou é o conceito de desenho das cidades, que estava muito orientado para um conceito de cidade monocêntrica, ou seja, uma grande cidade com toda a infraestrutura necessária concentrada. Isso mudou, como definição da indústria, para cidades policêntricas – ou seja, você não tem mais um cluster monocêntrico. Um bom exemplo, abordado no congresso de Paris, é a cidade de 15 minutos: você tem um monte de cidades de 15 minutos que fazem parte de um centro urbano, mudança impulsionada pela pandemia. Por quê? Porque senão você não pode gerenciar confinamentos cirúrgicos. Por exemplo, você não consegue confinar toda São Paulo, mas você pode medir e indicar que em determinado bairro você tem que fazer um confinamento cirúrgico, entendeu? Então, acho que a Covid foi um alerta adiantado para parar e voltar a pensar o que a gente faz como gestão de crise para não concentrar muito risco para as pessoas. Fabiano: Esse é um ponto muito interessante: você entender a cidade como um agrupamento de pequenos centros, para efeito de gestão – embora torne a coisa mais complexa também – mas ela torna a gestão muito mais eficiente nas cidades, não? Carlos: Muito mais eficiente. Mas é interessante trazer algumas medições porque, como eu falei no terceiro ponto, que é essa medição do impacto, nós temos aqui um estudo na Europa, que foi feito em 2018 com os primeiros valores que mostram a tendência atual. Por exemplo, nós temos aqui sete pontos de medição para entender as melhorias e a evolução da implantação de conceito de Smart City em áreas chaves, que depois a gente pode repassar. Mas os números mostram que, por exemplo, o tempo que um cidadão tem para fazer uma solicitação ao governo caiu entre 45% e 65%. O tempo de comutação entre tarefas de cidadãos caiu de 15% a 20%. Ou seja, a gente tem mais tempo para viver porque perdemos menos tempo fazendo coisas com o governo e menos tempo precisando interagir com outras pessoas. Na questão da segurança, com o foco nas fatalidades por problemas diversos na cidade, o tempo caiu entre 8% e 10%. O tempo de resposta a acidentes e problemas de segurança caiu entre 20% a 35%. Ou seja, ficou mais rápida a resposta ao cidadão. A questão da detecção e prevenção do crime tem melhoras, dependendo da cidade e da tipologia do crime, de 30% a 40%. E esse número, quando você estuda o que tem por trás dele, são aqueles crimes mais frequentes na cidade e não aquele crime sofisticado, mas tudo o que acontece nas ruas no dia a dia. Por outro lado, o custo de viver na cidade para o cidadão – por conta essas melhorias – caiu 3%. O emprego formal, graças a interação da tecnologia e a transformação digital, cresceu 3%. A conectividade social entre pessoas, ou seja, a participação cívica entre cidadãos dentro da sua comunidade melhorou ou aumentou 15% – e, dentro das áreas geográficas diversas, melhorou em 25% essa conectividade. E o impacto ambiental, em relação as emissões de gases de esfeito estufa, já está caindo na faixa de 10% (9,7%). O consumo de água foi melhorado em 35% e o tratamento de resíduos que podem ser reciclados melhorou 27%. E finalmente, a questão de saúde, a quantidade de pessoas que foram salvas por novas políticas que em outro contexto estariam mortas, deixando fora o efeito do Covid, melhorou entre 8% e 15%, dependendo da cidade que estamos olhando. Então, quando você vê esses números, você tem o ponto chave que é a smart city. A partir destes pontos de medição, conseguimos verificar como a gente pode administrar melhor o nosso tempo e gerenciar o impacto desse aumento da urbanização. Fabiano: Perfeito. Mas quando você menciona a medição e, portanto, o impacto desses fatores todos, a gente está falando de captação de dados, de tecnologia também, não é? Como é que você vê essa situação na Europa – dos investimentos em inteligência tecnológica aplicada às cidades – em relação aos mercados latinoamericanos ou propriamente o Brasil? Carlos: Bom, claramente, sem tecnologia você não pode começar a falar de smart city. Agora, como nós gostamos de falar sempre em nossa empresa há muito tempo, a tecnologia ela não é nem boa, nem ruim. Ela é fantástica quando faz parte de um bom plano, uma boa política, de estratégia – ou pode ser muito ruim. Mas por que a tecnologia pode ser muito ruim? Porque existe uma confusão quando você fala de "transformação digital". Todo mundo fala de transformação digital da empresa, do governo, das pessoas, mas a transformação digital não é usar um computador ligado à internet para automatizar um processo que antes você fazia manualmente. Por quê? Porque aquele processo que foi criado na função de negócio, gestão de governo ou qualquer outro, foi pensado para um contexto de interação de pessoa a pessoa, olho no olho, ou correio postal com correio postal. Então, quando você faz uma automatização com computador super veloz com 4G ou 5G, você na realidade está fazendo uma aceleração de um processo obsoleto, que traz mais prejuízos com tecnologia do que quando se faz manualmente, como foi desenhado originalmente. A transformação digital é criar novos processos a partir da tecnologia que temos hoje disponível, com uma arquitetura onde você pensa que as pessoas vão ter uma identidade digital, onde você vai ter que garantir níveis de segurança e de proteção de dados conforme necessário, e que você vai ter grandes bases de dados onde – com a aplicação de inteligência artificial – você vai conseguir trazer respostas que você não conseguiria imaginar na época em que era manual. Porém, transformação digital – e com isso concluo a resposta – é fundamental como uma política pública, onde o governo tem que balizar esse caminho para que as pessoas e as empresas privadas, por fora dos ciclos políticos, possam fazer investimentos para fazer essa transformação em toda a sua função de negócios e na sua vida pessoal. Fundamentalmente nas áreas das quais nós falamos de como equipar sua casa, de como pensar o transporte, como pensar que carro vai comprar, como olhar o futuro. Ou seja, políticas públicas tornam a tecnologia algo com que podem e estão interligadas e sincronizadas. Fabiano: Ok, perfeito. Você fala direto de Madrid e gostaria que você comentasse qual é o nosso interesse, a nossa participação ativa na região da Europa? Carlos: Bom, nós temos aqui duas missões muito claras. A primeira missão é que, clientes da Europa que estão de olho em fazer negócios na América Latina, podem ter de minha parte o primeiro nível de apoio para colaborar com a estratégia de como entrar no mercado da América Latina, apoiando-se na green4T para todas as suas necessidades. E a segunda missão, que é fundamental, é que nós aqui não estamos no dia a dia operacional da LATAM. Então, nós estamos focados em participar dos fóruns, em pesquisas, em detecção e medição de performances de novas soluções muito focadas em nossas áreas de competência no Brasil e na LATAM. Então, podemos falar que a minha participação aqui é estar olhando o futuro para que nossa empresa possa participar como um player world class da discussão da indústria do Smart City e, depois, classificar soluções, categorizar e priorizar para levar o melhor do mundo aos nossos clientes em nossa área de atuação. Fabiano: Perfeito, Carlos, para finalizar, já que falamos de futuro e estamos falando de cidades inteligentes, como é que você vê esse futuro de cidades inteligentes aqui no Brasil com seu olhar aí da Europa? Carlos: Olha, o Brasil, assim como a LATAM, diferente da Europa, tem uma diversidade cultural, geográfica e de negócios que é difícil falar como uma só coisa. Mas eu penso que o gestor público no Brasil, ele tem uma vocação de pensar e planejar o futuro muito bem orientado para a transformação. Porém, o fenômeno da urbanização não é uma opção, é uma questão para administrar. Eu acho que o gestor público no Brasil está olhando de perto isso, acho que as lições da pandemia estão trazendo também outros desafios. Eu vejo que depois da pandemia, com uma situação normal, vai iniciar um ciclo muito virtuoso de inovação, de criar soluções escaláveis e modulares nas áreas de transporte público e saúde, na detecção antecipada de riscos, gestão de crises e de medir tudo o que está acontecendo na cidade para depois ter um acervo de dados suficientes para imaginar soluções para melhorar o tempo das pessoas na cidade, a inteligência do transporte, a complementação pública ou privada. E finalmente, eu gostaria de colocar que não se tem smart city se o conceito de gestão da cidade não é do funcionário público para o cidadão, mas sim do gestor público com a participação do cidadão. E não tem smart city se não tem "cidadão inteligente" também, porém, esta é uma questão cultural que também tem de ser tocada. Fabiano: É uma questão da inclusão do cidadão exatamente na criação das políticas públicas. Isso é muito Smart City, né? Carlos: Exatamente. Fabiano: Muito bem. Eu preciso encerrar este podcast, infelizmente, então, gostaria de agradecer ao Carlos Morard que é o Diretor Internacional de Desenvolvimento de Negócios da green4T sobre toda essa conversa que tivemos agora e abrir para seus comentários finais. Carlos: Sou eu que agradeço. Um abraço para toda a comunidade das nossas mídias sociais, clientes e pessoas interessadas sobre esse grande desafio que temos que viver juntos. Fabiano: Muito bem, então é isso. Muito obrigado, Carlos. Eu espero que você também tenha gostado desse podcast, portanto, curta bastante. Compartilhe esse conteúdo e outros conteúdos relevantes sobre tecnologia publicados em nosso blog Insights, YouTube, em nossas mídias sociais e aqui no Spotify. Muito obrigado a todos e até o próximo episódio.
Mobilidade urbana em tempos de pandemia - Episódio 14
Mar de 2021
Fabiano Mazzei: Olá, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda a mais um episódio do podcast greenTALKS. Este episódio, aliás, é muito relevante pelo momento que vivemos, porque se trata de um tema extremamente importante para a vida de todos nós: "Mobilidade urbana em tempos de pandemia". Para falar sobre isso, temos uma convidada muito especial: Eleonora Pazos, Head do escritório da UITP na América Latina – UITP que é a União Internacional dos Transportes Públicos – e a gente conversa com ela a partir de agora. Eleonora, muito obrigado por ter aceitado o convite e seja muito bem-vinda ao podcast. Eleonora Pazos: Obrigada, Fabiano! Quero realmente agradecer a green4T por este convite. De fato, é extremamente interessante poder estar aqui e compartilhar com vocês algumas coisas que a UITP vem fazendo. Fabiano: Muito bem, obrigado. Bem, voltando à pergunta inicial, quais são os impactos que a gente já pode detectar de tudo aquilo que aconteceu na mobilidade urbana no Brasil e no mundo? Eu sei que a UITP realizou dois estudos importantes sobre este tema em 2020, então, gostaria que você falasse um pouco do trabalho e destes estudos. Eleonora: Bem, deixa eu contar um pouco para quem não conhece o que é o trabalho da UITP. Como você disse no começo, é a União Internacional dos Transportes Públicos, presente em mais de 100 países, com mais de 1.300 organizações – tanto governamentais, autoridades públicas em todas as esferas, operadores de transporte (públicos e privados) de todos os sistemas urbanos e também uma participação da indústria do setor de provimento de serviços do mundo inteiro. Quando você fala dos estudos, a UITP utiliza muito essa ampla rede para realmente balizar o que a organização vem desenvolvendo. Voltando para a pergunta tão desafiadora, de fato, o impacto da pandemia nos sistemas de mobilidade foi muito severo. Ninguém considerava imaginar o que acabou acontecendo com estes sistemas de mobilidade. Primeiro, uma queda de circulação de pessoas nas cidades, algo universal e que aconteceu em todas as regiões do mundo. Obviamente, se a gente for falar de determinadas cidades no Brasil e de outros países em desenvolvimento, o impacto sempre é maior, até por questões econômicas e pela própria dinâmica dos lugares. Tivemos essa queda abrupta e que permanece até hoje. Acabei de receber um relatório de mais de 50 cidades do mundo todo referente a demanda de passageiros. Apesar de ter passado um ano da pandemia no mundo ocidental, de fato, a grande maioria dos sistemas ainda não recuperou a sua demanda, ficando abaixo dos 60% de ocupação. Obviamente, de semana a semana vemos uma variação conforme temos a segunda e a terceira onda, mas isso tem se mantido – a perda de passageiros – e no Brasil muito mais. Atrelado a isso, uma perda de receita muito forte com a suspensão de serviços em muitos países. Ao mesmo tempo, as cidades foram transformadas pelas "teles" – o teletrabalho, a tele-educação, a telemedicina, entre outros – e pelo comércio eletrônico. Voltando aos estudos, a UITP realizou dois após o início da pandemia para avaliar o que foi feito pelas cidades, o que ainda precisa ser realizado e quais as medidas mais bem-sucedidas que foram usadas para a recuperação das cidades. Falamos em tendências globais e, aqui no Brasil, sobre o desequilíbrio socioeconômico e a não circulação de pessoas gerando um impacto nos sistemas de transportes. A tipologia das cidades sendo alteradas pelos teles e algumas mudanças relacionadas a questão do novo estilo de vida que as pessoas provavelmente vão ter a partir de agora. Parâmetros de viagem que serão alterados com um repropósito: as pessoas costumam viajar para a escola, trabalho, universidade e isso tende a ser alterado. O re-timing, graças a flexibilidade de horário das pessoas, que não viajarão mais sempre às 7h da manhã e retornarão às 18h. E o repace: provavelmente viagens mais curtas, no entorno do passageiro, muito mais do que longas viagens diárias como as de trabalho. Claro que temos de fazer uma avaliação mais de longo prazo quando nos referimos ao Brasil. Evidentemente que as grandes cidades brasileiras vão demorar mais para se recuperar do que as pequenas, já que estas dependiam menos do transporte público e tinham uma quantidade de deslocamentos à pé e de bicicleta muito maior. Uma grande tendência também é o processo de digitalização do transporte. Da noite para o dia, passou a ser necessário a venda de créditos, de tickets por meio de mobiles, de vários devices, da transmissão de informações aos passageiros, enfim, uma digitalização do setor que já existia, mas que ficou muito mais acentuada por necessidade inclusive sanitária. Associado a isso, as tecnologias aplicadas à eficiência operacional dos transportes e ao gerenciamento de demanda, que vemos surgir como necessidade de controle da pandemia e também sanitárias. Então, toda essa inteligência do transporte público que sempre se falou e dos seus investimentos, deixam de ser apenas necessários para se tornarem obrigatórios por uma questão de sobrevivência do setor. Falando de padrão de mobilidade, vimos em alguns países uma tendência ao transporte individual, com aquele sentimento de receio em usar o transporte público – que ficou com uma imagem bastante abalada, muitas vezes sem motivo. Se disseminou muito a ideia de que o transporte público contamina e vimos que este efeito foi mais sentido na América do Norte e América Latina. Já na Europa foi ao contrário: cresceu o sentimento de que o transporte coletivo é saudável para as cidades e vai ajudar a recuperar o ambiente urbano a se tornar mais resistente à novas contaminações ou desequilíbrio por uma pandemia. Ao mesmo tempo, a questão de um aumento de modais alternativos, com os compartilhados ainda em cenário um pouco incerto, já que as pessoas estão com receio de compartilhar a carona – embora haja um sentimento em retomar esse tipo de transporte. Também um aumento no uso de bicicletas e uma tendência ao transporte ativo. Resumindo, o cenário é outro, a cidade é outra e o transporte vai precisar se preparar para uma nova realidade, sem dúvida nenhuma. Fabiano: Muito bem, uma boa análise inicial do tema. Nesta visão do transporte público, temos vistos cenas de lotação, com picos de uso aqui no Brasil. O que seria, então, o gerenciamento do pico de acesso do transporte público e que tipos de ações os governos e a iniciativa privada podem tomar para colaborar nesta questão? Eleonora: Vou resgatar o estudo que a UITP fez ano passado e que envolvia 32 organizações de todo o mundo. Fizemos uma análise do porquê o gerenciamento do transporte é uma política pública importante. Em pleno processo de pandemia, dividimos as cidades em três grupos: aquelas que nada fizeram porque acharam que tudo retomaria ao que era a qualquer momento; aquelas que reconheceram a mudança, mas não identificaram que tipo de política pública deveriam fazer (+60% das cidades); e quem já entendeu que tudo mudou e já partiu para a frente na elaboração das políticas, com investimentos em digitalização e na infraestrutura, em ações de governança para modelos de negócio que entendam que os sistemas estão muito vulneráveis e dependentes das receitas geradas pela demanda, em tecnologias verdes, muito menos impactantes como a eletrificação e no gerenciamento de demanda. Se buscarmos em documentos dos anos 1950, já se falava disso. Uma sugestão para que cada categoria profissional entrasse em um horário diferente no trabalho. Escritórios, fábricas, escolas, cada um no seu horário. Tudo isso na tentativa de amenizar o pico, buscando uma distribuição da demanda durante o dia, o que vai custar muito menos investimento em infraestrutura ou frota, além de benefícios nos custos operacionais. Mas era muito difícil obter esse escalonamento de horário amplo, seja como política pública, seja na imposição, sobretudo porque a grande maioria das viagens era em cadeia: a mãe que levava o filho na escola, que seguia para o trabalho e retornava para pegar o filho de volta antes de ir para casa. O que a gente vê hoje com essa nova dinâmica da vida das pessoas, com os teles sendo realidade, essa visão regulatória e de gerenciamento se torna muito mais real. Ou seja, amenizar aquela grande concentração de pessoas – o que requer políticas públicas –, é possível como é o caso de Milão. A cidade italiana implementou isso ao final de dezembro e tem funcionado. Claro, ainda com restrições, a cidade tem diversas restrições de funcionamento, mas o que a gente vê realmente é a unificação deste gerenciamento de demanda – tanto do ponto de vista operacional, como associado a outros investimentos em informações ao passageiro e sistemas de metrô com pré-booking: você reserva o horário que pretende ir e verifica a ocupação dos veículos para poder escolher qual está mais vazio. Essa flexibilidade na rotina das pessoas aliada a uma tecnologia que permita fazer, de fato, esse gerenciamento – estimulando as pessoas a se beneficiar disso – é o que a gente tem visto como uma das grandes tendências do transporte. Uma aliança entre a política pública, com as cidades intervindo e impondo regras; o investimento do operador, que vai ter de informar qual o melhor horário para você viajar; e a adaptação ao novo estilo de vida do cliente, que vai querer um transporte mais vazio e adequado a sua nova realidade. O gerenciamento de demanda veio para ficar, mas temos de falar um modelo de gerenciamento unificado de mobilidade. É algo fundamental para que a cidade funcione, com os operadores falando a mesma linguagem, com a mesma regulação. Essa unificação dos sistemas, que sempre foi determinante para o bom funcionamento do transporte público, começa a se tornar obrigatório se o setor quiser realmente sobreviver a longo prazo, principalmente em países em desenvolvimento como o Brasil. Fabiano: Muito interessante isso e nós vemos o quanto a gestão disso se tornará complexa. Poder público e iniciativa privada juntos, cada um com o seu papel. Eleonora: Sem dúvida, teremos que ter uma gestão pública muito clara do que quer para a cidade. Sem regras, cada um vai correr para um lado. O operador tem que seguir essas regras, mas naquele modelo unificado, que vai além da infraestrutura em si e passa pela questão de dados, por exemplo. Compartilhamento de dados: como vamos fazer essa gestão? Quem será o proprietário destes dados para compartilhar e conseguir obter esse gerenciamento único e essa oferta única de transporte? Temos de incluir a unificação dos pagamentos também. E isso nos aproxima das plataformas de Mobility as a Service, a mobilidade como serviço. Algo que parecia ficção científica há pouco tempo, que diziam que faltaria governança unificada do operador público e do privado, principalmente no Brasil, onde temos várias esferas de poder. Então, tem esse desafio. A partir do momento que conseguirmos unificar esses dados e criar regras para esse compartilhamento, para regulação, gerenciamento e controle disso, poderemos ter êxito. Mas este é um cenário que tem de ser trabalhado imediatamente, visto que está dependendo a sobrevida de nossos sistemas de transporte – deixando de lado a questão dos financiamentos. É esse o ponto que você tocou: a questão do público e do privado, todo mundo junto, e alguém regulando tudo isso. Fabiano: Então eu quero aproveitar o gancho que você deixou, a mobilidade como serviço – e eu gostaria que você comentasse este conceito – e como ele vai ajudar a melhorar a qualidade do transporte público nas cidades. Eleonora: A mobilidade como serviço é a unificação de um ecossistema totalmente aberto hoje, com operadores públicos e privados, de transporte de massa e individual – carros, bicicletas e táxis, por exemplo. A partir deste momento, com todo mundo em uma única plataforma, isso vai permitir que o cliente –eventualmente em um processo de dificuldade econômica e sem alternativa de transporte –, possa escolher qual a melhor combinação de modais. No entanto, já vimos antes no Brasil que em qualquer melhora da economia, temos uma queda muito grande no volume de passageiros. Mesmo no transporte público individual, como os táxis, vemos uma perda de passageiros que, muitas vezes, vai preferir se juntar em grupos para ter um serviço porta a porta. E temos de ver o que o nosso cliente quer: um serviço porta a porta, da maneira mais econômica e alguém que oferte isso numa única plataforma. Que consiga integrar informações em tempo real, meios de pagamento e todo o sistema de oferta de mobilidade da cidade: desde a bicicleta, o carro compartilhado, a vaga, se você vai fazer a sua principal distância no metrô ou de ônibus... Então, estamos falando de informação em tempo real e de todos os sistemas urbanos e meios de pagamento em uma única plataforma – com vários provedores públicos, privados, contratados, juntos e competindo em preço e qualidade de serviço em um lugar só. Esse vai ser o pulo do gato. Além de ter uma eficiência dos sistemas – e, talvez, os operadores tenham de reduzir os números agora para ganhar todos juntos ali na frente –, as cidades vão entender que deverão ter um marco regulatório bastante claro. É importante ter as regras do jogo para essa unificação funcionar. Fabiano: Dando continuidade, tudo isso vai demandar muita tecnologia já que estamos falando de geração de dados o tempo inteiro. Este será o papel da tecnologia no setor dos transportes de passageiros a partir de agora? Eleonora: Sem dúvida! Não é possível imaginar a sociedade sem tecnologia. Já falamos de 5G, blockchain, uma série de novas tecnologias que estão engatinhando no transporte público, mas a partir do momento que elas entrarem mais fortemente, não terá como reverter esse processo. Já o início da pandemia representou um salto para o setor de transporte na questão de investimentos em novas tecnologias. Da noite para o dia, as grandes cidades se viram literalmente obrigadas a fazer estes investimentos para poder manter a demanda mínima de passageiros, informando o status do serviço e meios de pagamento online, algo que não existia em muitos lugares. Se formos falar no ciclo inteiro: planejamento de transporte e grade operacional, isso é um mundo de tecnologia que, se não investirmos nessa eficiência no planejamento do transporte, seguramente vamos ter enormes desperdícios – o que não será mais aceito por ser uma questão de sobrevida do setor. Somado a novas soluções de mobilidade, que passa necessariamente pelo on demand, um meio de transporte quase porta a porta, onde se escolhe o local de embarque – com ensaios bem sucedidos no Brasil –, e que traga uma eficiência operacional muito grande. Depois disso, o famoso pricing, que seria a tarifação flutuante, algo que a gente ainda não explora, mas a tecnologia hoje já nos permite. Explorar a lei da oferta e demanda e regular os preços de acordo. O processo de digitalização muito forte, é outra etapa. E, para encerrar este ciclo, a informação ao passageiro, que é fundamental e que, agora, traz novos elementos que são as questões sanitárias e de lotação. Tínhamos exemplos disso em uso, inclusive na cidade de São Paulo, um sistema que indicava a lotação do metrô. Mas agora, a ideia é gerenciar a vontade do passageiro em estar ou não naquele meio de transporte. A informação se torna algo determinante neste momento por outras questões que não estavam sendo atendidas anteriormente. Fabiano: Toda essa conversa remete a um futuro que já começou a ser construído. Eu vou convidar você a viajar até 2050 e imaginar um mundo com 70% das pessoas morando nas cidades, conforme previsão da ONU. O que vai ser a mobilidade urbana em um mundo tão cheio de gente? Eleonora: Bem, se eu vou viajar mesmo e você vai me dar o direito de sonhar, primeiro eu sou muito otimista. E essas tendências aceleradas pela pandemia têm feito as pessoas repensarem a vida nas cidades. Então, espero que tenhamos mais espaços nas cidades. Claro, este sonho precisa de regulação e de estímulo econômico sobretudo para acontecer – ou a gente corre o risco de ser apenas uma visão futurista e chegaremos em 2050 e estarmos discutindo a mesma coisa. É preciso sair do plano da discussão e se tornar realidade. Tem a questão do verde. Termos cidades e os seus sistemas de transporte muito menos poluentes, menos agressivos ao meio ambiente. De fato, é uma questão predominante que a sociedade tem demandado. Eu costumo brincar dizendo que há 20 anos ninguém falava em mobilidade e o transporte era uma coisa que pouco entrava na agenda política: todo mundo falava de educação e saúde. Hoje, as autoridades, governos e candidatos já incluíram o tema na pauta. Então, como isso está na agenda da sociedade agora e estará nos próximos anos, eu desejo um transporte muito mais inclusivo ambientalmente. E da tecnologia ninguém escapa. Eu me lembro que 10 anos atrás, em uma conferência de bilhetagem, falavam sobre meios de pagamento por celular e alguém levantou a mão e disse que, como a maioria das sociedades é pobre – realmente, a penetração dos smartphones nas classes CDE era de 15% naquela época –, ninguém teria aquele tipo de aparelho porque era muito caro. E isso não se confirmou. O que vimos foi uma explosão dessas tecnologias. Muitas delas vieram para ficar e a democratização delas vai permitir a gente viva a experiência, de fato, de um transporte público mais eficiente. E, com isso, teremos uma sociedade mais diferente. A vida nas cidades com um padrão de mobilidade bem diferente do atual. Eu imagino que isso que estamos vivendo pelo segundo ano, de poder escolher os horários de viagem e não ter essa determinação rígida feita pelo sistema, vai permanecer. Então, em 2050, eu me imagino em um veículo elétrico, absolutamente silencioso, com baixas emissões de gases, em uma cidade muito mais limpa, escolhendo o horário em que eu vou viajar, uma viagem completa e unificada, que me permita escolher várias alternativas de transporte. Temos de começar a trabalhar hoje para alcançar isso, mas, de fato, eu gostaria de encontrar estes quatro blocos: a flexibilidade da viagem, veículos tecnológicos, meios de transporte mais limpos e uma total adequação à esta realidade que parece estar se perpetuando para os próximos anos. Fabiano: Muito bem! Então, o futuro da mobilidade tem de ser mais verde, mais eficiente e híbrido, com várias soluções integradas em uma plataforma só. E com muita alta tecnologia por trás, certo? Eleonora: Sim e teremos uma tecnologia espalhada pela sociedade, de uma forma muito mais inclusiva do que é hoje. E seguramente veremos isso mais rapidamente. Fabiano: Bem, Eleonora, muito obrigado. Infelizmente temos que terminar este podcast. Hoje falamos com Eleonora Pazos, Head do escritório da UITP na América Latina, sobre Mobilidade urbana em tempos de pandemia. Eleonora, muito obrigado pela entrevista e por nos ajudar a entender um pouco melhor sobre o impacto de tudo isso que está acontecendo em especial na mobilidade urbana. Eleonora: Muito obrigado, foi realmente muito divertido. Fabiano: Então é isso, espero que você também tenha gostado deste podcast, curta bastante e compartilhe este e outros conteúdos relevantes sobre soluções de tecnologia e infraestrutura digital que postamos no blog INSIGHTS, no site da green4T, e também em nossas mídias sociais. Muito obrigado e até o próximo episódio!
Cidades Inteligentes: Vantagens e Soluções - Episódio 9
Jan de 2021
Olá, seja bem-vindo ao greenTALKS, mais um canal de comunicação e conteúdo da green4T. Esse podcast está disponível no Spotify, em nosso canal no YouTube e também em nossas mídias sociais. Me chamo Fabiano Mazzei e sou jornalista na green4T. Nesta nona edição.. nona edição teremos uma conversa com Aurélie dos Santos, gerente de Smart Cities na green4T, sobre Cidades Inteligentes: Vantagens e Soluções, um panorama sobre este conceito que aplica tecnologia e soluções digitais na gestão e no planejamento das cidades para melhorar a qualidade de vida das pessoas nas áreas urbanas. Fabiano: Olá Aurélie, muito obrigado pela presença! Aurélie dos Santos: Olá, obrigada pelo convite. Fabiano: Muito bem, vamos começar deixando claro para todos que nos ouvem o conceito de Smart City: o que faz uma cidade ser considerada "inteligente"? Aurélie: Então, existem diversas definições, algumas focam mais nas tecnologias que tornariam as cidades mais inteligentes. Outras definições preferem focar no objetivo de melhorar a qualidade de vidas das pessoas e tornar as cidades mais inteligentes através da sustentabilidade, de sua adaptabilidade, além desse uso da tecnologia. Mas em todas as definições que eu já li, tem sempre quatro temas que se repetem em todas as definições: Melhoria da qualidade de vida das pessoas, melhorando os serviços e usando melhor os recursos; Integração entre serviços da cidade; Participação popular; Uso da tecnologia. É interessante a gente destacar uma definição de uma norma, ABNT 37100, que fala que uma cidade inteligente é aquela onde “as decisões são tomadas de forma consistente, com visões de curto e de longo prazo. Além disso, são conhecidas por usar a tecnologia no processo de planejamento, sempre mirando o crescimento econômico e sustentável, sem deixar de considerar os cidadãos”. Na cidade inteligente, os gestores públicos usam tecnologias para tomar decisões operacionais em tempo real e para tomar decisões de planejamento de médio a longo prazo. Esse uso da tecnologia tem por objetivo tornar as decisões públicas e operacionais mais eficientes e mais adequadas à realidade tendo informações na mão. Esse primeiro objetivo permite diretamente e indiretamente melhorar a qualidade de vida das pessoas que moram ou que estão nas cidades. É importante ressaltar que este uso da tecnologia nas cidades se insere num contexto de Transformação Digital que está acontecendo no mundo já há alguns anos. E o que é essa transformação? É um contexto que implica o uso de três camadas de tecnologias: a primeira camada é quando temos dispositivos que capturam dados através de uma rede de conectividade – seja wi-fi, 4G, rádio. Então estes sensores, câmeras capturam e comunicam dados: é o que chamamos de Internet das Coisas ou IoT, em inglês. Um exemplo fácil é o GPS do ônibus, que envia sua localização em tempo real. Isso é um ambiente IoT. Ele permite vários usos dos dados do ônibus para a gestão operacional e o planejamento da mobilidade nas cidades. Os dados sobem para uma segunda camada onde são armazenados, processados e estruturados na infraestrutura de TI como data center ou nuvem. Enfim, na terceira camada, as informações armazenadas viram insights e podem ser utilizados para realmente trazer a inteligência na cidade. Então, não é só a tecnologia que torna a cidade inteligente, mas a uso da tecnologia e o uso dos dados para operar e planejar a cidade. É isso que a torna inteligente. Esses dados podem ser integrados dentro de uma plataforma. Visualmente, essa plataforma é composta por mapas, dashboards, tabelas e relatórios que permitem a tomada de decisão do gestor público. Se essa plataforma está sendo utilizada dentro de um centro de comando e controle, ou centro de gestão onde convergem as informações – e onde todos os atores e gestores envolvidos se juntam e têm uma visão única –, isso traz inteligência para a cidade. Tudo isso faz parte da terceira camada. As áreas mais comuns de aplicação de tecnologia de cidade inteligente são a gestão do tráfego, a mobilidade, a gente ouve bastante falar de projetos de iluminação inteligente também. Então, por exemplo, na gestão de tráfego temos as câmeras, os radares integrados aos centros de gestão de trânsito. Na mobilidade, os usuários têm cada vez mais informações em tempo real, mais modais de transporte compartilhados como bicicleta, por exemplo, que usam estas tecnologias. Um sistema de bicicleta pública e compartilhada é um modal de transporte que usa as tecnologias das três camadas da Transformação Digital que eu comentei mais cedo. A iluminação pública aplica também conceito de cidade inteligente quando os postes, por exemplo, comunicam dados de consumo a um centro de gestão da cidade, quando usam LED para consumir menos energia, quando se tem sensores para medir o nível de iluminação de acordo com a presença de pessoas ou não... Fabiano: Entendi. Aurélie, de que forma prática toda essa aplicação tecnológica pode melhorar a vida das pessoas no dia a dia das grandes cidades? Aurélie: Como comentei antes, o uso das tecnologias vai diretamente ou indiretamente melhorar a qualidade de vida das pessoas. Então, diretamente, se os dados de localização via GPS do ônibus são compartilhados e podem ser utilizados em tempo real em aplicativos e serviços diversos de informação, o usuário vai se organizar melhor tendo essas informações e, se tiver um problema, ele pode tomar uma decisão de mudança de trajeto ou de modal de transporte para facilitar, adaptar e acelerar o trajeto e a vida dele. Se tem um acidente na avenida principal da cidade, com os dispositivos de monitoramento e com um centro de gestão operacional da cidade, o gestor do tráfego, os bombeiros e a polícia vão poder tomar decisões mais rapidamente, de forma eficiente e centralizada. Assim, vidas poderão ser salvas mais rapidamente, o tráfego poderá ser reorganizado mais eficientemente e a avenida poderá ser liberada também mais rapidamente. Mas a tecnologia e os dados não são utilizados somente para aplicações imediatas e em tempo real. Fabiano: Então, aproveitando esse gancho, como estas soluções podem atuar no médio e longo prazos para a transformação das cidades? Aurélie: Os dados em tempo real podem virar histórico de dados e existem também dados que não têm valor em tempo real, mas que são importantes serem analisados para o planejamento da cidade e dos serviços públicos a médio e longo prazos. Onde precisa de mais creches ou serviços ligados à infância, por exemplo, não precisa ter a taxa de natalidade em tempo real. Mas para fazer um planejamento de médio e longo prazo é uma informação que se o gestor tem ela facilmente, mapeado com relatórios adequados, pode ajudar no planejamento que vira mais inteligente. É bom saber onde estão ocorrendo os acidentes na rua para poder ajudar e organizar a atuação operacional o mais rapidamente possível – como comentei antes –, mas é bom ter todos os acidentes dos últimos anos mapeados para poder fazer um planejamento viário adequado e diminuir a taxa de acidente. Então, a gente pode observar que a tecnologia utilizada está presente transformando e acelerando vários aspectos do nosso dia a dia, facilitando a vida das pessoas. Fabiano: Ótimo, Aurélie, vamos olhar para o mundo agora: quais cidades são consideradas as mais inteligentes hoje e quais os projetos que elas desenvolveram que mais chamaram a sua atenção? Aurélie: Então, antes de citarmos os exemplo, acho interessante destacar dois tipos de cidades de modo geral. Primeiro, as cidades planejadas e novas que usam o conceito de inteligência para produzir energia, utilizar o menos possível energia tentando tornar a cidade sustentável ao máximo utilizando as novas tecnologias Temos o exemplo famoso de Songdo, na Coréia do Sul. A infraestrutura de rede da cidade inteira utiliza tecnologias avançadas, os edifícios – sejam comerciais ou residenciais – têm seus subsistemas conectados com a rede de energia, então, o alarme de incêndio manda informações em tempo real e isso reduz o custo de manutenção e traz mais segurança. Os edifícios residenciais têm gerenciamento de consumo de energia de cada apartamento, com ajustes diversos quando o morador está na própria casa ou fora de casa. Ele pode ajustar a luz ou o ar condicionado, por exemplo. E já em 2013, os apartamentos, escolas e edifícios comerciais estavam equipados com sistemas de vídeo para diminuir a necessidade de deslocamento e, assim, reduzir a emissão de carbono da cidade. Fomos meio que forçados a fazer isso devido a pandemia, mas os moradores de Songdo já tinham essa opção há nove anos. O outro tipo de cidade é a antiga, que já existe, que já é densa e não foi pensada para utilizar e integrar todas essas tecnologias. Então, a pergunta é como transformar estas cidades antigas, até históricas, em cidades inteligentes? As cidades europeias e asiáticas já fazem, é possível, mas são transformações diferentes a serem pensadas, comparado às cidades que são pensadas no zero. Em vários rankings de cidades inteligentes, Nova York –que é uma cidade já mais antiga, no sentido que ela não está sendo construída agora –, é considerada como uma das mais inteligentes cidades do mundo. Isso pela sua infraestrutura como, por exemplo, a rede semafórica com sensor de trânsito, que sinaliza qual via tem mais carros e, então, o sinal verde se torna mais demorado que a outra via onde tenha menos carros. Mas isso existe também em várias cidades no mundo, como na Holanda, que são menores que Amsterdã e ainda mais antigas que Nova York. Então, ser cidade inteligente é também ter alguma agência ou estrutura municipal que conecta os diversos atores do ecossistema de inovação que sejam start ups, empresas global tech ou as próprias comunidades. Em Nova York tem o New York Cityx para isso. Nova York oferece aos moradores de habitação de interesse social, com aplicativos para gerenciar todos os serviços ligados à habitação municipal. Isso faz parte de uma cidade inteligente, ter estes serviços públicos digitais. Ela oferece sensores de consumo de água no espaço público, por exemplo. Então, se tem um vazamento, fica mais rápido de consertar. Essa cidade tem também dados abertos muito diversos que permitem essas inovações, como a localização de mobiliário de rua, locais com autorização para se ter cachorro, nível de poluição do ar, enfim, é bem diverso. Fabiano: Muito bem, agora a gente precisa colocar o Brasil neste contexto e neste mapa de transformação das cidades. Quais as iniciativas aqui podemos destacar dentro deste conceito 'smart'? Aurélie: De maneira mais geral eu acho que ultimamente, e talvez ainda mais devido à pandemia, os profissionais brasileiros tanto do lado público quanto do lado privado falam cada vez mais desse conceito de cidade inteligente. Acho que isso é um passo básico, mas importante para tornas as nossas cidades mais inteligentes. A legislação está sendo adaptada para incentivar ou ajudar na aplicação de tecnologias, com diretrizes e financiamentos. Por exemplo, em dezembro de 2020, a Carta Brasileira de Cidades Inteligentes – que propõem diretrizes e uma ideia do que poderia ser a cidade inteligente no País – foi lançada. Existem laboratórios, agências, que estão sendo montados para incentivar inovações e projetos novos. Por exemplo, tem o Mobilab, em São Paulo, que já tem há alguns anos; o HUB em Salvador e em Curitiba. Falando de Salvador, essa cidade lançou um dos primeiros editais para uma consultora realizar o PDTCI: o Plano Diretor de Tecnologias para Cidades Inteligentes, que é um passo importante rumo a transformar Salvador em cidade inteligente. Esses laboratórios são interessantes porque as inovações que estão sendo pensadas e criadas lá podem ser mais adaptadas ao contexto urbano em quais elas estão. Outro ponto interessante é cada vez mais cidades brasileiras estão interessadas em ter centros de operação ou gestão integrados que permitam ter mais eficiência e adequação na atuação das cidades. Estes centros são passos para que as cidades se tornarem mais inteligentes. Fabiano: Muito bem, infelizmente o nosso tempo acabou e precisamos nos despedir. Conversamos aqui com Aurélie dos Santos, gerente de Smart Cities na green4T, sobre Cidades Inteligentes: Vantagens e Soluções. Um tema muito interessante e que, com certeza, ainda renderá ainda muitas outras conversas por aqui. Aurélie, foi um prazer, muito obrigado pela presença e por compartilhar os seus conhecimentos aqui conosco. Aurélie: Muito obrigado você e espero que tenhamos mais podcasts sobre o tema. Fabiano: Com certeza, então é isso, convido você a continuar a acompanhar o nosso podcast e também outros conteúdos relevantes sobre a tecnologia da informação no blog INSIGHTS, no site da green4T. Nós esperamos que tenha gostado desta edição. Muito obrigado e até o próximo programa!
Como a tecnologia pode ajudar o planeta?
Mai de 2021
A recente Cúpula do Clima convocada pelos Estados Unidos no final de abril, cobrou das grandes potências econômicas mundiais ações mais efetivas nas próximas três décadas visando a redução real das emissões de gases do efeito estufa (GEE), com o objetivo de controlar o aquecimento global em 1,5ºC até 2050. Em meio a discursos, promessas e anúncios importantes, o evento deixou um alerta bastante claro: é preciso acelerar a transformação sustentável dos processos produtivos, da matriz energética dos países e do próprio modo de vida da sociedade, para que se viabilize o equilíbrio entre a existência humana e a preservação do planeta. O assunto é a agenda prioritária mundial deste século no pós-pandemia e envolve todos os setores da economia: de fabricantes de carros a produtores agrícolas; da indústria têxtil aos gigantes da internet. Mexe, sobretudo, com o setor energético, cuja reinvenção é crucial para o sucesso de uma missão que coloca todas empresas sob a mesma bandeira: a da longevidade econômica. Leia mais em: A transformação digital da indústria de óleo e gás Em linhas gerais, a combinação de produtividade com baixo impacto ambiental, o controle mais rigoroso sobre o consumo de recursos naturais e a inauguração de um novo jeito de viver das pessoas deve contribuir na diminuição dos efeitos das mudanças climáticas que estão porvir. Trata-se, portanto, de uma corrida contra o relógio ambiental cujos ponteiros não podem ser simplesmente parados. É possível, no entanto, que se desacelere o ritmo e se diminua o impacto dos acontecimentos. Para isso, é fundamental se criar uma consciência situacional antecipada, que permita a tomada de decisão de forma mais assertiva para a implantação de estratégias inteligentes e ágeis de mitigação. Neste contexto, um dos agentes mais habilitados a colaborar com governantes, empresas e sociedade é a tecnologia.
A importância da TI verde
Mar de 2021
A era digital e a agenda ambiental têm exercido uma forte pressão sobre a indústria de TI. Se por um lado, empresas e organizações clamam por mais capacidade dos data centers – em razão do aumento exponencial da geração de dados –, por outro, ambientalistas têm observado mais atentamente como o setor vem buscando reduzir a sua pegada de carbono. Portanto, ser mais eficiente e mais "verde" é a ordem do dia para quem vive de processar dados. Levantamento recente da ONG Greenpeace revela que a indústria de TI consome cerca de 7% da energia elétrica produzida no planeta. Outro dado indica que o setor responde também por 1,4% das emissões de gases do efeito estufa. O índice pode ser considerado baixo, mas cabe um alerta. Se na comparação entre setores, um voo transatlântico ida e volta gera carbono equivalente a 50 anos de uso de um smartphone, é verdade também que apenas 10% da população mundial atravessa os oceanos de avião. Enquanto 80% das pessoas no planeta usam um telefone celular inteligente todos os dias. A diferença na pegada de carbono ainda é grande, mas vale destacar que a digitalização da economia é um fenômeno irrefreável e de crescimento acelerado. Por isso, o alerta é válido.
A busca pela eficiência
Nov de 2020
Produzir mais com menos - a chamada eficiência - é a meta de qualquer empresa ou organização no mundo atual. Não somente por conta dos benefícios óbvios decorrentes desta prática, mas também por atender a uma das agendas mais importantes deste século: a da sustentabilidade. A pauta é relevante e mira o futuro das gerações. Basta assistir ao noticiário para se ter uma dimensão real do problema que se agrava. As mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global - resultado do modo de vida que abraçamos desde a primeira Revolução Industrial, em 1850 - têm gerado fenômenos meteorológicos inéditos em diversas regiões do planeta. São secas, tempestades e tornados que causam desastres naturais com impactos extremos na economia dos países, colocando em risco o amanhã de seus habitantes. Para mitigar isso, a alternativa seria mudar o jeito de viver da sociedade moderna - sabidamente um processo complexo e de longo prazo. Outra estratégia seria modificar a maneira como produzimos as coisas de que acreditamos precisar tanto para viver. É neste ponto que a busca pela eficiência produtiva se torna fundamental. Agricultura 4.0, economia digital, 5G, a internet das coisas, toda uma revolução tecnológica que tem moldado a forma de viver das pessoas e tornado os processos produtivos mais eficientes e menos traumáticos ao planeta. A atuação da tecnologia no agronegócio, por exemplo, mostra como a inovação se revela a chave para potencializar a produção de alimentos sem causar uma devastação desnecessária do meio ambiente. Em outros setores da economia, o fenômeno é semelhante: a indústria e o setor de serviços, cada vez mais digitalizados e online, registram ganhos de produtividade altíssimos - graças a acelerada Transformação Digital -, com índices de emissão de gases poluentes em escala substancialmente menores.
Sustentabilidade & Eficiência energética
No modelo atual, a infraestrutura de TI será, até 2025, responsável por 1/5 do uso global de energia. Precisamos ter uma mudança de paradigma com relação ao consumo energético de data centers.
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Infraestrutura Digital
Com a transformação digital, armazenar e processar dados para extrair informações é vital para as organizações. Data centers são a infraestrutura onde esse processo acontece.
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A importância da manutenção pós-garantia do data center - Episódio 16
Mai de 2021
Fabiano: Olá, seja muito bem-vindo, bem-vinda a mais um episódio do podcast greenTALKS. Este conteúdo está disponível nos nossos canais da green4T no Spotify, no YouTube e também em nosso blog Insights. O tema deste podcast são os serviços de manutenção pós-garantia para equipamentos, componentes e peças de data center. Vamos falar sobre essa solução e sua relevância para as empresas e organizações. Para esta conversa, convidamos Juan Antonio Reybaud, Especialista em Serviços de Tecnologia e Infraestrutura da green4T e que fala conosco direto de Buenos Aires. Juan, muito obrigado pela sua presença e por aceitar o convite. Juan: Olá, obrigado a vocês pelo convite! Fabiano: Só explicando, o Juan é argentino, mas com família brasileira, então, eventualmente vamos ajudá-lo em algumas palavras para que todos nos compreendam da melhor forma. Juan: Eu acho que meu português está bem, visse, Fabiano? Fabiano: Está muito bom mesmo. Mas vamos lá: Juan, para começar, como podemos definir um serviço de manutenção pós-garantia para equipamentos de data center? Quando ele surgiu e como ele é encontrado no mercado hoje? Juan: Então, Fabiano, para começar a falar sobre a pós-garantia, eu acho que primeiro é necessário explicar um pouco do ciclo de vida do hardware. Uma vez comprado, ele vem com garantia de três a cinco anos, dependendo do fabricante. Quando essa garantia expira, o cliente pode renová-la, com preços que a cada ano vão incrementando de maneira exponencial. Uma vez que essa extensão de garantia chega ao fim, o fabricante decreta uma renovação ou uma data de ´end of service life. Quando as renovações finalizam, o equipamento chega nessa data de fim da vida útil. Então, a partir dali, o cliente tem duas opções: ou compra um equipamento novo e faz um refresh do data center, ou continua usando o equipamento sem o suporte da fabricante. E não é novidade que o principal objetivo do fabricante é, uma vez decretado esse fim de vida útil, orientar o cliente a fazer a renovação com a compra de um equipamento novo. O serviço de pós-garantia é basicamente uma garantia estendida sobre storage, servidores ou equipamentos de networking que estão dentro desse ambiente de TI, de data center. É um serviço que pode começar ao final da garantia inicial ou mesmo quando se decreta o fim da vida útil. Com respeito ao surgimento, este é um modelo de serviço que nasce na década de 1990, quando um grupo de ex-funcionários dos principais fabricantes acharam esse nicho de mercado, uma oportunidade nascida da necessidade justamente de muitas empresas de continuarem usando os equipamentos após essa data que determina o fim da vida útil pelo fabricante. Este é um serviço relativamente novo para a nossa região, apesar de ter mais de 30 anos de funcionamento nos Estados Unidos. O verdadeiro boom deste modelo foi após ele ser publicado no Market Guide for Data Centers, em 2016. A partir dali, esse modelo teve um crescimento exponencial. Fabiano: Perfeito, vamos aproveitar que isso é algo relativamente novo aqui na região para explicar como funciona na prática este serviço? Juan: Na “prática” funciona como uma apólice de seguro. É um serviço que inclui todas as peças de reposição, caso exista algum incidente, junto com o serviço técnico especializado para deixar o equipamento em funcionamento caso exista algum tipo de problema com ele. Junto a isso, existe a possibilidade que alguns fornecedores oferecem de associar uma solução ou uma ferramenta de monitoramento automatizado para detectar de forma proativa qualquer falha que possa acontecer, abrindo um chamado automaticamente e informando para o engenheiro e para o cliente qual o tipo de incidente. Uma vez avisado, a ferramenta aciona automaticamente essa visita técnica e um engenheiro é enviado para o cliente para solucionar o incidente em questão. Fabiano: Certo, vamos entender, então, quais as vantagens em se adotar um serviço de manutenção pós-garantia de data center, Juan? Juan: Eu vejo uma vantagem operacional em ter toda a experiência simplificada que esse tipo de modelo oferece aos gestores de TI. É um ponto único de contato para resolver todas as incidências, independentemente da marca ou do equipamento. Aí outra grande vantagem é que o end of service life, ou fim da vida útil, não é mais um limite derradeiro para o uso do equipamento. Mas eu acho que as vantagens mais importantes são a financeira – que é uma redução imediata do output ou custos operacionais – e o alívio no capex, na hora de postergar esse refresh do equipamento. Assim, você otimiza o uso e destina o capex em outros projetos dentro do departamento ou da área de TI. Fabiano: Perfeito, Juan. Bem, acredito que possa haver uma noção equivocada de quem nos ouve de que este é um serviço que só serve para as grandes empresas. Isso é verdade? Juan: Não, toda empresa que tem a infraestrutura on premise, ou seja, servidores, storage ou equipamentos de networking, independente do porte e do tamanho do parque, tem grandes benefícios na hora de contratar esse tipo de serviço. Toda a área de TI que precisa prolongar a vida do data center, é um potencial cliente desta solução. Tanto empresas privadas, como organismos públicos. Só para te dar uma referência, 90% das empresas da lista Fortune 500 e 30 empresas da Forbes 100 incluem esse tipo de serviço na sua estratégia de manutenção de data center. Eu tenho um case para comentar que é bem recente: no Japão, uma importante empresa do setor de serviços financeiros teria de lidar com um iminente refresh ou atualização de compra de equipamentos novos, dos seus equipamentos de rede a um custo de US$ 40 milhões. Os gestores consideraram várias opções e perceberam que precisavam de mais tempo para tomar uma decisão. Foi quando contrataram um serviço de manutenção pós-garantia e, assim, conseguiram adiar os custos de capital e ganhar o tempo necessário para fazer uma avaliação mais correta sobre onde gastar o dinheiro. Muitas organizações públicas usam esse tipo de serviço, desde prefeituras locais até a maior agência aeroespacial do mundo dos Estados Unidos. Vale para todo mundo. Fabiano: É uma solução com um espectro muito amplo, não? De uso e de acesso. Juan, para entender e para finalizar, por que é tão importante empresas, organizações de qualquer, tamanho buscarem esse tipo de serviço? Juan: Então, eu acredito que todo serviço que ajude na otimização do budget é essencial. Ainda mais hoje em dia, na situação e no contexto em que todo mundo está vivendo, ter um parceiro que possa oferecer esse serviço com a qualidade melhor ou igual ao dos fabricantes e, além disso, representar uma economia de 30% a 50%, é um grande diferencial. As maiores consultoras de TI do mundo recomendam considerar a estratégia de manutenção híbrida, com a fusão entre o suporte do fabricante e um parceiro que consiga oferecer esse tipo de serviço de manutenção pós-garantia. E eu acho muito importante, Fabiano, ressaltar que o parceiro não vem para substituir o fabricante, mas para complementar a estratégia de manutenção e atuar onde o fabricante deixa de atuar. Fabiano: Realmente, economia de 30% a 50% não é algo desprezível nem agora e nem em momento nenhum! Muito bem, acho que a gente conseguiu dar em um bom panorama do que é essa solução e eu gostaria, então, de agradecer: conversamos aqui com o Juan Antonio Reybaud, que é Especialista em Serviços de Tecnologia e Infraestrutura aqui da green4T, sobre o serviço de manutenção pós-garantia para equipamentos de data center. Para quem gostou do podcast e também gostou do sotaque pernambucano e argentino, uma mistura muito bacana, esse foi o nosso grande especialista Juan, a quem eu agradeço a presença. Juan: Eu que agradeço a vocês, Fabiano, muito obrigado pela oportunidade. Fabiano: Então é isso, espero que você também tenha gostado deste podcast, curta bastante, compartilhe este e outros conteúdos relevantes sobre tecnologia que postamos no blog INSIGHTS, no site da green4T, e também em nossas mídias sociais. Muito obrigado e até breve!
Como evitar os danos gerados pelo incidente no maior provedor de nuvem da Europa?
Abr de 2021
Quando as chamas que consumiram quase metade do complexo de data centers francês OVHCloud – o maior provedor de computação na nuvem da Europa –, foram controladas, na manhã do dia 10/03 deste ano, uma pergunta invadiu os pensamentos de gestores de tecnologia e CIOs das empresas pelo mundo afora: será que a minha infraestrutura de TI está segura e livre deste tipo de catástrofe? Naquela altura, enquanto mais de 100 bombeiros faziam o rescaldo do fogo que consumiu por completo cinco pavimentos de um dos quatro centros de dados da planta em Strasbourg, o comitê gestor de risco da empresa francesa entrava em contato com os clientes – bancos, indústrias, varejistas online e órgãos governamentais de países como o Reino Unido, a Polônia e a própria França – para dar orientações quanto a implantação dos seus planos de recuperação de desastres (Disaster Recovery Plan). Foi uma noite longa e um dia seguinte tenso para tentar remediar o impacto de um evento que deixou dezenas de milhares de sites e aplicações inoperantes num piscar de olhos. Passado mais de um mês do acidente, as causas do incêndio ainda não foram identificadas pela polícia local e isso tem feito aumentar o nível de inquietação de acionistas e stakeholders de companhias cujo core do negócio está intimamente ligado ao processamento de dados. A preocupação tem razão de ser: em um mundo cuja economia está cada vez mais data centric, proteger devidamente a integridade dos dados não é atributo, mas uma exigência de quem tem bilhões de dólares a perder.
Cloud privada: benefícios e aplicações - Episódio 13
Mar de 2021
Olá, seja bem-vindo ao greenTALKS, mais um canal de comunicação e conteúdo da green4T. Este podcast está disponível no Spotify, em nosso canal no YouTube e também em nossas mídias sociais. Me chamo Fabiano Mazzei e sou jornalista na green4T. Esta é a décima terceira edição do podcast e o assunto de hoje é Cloud Privada – benefícios e aplicações de uma solução que vem ganhando destaque na indústria de TI. Esta é uma edição especial do podcast onde contaremos com três especialistas para comentar o tema. A gente começa com Carlos Eduardo Chicaroni, Gerente de Soluções de Tecnologia na green4T, com Carlos Eduardo Dumard, também Gerente de Soluções de Tecnologia no grupo, e Leonardo Andrade, Arquiteto de Infraestrutura de TI. Fabiano: Pessoal, muito obrigado pela presença de vocês todos aqui no podcast. Carlos Eduardo Chicaroni: Obrigado, Fabiano, a gente que agradece mais uma vez em estar aqui com o time e, em especial, essa edição com os três juntos, os senhores do "porão da tecnologia", isso é muito sensacional! Carlos Eduardo Dumard: Fabiano, agradeço mais uma vez a oportunidade de participar do podcast, e é uma honra estar aqui com estas mentes, Cadu Chicaroni e Leonardo Andrade. Muito obrigado! Leonardo Andrade: Satisfação, Fabiano, em participar do nosso podcast e encontrar nossos grandes amigos aí, os "Cadus". Fabiano: Maravilha! E já que você, Léo, é o estreante, quem começa respondendo é você: na sua visão, qual é o conceito da 'cloud privada'? Leonardo: Perfeito. Eu identifico que o mercado ainda possui algumas dúvidas sobre o que realmente significa este termo, como a nuvem privada é composta, qual o tipo de arquitetura, suas características e o que a define. Na minha visão, a nuvem privada é um dos modelos possíveis – e, no meu ponto de vista, um dos melhores para se trabalhar com a computação em nuvem – porque este modelo nos promove maior exclusividade, capacidade, personalização, fornece uma opção de trabalhar com uma computação de alto desempenho na nuvem e possui maiores requisitos de segurança para o cliente. Mas essas características também são valores de nuvens públicas? Se olharmos superficialmente, num primeiro momento diríamos que sim. Entretanto, quando a gente se aprofunda um pouco mais tecnicamente e analisa os detalhes com mais calma, a gente percebe que as ofertas padrão de nuvem pública não coadunam com as premissas que compõem a classificação de uma nuvem privada. A nuvem pública tem alguns valores parecidos mas não chega a atender a requisitos muito específicos. Essa é a minha visão do conceito de nuvem privada. Dumard: Só fazendo um adendo a essa visão do Leonardo, a nuvem privada – apesar de conter o termo "privado" – não especificamente precisa estar em um ambiente on premise. Pode estar em um ambiente off premise desde que os recursos destinados para aquele objetivo sejam privativos. Ou seja, para aquele determinado cliente ou infraestrutura de cloud, digamos assim. Fabiano: Muito bem, vamos para a segunda pergunta então: quais são as vantagens do modelo e em quais circunstâncias este modelo é mais adequado, é melhor aplicado? Vamos começar com você, Chicaroni? Chicaroni: Bom, a nuvem privada traz uma série de vantagens sobre a nuvem pública. No meu modo de ver – e depois a gente consegue falar aqui com o Léo e com o Cadu Dumard para enriquecer essa visão – a nuvem privada começa dando maior sustentabilidade ao nosso ambiente, uma vez que está on premise, a gente obtém maior controle e não só do teu recurso; a gente garante toda a performance que precisa para operação daquele negócio; garante um maior nível de segurança, uma vez que a gente não está compartilhando essa infraestrutura com absolutamente ninguém, que é o que acontece na nuvem pública. Você está comprando um serviço, um espaço dentro de um servidor – a gente não pode esquecer que uma "nuvem" nada mais é que um bando de servidores rodando hypervisors distintos – compartilhando recursos com outros clientes. Então, quando a gente tem isso "dentro de casa", a gente consegue cercar esses assuntos de uma maneira muito eficaz. É ter total controle do teu ambiente, entregando todas as facilidades que uma nuvem pública entregaria: como entregar recursos, escalabilidade, elasticidade – porque a sua infraestrutura vai ser dimensionada para rodar o que você precisa mais um recurso de folga e, então, no período sazonal você consegue entregar mais serviço, mais capacidade de processamento e armazenamento, e depois, quando isso não é mais utilizado, você retorna isso para dentro de um pool para ser usado em um outro momento. Dumard: Então, uma das vantagens também do modelo de se iniciar com uma cloud privada é você promover efetivamente o que a gente chama de "Cloudfication" da infraestrutura: partir de um modelo quiça virtualizado, mas ainda não com uma aderência tão completa em cima de um ambiente de cloud, com gestão de recursos no modelo de cloud, é uma vantagem e já prepara a tua infraestrutura para trabalhar de maneira híbrida. Inclusive multicloud. Aliás, seria legal fazer um adendo: hoje muito se pergunta o que seria hybrid cloud, multicloud e cloud. Quando a gente fala de multicloud, a gente se refere a clouds distintas. Hybrid cloud é sobre uma interoperabilidade entre estes ambiente de cloud. Então, você iniciar com uma cloud privada já facilita e te prepara um caminho para se partir para um ambiente hybrid ou multicloud. Chicaroni: Pegando o seu gancho, então, a gente tem muitas soluções de edge. Com a nuvem privada, a gente consegue trazer essa infraestrutura, essas facilidades e a gente começar a trazer o legado para dentro dela – fazer essa migração paulatinamente – e, aí, soluções que a gente tem de trabalhar com edge, a gente expande esse conceito da nuvem, mantendo ela privada, mantendo nossas infraestruturas e conectividade, mas lá na ponta eu começo a ter isso de forma híbrida: eu tenho o on premise lá na pontinha, eu tenho a nuvem privada tomando conta de tudo e aí a gente faz essa interligação. É mais ou menos isso que você está falando, Dumard, certo? Dumard: É exatamente isso. A cloud privada pode coexistir em todas essas infraestruturas híbridas que uma empresa ou instituição detenha, tanto em edge como no core, enfim. Ela permeia toda essa infraestrutura de tecnologia sendo efetivamente um ambiente híbrido. Fabiano: Dumard, aproveitando então o seu gancho, quais seriam esses benefícios da nuvem privada para uma infraestrutura híbrida? Dumard: Eu acho que, hoje, pensar de maneira híbrida é fundamental. A gente fez um podcast que, inclusive, a gente comentou sobre este tema (Clique aqui para acessar o Episódio 10 – Infraestrutura Digital – Carlos Eduardo Dumard) e o benefício é justamente este: uma vez que você viabilizou o seu caminho para uma infraestrutura de nuvem privada, trabalhar com infraestruturas híbridas facilita a coexistência e interoperabilidade entre estes ambientes, como o transbordo e a estruturação de resiliência em cima desse modelo de infraestrutura. Então, os benefícios de se trabalhar com uma infraestrutura híbrida – estruturada com um modelo de cloud – traz velocidade, escalabilidade e resiliência para as operações de TI. Leonardo: Concordo com a visão do Dumard e do Chicaroni, e gostaria de frisar para quem nos acompanha é que uma das características principais deste modelo é o isolamento de recursos. Óbvio, pode haver a disposição de alguns serviços de forma pública – para a internet ou atender requerimentos de parceiros e clientes –, contudo, toda a gestão de uma nuvem privada é isolada. E você consegue a partir disso mitigar alguns problemas de segurança, atender alguns requisitos interessantes e importantes para os setores. Nada impede que você consiga mesclar o seu modelo – infraestrutura tradicional, nuvem privada, pública, contudo, mantendo o isolamento dessas camadas, desses ambientes. Isso é importante frisar. E a cloud privada já nasce com esse viés da segurança, personalização, isolamento. Ela tem um planejamento diferenciado. Fabiano: Para aproveitar esse seu gancho então, Leonardo, tem essa dúvida muito comum: o que é mais seguro, nuvem pública ou privada? Como é que você pode ajudar quem nos acompanha a entender isso melhor? Leonardo: Excelente colocação, Fabiano. As nuvens privadas são mais seguras. Como podemos afirmar? Existe um planejamento, uma arquitetura, ela atende a determinadas normas que a nuvem pública pode atender também, contudo, elas deixam de ser uma oferta padrão. Por isso, são menos atrativas do ponto de vista financeiro. E existe um outro ponto dentro disso. Quando o planejamento está sendo feito, se pública ou privada, é preciso ter em mente que a cloud pública é uma nuvem de terceiro: não foi desenvolvida junto com você. É uma oferta padrão de um player que está fazendo o provimento dos recursos, o que pode mudar de acordo com as regras dele, dependendo do país onde estiver, conforme as normas governamentais, institucionais e jurídicas do país. Pegando o gancho no comentário do Dumard, de contar com este serviço dentro de casa ou de um parceiro como a green4T, ele vai ter todo este planejamento junto conosco. Nós vamos entender o negócio do cliente, de suas necessidades, das normas locais de segurança que ele tem de cumprir. Então, ele terá maior confiabilidade neste aspecto, o que eleva bastante o patamar de segurança, ao contar com um controle maior do que está acontecendo e não de algo que está super distante. A nuvem privada não precisa estar dentro de casa, embora tenhamos a questão do Cloudfication, mas a diferença está nisso: a segurança de se estar assistindo o que é feito e na outra opção, de apenas confiar de que alguém fez. Chicaroni: Eu só queria pegar um gancho aqui do Léo que ele explanou muito bem e que é extremamente importante: na nuvem pública você está partilhando o seu ambiente e você pode ter feito tudo certo para se proteger, mas e o meu vizinho? Não é incomum você encontrar relatos na internet sobre a empresa que foi vazada, foi hackeada, porque o vizinho do lado não estava protegido. O hacker conseguiu o acesso por esta empresa e acabou entrando no meu contêiner lá na nuvem pública. Leonardo: É uma oferta padrão. Se você tem um sistema de gestão de segurança e o provedor da nuvem sofre uma violação de segurança, isso afetará todo mundo e a chance disso acontecer é muito grande. A nuvem pública não é personalizada: não foi pensada especificamente para aquele cliente, mas para atender de uma forma global. Então, isso é muito importante: o pessoal precisa ter essa consciência no momento da escolha. Imagine uma instituição pública ou financeira – cada qual com seus níveis de segurança requeridos – como vai poder confiar? Isso tudo precisa ser considerado. Não adianta o provedor ser certificado. É preciso contar com um especialista, um arquiteto desenhando a solução de ponta a ponta considerando exatamente isso. Quem me garante a segurança do acesso físico ao data hall em um provedor público, por exemplo? Eu não estou vendo, vou ter de confiar apenas, por serem certificadas ou serem provedores de renome. Mas já vimos isso acontecer com essas grandes empresas também. Chicaroni: Este é outro ponto importante. Em um provedor público, os especialistas estão atendendo mais um X número de outros clientes. Ou seja, você é mais um na fila, com um número de priorização e ele não será elevado se quem estiver acima for maior do que você. Estes são fatores que precisam ser levados em consideração na hora de decidir quanto a nuvem pública ou privada e, no meu ponto de vista, a segunda opção sempre sairá ganhando. Não tem como. Fabiano: Maravilha. Bem, para terminar, já que estamos caminhando para o final do podcast, quais setores econômicos e organizacionais se beneficiariam mais com a adoção da Cloud Privada? Dumard: Fabiano, eu acho que hoje muitas organizações se perguntam se devem estruturar uma cloud privada ou pública. E como eles comentaram, é preciso se considerar diversos fatores como segurança e arquitetura. Estar na cloud pública – mesmo que de um grande provedor – não significa estar seguro ou que se tenha todo o arcabouço necessário para garantir a sua infraestrutura. Diante de todos os benefícios da cloud privada, acho que todos os setores e organizações se beneficiam da adoção deste modelo. Primeiro, porque traz toda essa questão da resiliência que comentamos ao longo deste podcast e a capacidade de trabalhar com recursos com escalabilidade mais rápida. Há uma quebra de paradigma de se trabalhar com uma infraestrutura dedicada e começa a estruturar a área de tecnologia de forma muito mais elástica, móvel, que permite trabalhar com sazonalidade de recursos com maior gestão sobre eles – para mensurar o custo de cada um deles ou destinado a determinado departamento ou área da empresa. Os benefícios são esses: ter resiliência e mobilidade entre infraestruturas distintas – quando você já promoveu a Cloudfication –, além de ter essa escalabilidade com maior controle sobre os recursos e os investimentos sobre eles. Chicaroni: Concordo com o Dumard. Acho que todo mundo tem como se beneficiar ao adotar uma cloud privada, mas sempre levando em consideração que tipo de serviço eu vou rodar nessa estrutura. Se estivermos falando de uma instituição que precisa muito de virtualização de desktop para fazer a entrega dele ao cliente ou colaborador remoto – ainda mais em tempos de pandemia –, é interessante você ter isso dentro de casa e sob o seu controle, gerenciando os seus próprios recursos. Faz todo sentido. Isso coloca na discussão um leque gigantesco de instituições, desde pequenas empresas que têm soluções de desktop virtualizado – e não precisam ser as mais consagradas do mercado – até bancos, por exemplo, que fazem essa entrega ao cliente remoto. Porque você consegue ter mais segurança, consegue controlar melhor a sua máquina virtual de uma maneira mais eficiente. E isso, dentro de uma cloud privada, é o caminho. Leonardo: Concordo, perfeito. É aquela questão que conversamos bastante, do controle do fluxo de dados: por onde vai passar, quem observa, quem tem acesso ao ambiente para eventuais suporte e manutenções, tudo isso precisa ser extremamente considerado. E eu tenho a convicção de que o modelo de nuvem privada é muito forte neste sentido. É isso, o pessoal precisa saber o que vai colocar (na nuvem), qual o tipo de negócio, a necessidade e, a partir daí, fazer toda a estruturação, toda a engenharia, considerando as características mais singulares de cada cliente. Este é o ponto "matador" da nuvem privada. Fabiano: Muito bem. Senhores, infelizmente o tempo do podcast acabou, mas acredito que tenhamos conseguido tirar as dúvidas a respeito do modelo, suas aplicações e da necessidade de se entender o negócio antes de se definir que tipo de cloud vai se implementar. Acho que conseguimos cumprir a nossa missão de comunicar isso com este podcast. Eu conversei aqui com Carlos Eduardo Chicaroni, Gerente de Soluções de Tecnologia na green4T; Carlos Eduardo Dumard, também Gerente de Soluções de Tecnologia na empresa; e Leonardo Andrade, Arquiteto de Infraestrutura de TI. Chicaroni, foi um prazer mais uma vez, muito obrigado pela presença. Chicaroni: O prazer foi meu, Fabiano, estamos às ordens aqui. Fabiano: Dumard, hoje foi sem backing vocal como no outro podcast (risos), obrigado pela sua presença. Dumard: Obrigado! Verdade, hoje foi sem, obrigado e um abraço a todos. Fabiano: Leonardo, parabéns, grande estreia, espero contar com você mais vezes aqui no podcast, obrigado pela sua presença. Leonardo: Eu que agradeço, satisfação, pode contar comigo sempre. Grande abraço a todos. Fabiano: Muito legal, muito obrigado. Então é isso, convido você a continuar a acompanhar o nosso podcast e também outros conteúdos relevantes sobre a tecnologia da informação no blog INSIGHTS, no site da green4T. Nós esperamos que tenha gostado desta edição. Muito obrigado e até o próximo programa!
Sala-cofre certificada: as normas que regulamentam sua instalação e manutenção, e os testes aos quais é submetida
Nov de 2019
Fogo, fumaça, temperatura, gases corrosivos, impactos simulando a queda de escombros, e água provenientes do combate a incêndio, além dos demais riscos inerentes ao local tais como: acesso indevido, roubo, sabotagem, explosão, arma de fogo, água proveniente de vazamentos de tubulações ou de andares superiores, poeira e eletromagnetismo são riscos físicos derivados de um incêndio e que podem afetar os data centers caso eles não contem com a solução chamada sala-cofre. Tais condições são determinadas na norma NBR 11.515 e ISO 17000, que classificam e orientam sobre quais riscos devem ser considerados e também sobre os limites de emergência que garantam a proteção dos equipamentos de TI e suas informações.
Manutenção especializada de sala cofre: conheça as ameaças físicas e os riscos operacionais
Nov de 2019
Nessas aplicações, para proteger os dados e os equipamentos de tecnologia da informação contra as ameaças físicas (tais como água, poeira, umidade, fogo, gases corrosivos, fumaça, roubo, impacto, explosão, magnetismo e sabotagem), recomenda-se e é usual aderir à sala-cofre certificada, que oferece um ambiente totalmente estanque e seguro. No Brasil a sala-cofre é certificada pela ABNT, conforme a norma NBR 15.247, acreditada pelo Inmetro e que garante um ambiente de alta confiabilidade e disponibilidade. É importante salientar que a NBR 11.515 define os limites de emergência dos equipamentos de tecnologia da informação – instalados no ambiente do data center – relacionados a temperatura e umidade, o que significa os limites máximos toleráveis sem que haja riscos à integridade dos equipamentos. Portanto, as empresas optam pela sala-cofre certificada a fim de garantir o nível mais elevado de proteção contra ameaças físicas. Além de, por meio disso, atender aos pré-requisitos da NBR 11.515 e garantir benefícios da modularidade, ampliação sob demanda de racks sem necessidade de interrupção da operação, reaproveitamento da solução e facilidades na transferência ou mudança de local. Para garantir o alto nível de resiliência da sala-cofre certificada, e de seus subsistemas, além de preservar o investimento inicial, é necessário que a manutenção seja executada por uma empresa especializada, credenciada e capacitada pelo fabricante, conforme previsto no procedimento de ensaio PE 047.7 – item 7.5, referente à NBR 15.247 e definidos pela ABNT. Por se tratar de uma solução totalmente integrada, a manutenção da sala-cofre certificada e de seus subsistemas (elétrica, ar condicionado e conectividade), deve ser realizada por uma única empresa especializada, minimizando riscos para a operação contínua e ininterrupta, inclusive que garanta o fornecimento das peças de reposições genuínas dos fabricantes.
Dúvidas frequentes sobre a continuidade da certificação da sala cofre da sua empresa (parte 2)
Nov de 2019
Minha empresa realmente precisa da certificação da sala-cofre? Os testes exigidos para a certificação garantem o pleno atendimento a todas as especificações, comprovando o mais elevado nível de proteção, estanqueidade e assim, justificando o investimento de uma sala-cofre. Podemos exemplificar a importância da certificação com uma simples pergunta: Você pularia de um avião com um paraquedas não certificado? Se sua resposta for não, obviamente entendeu a importância da solução certificada. Afinal, quais as diferenças básicas entre sala-cofre certificada e sala segura? Considerando que a infraestrutura e seus subsistemas empregados na construção de uma sala-cofre podem ser os mesmos de uma sala segura, e assumindo que ambas soluções possuem a mesma área, quantidade de racks, potência elétrica instalada (geradores, UPSs, painéis, cabos), sistema de ar condicionado, cabeamento estruturado e automação (CFTV, controle de acesso, sistema de detecção precoce/combate ao incêndio), basicamente as diferenças se concentram nas características construtivas de cada solução. Diferente da sala segura, a célula sala-cofre certificada segue todos os pré-requisitos impostos pelas normas e procedimentos de ensaio, inclusive com testes simulando uma situação real de incêndio. Contudo, a célula sala segura pode ser construída utilizando painéis corta-fogo, paredes de alvenaria, dry wall corta-fogo, steel frame, divisória, vidro, entre outros, já que não há normas e certificações específicas para este tipo de solução para data center. Existem normas da ABNT para proteção corta-fogo, tais como a NBR 10.636 (ensaios em paredes e divisórias) que, muitas vezes, são exigidas para instalações de salas seguras. Porém, tais normas não simulam os testes em uma situação real de incêndio no data center, o que não garante os limites de temperatura e umidade internos, as proteções contra vazamentos e jato de água, fumaça, gases corrosivos ou queda de escombros, por exemplo. Portanto, a opção por uma solução certificada, sempre garante a contratação do provedor que melhor cumpre e garante todas as exigências técnicas, inclusive permitindo a equalização justa entre os proponentes e facilitando a contratação da melhor solução pelo menor investimento.
Sala Cofre
Um data center precisa de um nível extremo de proteção e segurança. A Sala Cofre é essa cápsula. Saiba mais.
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